12.11.09

Glen Medeiros e a maldição do Luso Descendente

Hoje apetece-me dar-vos música. E quando falo em música, num post com Glen Medeiros à cabeça, já se sabe que o critério é bastante lato. A verdade é que não sei se o Glen foi o primeiro a abrir a caixa de Pandora do luso-descendente-com-queda-para-a-música. Mas é talvez o primeiro de que me lembro, ganhando no arranque ao Nuno Bettencourt (cujo registo se enquadra noutra história) e ainda à Nelly Furtado, que à altura era mais little que promiscuous girl.

O jovem Glen, passeava a sua descendência portuguesa pelas ruas do Hawai, quando decidiu “Epá, se o ukelele descende do cavaquinho, eu também posso ter uma carreira na música”. E assim, bastou um concurso de rádio e um cover de George Benson, para nascer uma pastilha que ainda hoje deixa algumas cicatrizes mentais, na forma do “Nothing is gonna change my love for you”.



O vídeo mostra os malefícios da música bacôca e de rapazes imberbes. Glen não estava claramente preparado para sair com a miúda. Senão não teria deixado ser a mãe a escolher-lhe a roupa.
Ponto dois – Cenas amorosas numa falésia. Conselho para imitadores – não façam declarações cujo entusiasmo ou má recepção vos possam fazer cair em mais do que uma depressão.

A música parece um sumo concentrado em que 90% é refrão e 10% é palha. O dinheiro também era pouco. Pelo amanhecer e pôr do sol na praia, o Glen nem a miúda levou a almoçar, já que passaram o dia a correr na praia (estás lixado que o apetite ao jantar que pagaste foi certamente a dobrar). Por falar em correr, gajos que corram menos que miúdas na praia e ainda tropecem atrás delas, não ficam muito cotados em termos do meu respeito.

Em suma, o Glen era jovem, o dinheiro soube bem e graças a Deus ainda não havia MTV Portugal. Mas, não é preciso muito para saber que este jovem luso descendente inspirou centenas de pequenos boys-banders portugueses, que viram na sua camisa aberta, na sua calça marota e na música feita a pensar na malta que ouve com os olhos e só retém um refrão.
Para ti não houve problema Glen, que continuas no Hawai a beber cocktails em abacaxis e a pintar a manta em shows locais. Agora nós é que tivemos que levar com eles depois de crescerem. E isso meu ex-rapazola bem te pode dizer onde é que podias pôr a luso descendência.

6 comentários:

  1. E será Medeiros ou Mederios?

    P.S. Na verificação de palavras saiu-me: hughbh (tipo soco no estômago, que é o efeito que esta música tem em mim)

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  2. mais vcs sao mesmo um bando de dispeitados q nao servem p porra nenhuma so falar d talento dos outros ja q o de vcs e so fala da vida alheia, pelo ou menos cicatriz ou nao ele deixou na vida de alguem teve uma historia p contar e vcs amanha quem vai lembrar quando vcs morrerem so a terra tem historia p contar de vcs depois de mortos

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  3. É uma opinião, coisa a que todos têm direito.
    No entanto, teria porventura outra amplitude se não beneficiasse da cobertura do anonimato, que eu permito mas não elogio.

    Aliás, a crítica aqui é feita em nome próprio e não pretende mais do que representar a minha opinião. Como tal, da mesma forma que tem todo o direito a ser defensor do Glen, da sua música, da sua obra ou, pura e simplesmente, de um moralismo que não comporta a sátira no seu interior, também tenho o direito a ter uma opinião diferente.

    Para além deste aspecto, felizmente o meu talento não reside apenas neste tipo de exercício. Espero que o seu também não.

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  4. Entendo a crítica.

    Como brasileiro e falante da língua portuguesa, acho queé um tanto desmerecedor da nossa cultura.

    Em tempo, vocês esqueceram de outro luso descendente, muito mais famoso: o Steve Perry, vocalista do Journey e o septuagésimo sexto maior cantor de todos os tempos segunda a consagrada revista Rolling Stones, cujo pai mudou o sobrenome PEREIRA para perry.

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  5. a propósito se comparado com Steve Perry, quem é Glen Medeiros?

    Penso que seja exatamente um modismo daqueles anos 80, tanto que esta é a única canção que o gajo conseguiu emplacar internacionalmente.

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