28.9.09

Votar, esse belo filme


Dsescansem, não vou falar de resultados. Aliás, eu resultados vejo poucos, ao contrário de paleio, que disso neste país não servem meias doses. A verdade é que mais do que ganhar o Partido A ou B (não é preciso dizer C porque por cá só ganha mesmo o A ou o B) é ver que muita da malta que não se dá ao trabalho de ir votar, é hoje a primeira da fila para dizer que isto nunca muda, que isto quando muda é para pior e que são sempre os mesmos.

E é verdade, são sempre os mesmos.

Sempre os mesmos a não fazer nada e a depois querer dizer tudo.
Quem não gosta de circo, na verdade não tem de votar no número de palhaços que prefere, mas só se se conseguir abstrair que a sua vida é passada dentro da tenda. E, porque não há nada como começar uma semana a enfardar metáforas como se não houvesse amanhã, permitam-me que faça outra:

Votar, com as devidas distâncias, pode ser como ir ao cinema. E o filme em cartaz é mau, é até previsível, sabemos como vai acabar, os protagonistas são fraquitos e essa história toda. Mas, para podermos dizer mal dele com propriedade, temos que o ver. Ainda por cima o bilhete é de borla, mesmo não havendo pipocas.

É que um dia, se nos disserem que perdemos o direito de ir ao cinema, somos capazes de ficar chateados. Se fizerem o mesmo em relação ao direito de voto, na volta, nem por isso.

Mas, até lá, vou votando, nem que seja para poder ir dizendo mal.

7 comentários:

  1. É que estás mesmo certo!!!

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  2. Verdade verdadinha... a mim revolta-me.
    Parabéns, muito bem escrito e diz TUDO!

    AP

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  3. Agora vou ser ditadora, mas acho que só assim vamos lá.
    Devíamos começar a penalizar os impostos de quem não vota. Se não vota é porque não se importa, daí que para nos livrarmos da crise, uma das medidas poderia ser subir o IRS a esses despreocupados - já que a eles tanto se lhes dá e a nós fazia-nos um grande jeito!
    Beijinhos,
    T

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  4. Consumo retórica e demagogia como entretenimento. Acho-lhes piada.

    Dei-me ao trabalho de levantar cedo no domingo e fui manifestar a minha nulidade.

    Basicamente fui ao cinema colar burriés debaixo da cadeira. O filme era tão mau que não me motivou a fazer outra coisa.

    Vivo dentro da tenda de circo a tentar desencantar a abertura da saída. Continuo a procurar... Mas a sacana teima em iludir-me.

    Vou lendo blogs. Alguns são verdadeiras janelas na tenda. Escape sem escapatória...

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  5. Pois é Mak, tens toda a razão. Mas para aquelas pessoas que não gostam de um único actor começa a ser difícil votar: os votos em branco não correspondem a cadeiras vazias na Assembleia, logo a menos deputados, o que deveria acontecer. Ainda corremos o risco de alguém colocar posteriormente uma cruz no nosso boletim de voto. Se fizermos um voto nulo, também não serve para nada, pois não conta para as estatísticas...

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  6. Mas, vais, suportas um sistema que, apesar de ter falhas, é provavelmente o melhor.

    Se um dia te disserem, escusas de ir, nós escolhemos por ti, será bem pior digo-te eu e não é preciso ires ao Professor Bambo para ele te dizer isso :)

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  7. I'm with you Mak. Eu vou e levo as crianças e explico que não gosto de nenhum, mas que no tempo dos avós não se podia escolher e que aquilo que temos como um direito adquirido é o resultado de conquistas difíceis. Digo-lhes mesmo que houve tempos em que as mulheres não podiam votar. Vou votar como quem toma um remédio amargo, não gosta mas tem de ser!

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