7.9.09

A última ceia de Vicente - Parte 1

Nota prévia: No âmbito do passatempo Dr. Tédio (ver posts anteriores), esta alucinação tem uma base colectiva (as vossas palavras), mas também uma personalidade muito própria, já que quem atestou a viatura fui eu. Daí que este texto se divida em trilogia, pois com tanta verborreia junta, alguém vai ter que comer pela medida grande. Não eu, nem sequer vocês, mas sim o Vicente.
Concluo dizendo que as palavrinhas estão lá todas e, sempre que possível o mais juntas que possível segundo as vossas parelhas. O resto, bem o resto é o resto...

Parte 1 - As entradas


Vicente era um rapaz inocente até o dia em que se deu o acidente. Bateu com a cabeça, ficou diferente, ainda era o Vicente, mas não falava como toda a gente. A partir daí, chamaram-lhe escanifobético e até estrambótico e, educamente, ele até agradeceu, mas ainda assim continuou a preferir que lhe chamassem só



Vicente.

Mas afinal, que maldição se abateu sobre este filho de boa gente?
Era uma noite importante para Vicente. Convidou para jantar a sua família, amigos próximos e até Fulano e Beltrano (não os conhecia bem, mas disseram-lhe que era gente que ia a tudo quanto era evento), fazendo tenção de a todos anunciar que iria fazer aquilo a que se chama casar.

Com a hora do jantar a aproximar-se, os primeiros a chegar foram os nervos. “Nervos temos todos”, costumava ele dizer, mas naquele dia pareciam estar todos por sua conta. Pegou no telemóvel, para procurar ânimo e conforto junto da sua futura esposa, que devia estar a chegar ao aeroporto nesse momento, vinda de uma conferência.

Ah, que querida, já lhe tinha deixado uma mensagem. Duas palavras apenas, ouviu ele, e logo o seu coração disparou: “Tou atrasada”. Do ânimo e do conforto ao horror, com o tarifário mais barato. O avião ficara retido, um qualquer circuito derretido e os planos de Vicente esturricados. É que apresentar uma noiva em pessoa pode ser difícil, mas anunciar noivado com uma cadeira vazia é mais complicado. Já ouvia a sua tia a dizer que, pelos vistos, ela devia ser uma zoina estouvada. E isso era coisa que ele não admitia que chamassem, quer à sua cadeira, quer à sua noiva.
E, para celebrar início tão auspicioso, resolveu Vicente abrir o serão de forma eloquente:

“Cum caralho”.
Não foi bonito, mas pelo menos não deixava hálito, como aquela garrafa de ginjinha que o convidava para desabafar.

4 comentários:

  1. Coisa gira pá, mas sempre vou esperando pelo resto antes de alarvajar, até porque ainda tens muito para dar ao dedo.

    :)

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  2. Hilariante
    Adorei ;)
    AP

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