10.11.09

Passar à história



Não sei quando é que esta expressão passou a ter conotação negativa. Por outro lado, também não sei quando é que ela começou a ter um significado positivo. Por isso, só um dado é concreto, sei muito pouco sobre aquilo que falo. Mas, não se preocupem, isso nunca foi impeditivo para mim.

A verdade é que eu gosto do termo “passar à história”, não no sentido de “bateu as botas”, “está arrumado”, “já não vales nada” ou “faz-te à vida”. Não só esses são sentidos comuns e pejorativos (bónus por utilização desta palavra em blog), como são fáceis e de uso corriqueiro por qualquer pessoa. Nem sequer me refiro à vertente de feitos históricos, que esse sentido então é redundante e eu chumbei no concurso de imitadores do José Hermano Saraiva.

O que a mim me agrada no “passar à história” é toda aquela magia própria de quem, por dom natural, sabe contar histórias. De quem transforma uma simples viagem de autocarro, num mini-conto que encanta pequenos e graúdos junto a uma máquina de café. É o toque próprio daquelas pessoas que gostamos ouvir, não porque nos transmitam saber ou pela sua visão única do mundo, mas sim pela sua capacidade de transformar o mais comum e o mais trivial em algo que nos capta a atenção, nos prende e nos faz esquecer que há cafés que são mesmo uma porcaria.

Esqueçam os mexericos, os boatos e as declarações inflamadas pelo amor ou pelo ódio. Isso são coisas que despertam a curiosidade de qualquer um que não tenha enveredado pelo caminho da santidade social. Eu gosto mesmo é de quem me consegue despertar a curiosidade, falando das suas peripécias numa tarde nas Finanças.

Isso é o verdadeiro dom de fazer passar à história. Devíamos todos agradecer a essas pessoas, que não são tantas como podem parecem (sim, porque também existem os verdadeiros e as imitações baratas), por tornarem a realidade um lugar menos real e mundanamente fantástico.

Como é óbvio, se conhecerem alguém que vê unicórnios no Metro e fala com fadas nos elevadores, afastem-se e não fiquem sozinhos. Essas pessoas não são contadores de histórias, são malucos.

A título de conclusão posso dizer que gosto de acreditar, entre os meus muitos defeitos de alto gabarito, que chamarem-me contador de histórias (tangas para os amigos) é um bom elogio que me podem fazer.
Desde que não seja antecedido de fdp.

5 comentários:

  1. Bónus é quando se usa petizes num blog... ou bilksuic, na verificação de palavras...;)

    ResponderEliminar
  2. Definitivamente há uma era pós-Seinfeld.

    ResponderEliminar
  3. Serás mesmo um "tangas" e um excelente contador de histórias...

    Aqui és mestre!

    (vénia!)

    ResponderEliminar
  4. O meu sigificado preferido para expressão "Qpassar à história" é parecido com o teu, Para o sentido banal, do "tas arrumado" gosto de descer um degrau e usar o "já fostes" sim, no plural _:)

    ResponderEliminar
  5. Aquelas fronteiras entre o realismo mágico, a psicose e a realidade vista por olhos desinteressantes realmente são delicadas.

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.