11.11.09

Compromissos, alergias e metáforas com piscinas


Compromisso é uma coisa da qual se ouve falar muito nestes tempos, mas se vê fazer muito pouco. Antes de mais, não se deve confundir com “Compramisso”, também muito ouvida nesta época, a cada vez que se passa ao pé de uma montra de brinquedos ou iPods com uma criança ao lado.

Um compromisso, como o nome indica, honra-se e, nos tempos que correm, honra é coisa de filmes de cavalaria, super-heróis e romances clássicos de domingo à tarde. Não vai haver dermatologista que vos comprove o que vou avançar, mas acho que vivemos uma pandemia de alergia ao compromisso.

Seja pessoal, profissional ou qualquer outra coisa importante acabada em “al”, encontrar alguém disposto a respeitar um compromisso começa a ser tão raro como encontrar um panda, e não me refiro a um Fiat. Diz-se habitualmente “isso é um compromisso sério”, como se adjectivar um compromisso com seriedade não fosse o mesmo que perguntar “Quer o seu gelado com gelo?”. Não existem compromissos a brincar, tirando aqueles feitos por pessoas que não sabem do que estou a falar.

Quanto maior for o prazo de um compromisso, mais assustador se torna para muita gente. O próprio termo “ficou comprometido” tem cada vez mais uma conotação negativa de quem foi apanhado com as calças na mão a meio de um baile de gala. Ninguém tem que ficar comprometido com algo em que não se revê, mas o problema começa logo quando já ninguém se revê a fazer um compromisso.

Querer algo ou estar disposto a assumir e cumprir algo, seja por dia ou por uma vida exige, primeiro que tudo, uma coisa simples, mas complicada – Saber o que se quer. O compromisso torce o nariz a quem diz de manhã que sim, à tarde que não e à noite que amanhã logo se vê. As pessoas cada vez menos sabem o que querem. Mas cada vez pensam mais o contrário e tomam decisões para a vida, desde que para a semana as possam anular, reverter ou, em boa parte, lixar.

A dúvida é boa. A dúvida é aquele momento, quando estamos a olhar para a piscina de uma prancha de dois andares, em que pensamos “E se isto corre mal?”. E depois saltamos.
O compromisso é um salto.

Quer se bata de chapa, quer se mergulhe a fundo, quer se repita logo a seguir, quer seja o último mergulho.

A piscina é a vida.

E, na vida, meter água é normal.
Usar a nova Box para interromper o mergulho a meio é que não.
E, hoje em dia, toda a gente quer uma Box que grave.

4 comentários:

  1. Há mais metáforas do que a das piscinas, mas são todas certeiras. E o texto mais profundo que muitas piscinas. A dúvida e hesitação no topo da prancha são o mais difícil Na dúvida, por exemplo de não se saber o que se quer, mais vale não saltar. Porque todos sabemos, sobretudo os que já saltaram alguma vez, que não se pode parar o salto a meio. Nem com a Box.

    ResponderEliminar
  2. Perfeito Mau. Não mudava aqui nem uma vírgula :-)

    ResponderEliminar
  3. Fantástico texto!

    Posso assinar por baixo...posso?

    ResponderEliminar
  4. Cada dia que passa, vejo isso até em quem, há partida, me fez crer que não era assim. É tudo muito descartável, e já ninguém que assumiu um compromisso, está disposto a lutar para o conseguir cumprir, é sempre mais fácil saltar fora quando a coisa fica mais morna, ou mais difícil...
    Olha, eu tb queria ser assim, pq ao menos percebia o que faz as outras pessoas agirem desta forma!

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.