25.8.09

Super poderes a la carte

Influenciado pela Marvel e também pela lycra dos maillots de ginástica, o meu encanto por super heróis tem-me acompanhado desde pequeno. Gostava daquele mundo em que pessoas picadas por aranhas radioactivas, gente verde ou, por exemplo, extra-terrestres adoptados andavam normalmente por aí sem ser em reality shows ou no noticiário da TVI.

Acima de tudo, gostava da ideia de ter super poderes e, no meio das histórias que lia, pensava frequentemente como seria bom poder ter um só para mim. Inicialmente, os super poderes com que sonhava tinham muito a ver com a capacidade de mudar o mundo, o meu mundo claro está. Poderes como comer mais de cem chocolates sem enjoar ou entrar no balneário das miúdas em modo invisível, em ambos os casos com inegáveis mais valias para a humanidade.

Conforme fui crescendo, as prioridades foram mudando e, entre várias hipóteses, havia uma que me seduzia mais – a capacidade de ler pensamentos. Esqueçam os enredos de filmes babacas com o Mel Gibson ou, mais recentemente em séries tipo Heroes. Falo simplesmente no poder de olhar para alguém e saber o que ela pensa. À primeira vista, parecem ser só vantagens, com um super poder que não nos obriga ao contacto com animais estranhos ou nos envolve em cenários de pancadaria de três em pipa, possibilitando ainda uma simpática progressão de carreira pessoal e profissional e, ocasionalmente para desenjoar, ajudar os outros.

Só que, um episódio da 5a Dimensão ensinou-me que ler os pensamentos é coisa que não foi feita para nós, nem mesmo para super-heróis, no mundo em que vivemos. As pessoas dizem muitas coisas que não pensam e pensam muitas coisas que não fazem. Por isso, ler pensamentos seria como um programa da Tertúlia Cor-de-Rosa em que, por cada segundo que passasse a agonia da realidade seria torturante.

Será que queremos mesmo saber o que as pessoas pensam sobre nós? Será que descobriríamos que há malta que pura e simplesmente não pensa? Confesso que desisti na hora, vendi as minhas revistas de super heróis para arranjar uns bons cobres e investi no super poder de escrever baboseiras sem parar.

O mundo pode não ter ficado melhor por causa disso, mas há para aí 10 pessoas que não andam a fazer asneiras só por estarem a perder tempo a ler isto.

Another job well done, Super-Mak (não confundir com o cão gelado, o Super Maxi).



Ps - Não resisti a pôr o Rod Serling da Twilight Zone.

6 comentários:

  1. Há coisas, como essas, que à 1ª vista,nos parecem excelentes, mas que pensando bem... Não seria bonito!

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  2. Eu cá, antigamente, tb gostava de ter super-poderes. Ouvido super-sónico, visão de raio-x, ou poder voar!
    Mas concluí recentemente que estou muito desactualizada... a minha filha deu-me a conhecer as Winx! e eu já não quero ter super-poderes! Livra!!!!!

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  3. P.S.: e fizeste-me lembrar, com o "A penny for your thoughts", uma música muito antiga... http://www.youtube.com/watch?v=Q7sIzWKHGwQ
    Será hoje a banda sonora do meu estaminé!!!!
    Bjnhs,
    T

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  4. É o facto de termos todos tantos super-poderes iguais que os banaliza ao ponto de nem darmos por eles...

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  5. Se todos pudessem ler os pensamentos, não existiriam mentiras...

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  6. Também há a edição limitada do cão gelado, feita especialmente para a festa do avante. É o super-marxi

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