7.9.09

A última ceia de Vicente - Parte 2

Nota Prévia: Esta é a segunda parte do desenlace do Passatempo Dr. Tédio. Para saberem se estou sobre o efeito de substâncias tóxicas e tudo o mais, consultem os posts anteriores.

O prato principal

Desorientado, o futuro noivo tentou acalmar metendo água, ou melhor, tomando um banho. Olhou para o relógio, o catering só chegava daqui a meia hora, correu para o quarto, tinha a farpela pronta e seguiu para banheira.

Enquanto a água jorrava com força e Vicente ensaboava intimamente, mas com firmeza, as suas profundezas, não podia deixar de pensar no que iria dizer aos seus implacáveis convivas. “Depois do jantar, fiquem para o pequeno almoço, vão ver que até lá ela chega”. E foi assim que, distraído a enxugar os pensamentos, o nosso anfitrião não deu pelo sabão que escorregou e se anichou estrategicamente, qual Cinderela, no local onde segundos depois colocou o pé e imitou Rudolf Nureyev na perfeição. Tirando a parte em que bateu com a cabeça no lavatório.

Nem cinco minutos demorou a recobrar a consciência. Surpreendeu-se por ver que não tinha redecorado a casa de banho em tons de vermelho e por não ter um lote de dentes para oferecer à fada madrinha. Mas, acima de tudo, surpreendeu-se pelas palavras que proferiu, mal se levantou.

“Fónix, vou ter de lucubrar a alcachofra”.

Mas, que era aquilo? Ele não queria dizer isso, estaria trifásico? Trifásico? A palavra não era essa, era….. magnésio?? Fosse o que fosse, ele não tinha tempo para isso, com o catering a chegar, os convidados logo a seguir e a noiva nem por isso. Ia falar pouco, enquanto via se recuperava a erecção involuntária. O quê????? “Concentra-te Vicente”, pensou, vais ver que amanhã ainda te ris disto.

Falando só por monossílabos e alguns grunhidos, despachou o catering o mais rápido que pode, já que só tinham que entregar os acepipes, que do resto tratava ele e a sua irmã, que vinha para o ajudar.



Assim que a sua irmã chegou, notou logo que algo não estava bem “Que se passa Vicente?” e, ele como irmão mais novo que sempre fora, logo desabafou “A minhoca está azeda e não deve chegar a tempo do jantar. Para ajudar, lambi o corrimão quando estava a tomar banho e fiquei assim”.
A cara de Ana foi um misto de espanto, incredulidade e vontade de rir. Vendo os nervos do irmão, disse-lhe “Acalma-te lá, que vamos resolver isto” e deu-lhe um papel, para que ele lhe explicasse por escrito. E assim, Vicente descreveu o seu infortúnio. “É melhor cancelares o jantar” sugeriu Ana. “Estás com bananas na garagem???” gritou Vicente, enquanto lhe descrevia, novamente por escrito, o que lhe aconteceria se voltasse a fazer uma desfeita à família e aos amigos, que já vinham todos a caminho.

“Pronto” disse-lhe ela em voz calma “Então vamos a isso, mas tu fala o menos que possível, eu digo que estás rouco e explico-lhes da tua noiva. “Pode ser?”
“Vai ter que ser minha barata de caramelo” suspirou Vicente.

A campaínha tocou, a última ceia de Vicente ia começar.

3 comentários:

  1. Ainda não vi a minha contribuição exposta nesta novela. Fico à espera atentamente do desenlace :)

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  2. Estou a adorar... continua!
    AP

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  3. Méne, vai com uma embalagem!!! :)

    Achas que consegues parar na 3ª. parte?

    (Isto promete!!!)

    :)))

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