9.12.09

Como correr com quem não gosta de correr


Se não gostas de desporto, este texto não é para ti. Mas espreita à mesma só para ficares raivoso.

Passei uma boa parte da minha ainda não totalmente lastimável vida a fazer desporto. Não por obrigação, mas sim por gosto. Da ginástica desportiva ao futebol, ao futsal, ao BASKET (a letra grande confere a importância que tem para mim), à natação, ao ténis de mesa, ao ténis sem ter mesa, até à corrida.

Desde o total amadorismo à prática competitiva, federada, séria e com mau-perder de nível olímpico, entre estas modalidades há uma característica comum – o escape. Para além da diversão e da competitividade que reside em mim, há também muita trampa que me arrasta muito mais para “O Mau” do que para o “O Tipo Afável, ainda que com a mania que é esperto”. E, essa trampa é muito fácil descarregar, quer em nós próprios, quer nas pessoas que nos são próximas, quer num ceguinho que calhe a ir passar, distraído.
Como me tenho em elevada estima, aprecio os ceguinhos e, pronto, até sou benevolente para quem me é próximo, o desporto sempre foi um escape natural.

E chegamos à corrida, caminhada para os menos apologistas do suor em bica. Haverá forma mais simples de descarregar energias? Creio que não. Nem que seja correr para fugir ao assunto.

Existem mil argumentos para me contrariar. “Que não gostam de desporto”, “Que não gostam de correr”, “Que não gostam de correr sem sentido”, “Que não gostam de levar com vento/calor/chuva/meteoritos em cima”, “Que têm outra actividade como escape”, “Que conhecem um mecânico que arranja escapes”, “Que a vossa religião não permite”, “Que a vossa religião é um escape” and soi on.

Aceito tudo. Na boa, sem problemas, com um sorriso simpático e com um abracinho de compreensão.

Mas depois, que não vos apanhe a dizerem “Que a vida passa a correr”, “Que passam a vida a correr”, “Que fazem tudo a correr”, “Que devia ser tudo corrido”, “Que não têm tempo e é tudo a correr”, “Que só viram não sei quê em corrida”, “Que andam numa correria louca”, “Que corre tudo bem”, “Que corre tudo mal”, “Que não corre nem sai de cima”.

É porque, para issso, mais vos valia correrem a sério, em vez de andarem a chorar sobre corridas derramadas.

A vida não passa a correr. Nós é que estamos demasiado ocupados a vivê-la para perceber isso.

9 comentários:

  1. Pôrra, pá!

    Essa última frase resume tudo!

    "A vida não passa a correr. Nós é que estamos demasiado ocupados a vivê-la para perceber isso!"

    Vinte valores...e sem palavras!

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  2. Eu corro, jogo à bola e ainda faço aulas de de aeróbica na pista de dança. Posso queixar-me que a vida passa a corrrer?

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  3. O desporto mais violento que pratiquei nos ultimos vinte anos foi snooker.

    Ha! Houve tambem o levantamento do copo e o arremesso da beata.

    Já que não me destaco em mais nada, pelo menos nos "grupos de risco" não deixei creditos em mãos alheias.

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  4. Olha, corra-se, é o que é...:)

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  5. @ Ene - 20 Valores aqui é que não, que não queremos estragar a média...

    @ Pipoca - Não, porque passas parte dela a dançar.

    @ Shadow - Modalidades de risco que não devem ser feitas a correr, acrescente-se...

    @ AMC - Está tudo corrido é o que é...

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  6. Ainda ontem falava do Tempo que passa a correr...

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  7. És um desmancha prazeres. Vou queixar-me de que a vida passa a correr as vezes que me apetecer e não me podes impedir na na na na na na !
    Hoje estou mais parva que o costume.
    Beijos

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  8. Eu detesto fazer desporto. Mas recentemente fui arrastada (ou quase) para fazer natação e adorei. É um cansaço físico que corresponde quase de igual modo a descanso psicológico. Durante o dia estou sentada, na natação a cabeça só tem de pensar "respira" "braçada" "respira" ... Gosto!

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  9. E agora praticamos todos a correr o desporto virtual !;)

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