Hoje em dia oiço muito menos rádio do que antigamente. A culpa é do computador, do MP3 ou até mesmo do silêncio ao fim do dia, que é cada vez mais uma boa companhia para fazer uma pausa do ruído do quotidiano. Mas, enquanto adepto incondicional de música dos mais diversos tipos tenho com a rádio uma afinidade incontornável. É como aqueles velhos amigos que podemos estar muito tempo sem ver mas, assim que nos encontramos, a separação desaparece com um abraço.
É por isso que hoje, ao saber da morte do António Sérgio, pensei o mesmo que qualquer pessoa pensa quando lhe relatam uma morte inesperada – não é possível. Sou talvez demasiado novo para poder dizer com propriedade que acompanhei toda a longa carreira deste ícone da rádio que não só nos trouxe o “Som da Frente”, mas que ao longo do seu percurso esteve sempre um passo à frente no que ao som diz respeito.
Talvez porque isto de ter uma irmã mais velha não é só desculpa para reclamações de benjamim da família, devo-lhe muita influência de conhecimento musical dos 80’s e não só. Talvez por isso, lembranças da voz profunda do António Sérgio se misturem com a minha infância, tal como a música inovadora ou, utilizando termos da época “prá frentex”, que a acompanhava em serões na companhia da rádio.
Conforme fui crescendo, a voz de António Sérgio respondia sempre presente, aqui e ali, quando ia ter com a rádio para matar saudades. E hoje, adulto de barba rija, mau feitio, mas ainda assim coração mole no que a música diz respeito, não posso deixar de sentir um certo desconsolo por saber que, da próxima vez que lá for, não vou poder voltar ouvir o vozeirão do António Sérgio.
Pura ilusão e egoísmo pessoal, porque há vozes que vivem para sempre, mesmo para além das ondas da rádio.
2.11.09
Chegou a hora do lobo
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
02:03
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
Likewise Mak.É relamente estranho como a morte de pessoas que não conhecemos pessoalmente nos pode afectar assim, apanhar-nos desprevenidos...
ResponderEliminarDesapareceu a voz do direito á diferença.
ResponderEliminarFicámos todos mais pobres.
O desafio da Fábrica de Letras está lançado!
ResponderEliminarPara o mês de Novembro, o tema será "Preto e Branco".
Para participar basta escrever um texto sobre o tema proposto e inscrever-se no link que estará à disposição no nosso blog, no dia 15 deste mês.
Podem ser usados textos,poemas, contos, fotos ou vídeos.
Participa, divulga!
E eu como praticamente não ouço rádio, nem sabia quem era o António Sérgio. No entanto reparei que só 200 pessoas compareceram ao funeral... Os outros todos devem ter ficado a ouvir pela rádio, com certeza..;)
ResponderEliminar@ AMC - Garanto-te que era uma homenagem com mais sentido :)
ResponderEliminarÉ incrível num mundo onde as pessoas vão estacionando quase todas neste ou naquele estilo que descobriram em determinada altura da vida, haver pessoas como o António Sérgio. Esteve a vida toda a seguir em frente, e a mostrar as descobertas aos outros.
ResponderEliminarEra um Senhor.