8.9.09

Passatempo Dr. Tédio Parte 3 - Afinal ainda não acabou

Nota Prévia: Esta é a terceira parte do passatempo Dr. Tédio. Por motivos de verborreia, terei afinal que o dividir em quatro, para não deixar aqui um lençol. Por tal facto, peço desculpa, mas não estou arrependido.
Se não fazes ideia do que estou a falar usa essa maravilha da ciência a que se convencionou chamar “scroll”. Ou, como diria Vicente, experimenta o vagão.

Sobre a mesa, alguém?

Fome era coisa que ele não tinha. A boca seca de tentar não falar contrastava com a algazarra que os seus doze convidados faziam. Lá estavam os seus pais, o avô Carlos, a tia Isaltina e o seu pedante marido, o “Dr. Hugo. Com eles tinha vindo a Clara, a sua prima, que há tanto tempo não via e que, pelo menos sempre parecia mais simpática. Ana andava de um lado para o outro, fazendo as falas de Vicente, conversando com Sandra e Bruno, seus amigos da faculdade, enquanto dava também as boas vindas ao André e à Renata, que tinham trazido aquele terrorista em forma de filho. Faltava era a futura noiva e também a sua capacidade de articular um discurso coerente, mas pronto agora já estava tudo em movimento.

A tia Isaltina aproximou-se, trazendo consigo Clara: “Bem Vicente, vê lá tu como o tempo passa. Já não vias a Clarinha para aí desde quando, do tempo em que jogavam à apanhada?”
Clara sorriu.
“Para aí, tia...” Vicente tinha medo de ouvir a sua voz “...lembro-me que a Clara estava sempre a fugir de mim para o coito interrompido”.
Clara não sorriu.
A tia não percebeu.
Vicente não ficou para explicar.

Suando em bica, estava encostado à bancada da cozinha, quando Ana entrou. “Tens de vir, está tudo à tua espera”.
“Epá, o cacete está eminente e isto vai correr tudo mal. Não há noiva, não consigo sequer afinfar um paralelepípedo e não vejo como me safar disto”.

“Calma” a voz de Ana era suave, mas ainda assim autoritária. “Vais falar pouco e devagar. Eles já sabem que ela está presa no aeroporto, vão perceber que estejas abatido e não digas coisa com coisa”. Piscou-lhe o olho “Anda.”

E juntos entraram na sala.

Durante cinco minutos, tudo correu bem. As conversas fluíam e Vicente, entre acenar de cabeça e concordâncias não verbalizadas, foi disfarçando. Mas, o sacana do “Dr.Hugo” tinha de estragar tudo.
“Então Vicente, dantes as noivas fugiam era no altar. Pelos vistos a tua fugiu antes do anúncio de casamento”. Aquele sorriso ia tão bem com um punho fechado.

“Olhe Hugo, eu não estou com muita concuspiscência para o patinhar, por isso vá com calma”. O controlo estava a apanhar um táxi para se ir embora.
“Desculpa, não te queria ofender, mas também não percebi muito bem o que queres dizer com isso. A rapaziada, hoje em dia, tem um palavreado que eu desconheço”. O ar condescendente ofendido não estava a ajudar à festa.

“Tudo bem, fale de asinhas de frango ou coma esse chaparro com courgette que está aí sentado no prato ao seu lado”. A tia Isaltina, de vestido verde, olhou escandalizada. “Mas, por favor não me massacre”.

Houve uns momentos de silêncio e então Ana interviu, lançando um qualquer tema e os seus amigos ajudaram a dinamizar de novo o jantar. A mãe, ao seu lado, disse baixinho a Vicente “Estás bem filho? Pareces-me nervoso e um bocadinho distante”
“São nervos mãe” Vicente tinha a noção de que não era muito convincente “E este tipo causa-me uma idiossincrasia no estomâgo que não imagina”.
“Bebeste filho?” a mão da sua mãe pegava na sua “Não mãe, é de bater com a cabeça na parede” disse Vicente, sorrindo.

Mas, o prato ainda estava cheio e a vontade de sorrir não era muita.

7 comentários:

  1. Se Vicente não tem vontade de sorrir, eu estou despregada a rir. Está delirante...
    Aguardo mais.
    AP

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  2. Ora, eu bem dizia que não safavas a coisa em 3 partes... (Devia ter jogado no eurocoiso...)

    :)

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  3. Isto dá mais ar de ser prof. ou mestre Tédio do que Dr..;)

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  4. Até estou com pena do rapaz... Tu salva-o que com esta dislexia de frases, parece que está a ter um AVC!

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  5. Concordo com a Miss, salva-o.
    Mas está mesmo engenhoso.
    Hoje fiquei triste com a pouca participação.... mas elas vêm....
    AP

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  6. Isto está a transformar-se no Agora Escolha...

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  7. Já pedi à Vera Roquette para sair da reforma e me dar uma ajuda...

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