28.8.09

O queijo da vergonha




admiti publicamente o facto de só ter ido pela primeira vez a um casamento muito recentemente. Muitas pessoas me escreveram, perguntando se tinha problemas de adaptação social, se não tinha amigos ou se, pura e simplesmente, era um bocado estranho. Senti-me um bocado ofendido com esta última pergunta, até porque pensei que isso já tinha ficado sobejamente comprovado neste blog.

Mas, voltando um pouco atrás, recordarei um pequeno episódio no dito casamento, cujo esquecimento pode ter a ver com a matéria prima do mesmo, mas que reforça o ficheiro secreto que habita em mim.

Toda a gente sabe que os noivos, a cerimónia e o resto é tudo acessório, porque o que interessa é mesmo encher o bandulho. Pelo menos foi o que me disseram, com ar condescendente, pessoas mais experientes na matéria. Assim sendo, foquei-me mais na alimentação e menos na celebração, mantendo no entanto um mínimo de dignidade e deixando passar à frente mulheres e crianças, desde que não excedessem o número de três.

Tudo correu bem, tirando um ligeiro incidente na mesa de queijos. Sendo eu apreciador dessa iguaria, apesar de alguns cheiros se assemelharem vagamente aos das minhas meias depois de actividades desportivas, investi na mesma duas ou três vezes. Na segunda rodada, achei que eles tinha reposto alguns queijos e ataquei um prato que não tinha visto antes e que tinha algumas variedades de eleição. Cortei a bom nível, escolhi como tinha de escolher, até me sentir incomodado com um olhar. “Francamente”, pensei eu “não pode estar um gajo a acumular queijo como se fosse um rato e o Inverno estivesse à porta e vêm logo os apressados”. O senhor aproximou-se e disse “Posso?” e eu, olhando para o meu prato bem composto, acedi.
Qual não foi o meu espanto/embaraço quando vi que o conviva era nada mais nada menos do que o dono do prato que eu tinha estado a fatiar como se não houvesse amanhã e que só se tinha afastado para ir buscar bolachas, aguardando calmamente depois que eu o desfalcasse de queijo, com calma, compostura e, certamente, com a benevolência de quem está perante um refugiado do Sudão.

Afastei-me rapidamente da mesa e comi todo o queijo que tinha a grande velocidade. Não porque tivesse fome, mas sim para esquecer semelhante figura de urso.

E assim consegui, até hoje.

6 comentários:

  1. Depois de tal episódio, algo me diz que não há mais convites para copos de água... a menos que os noivos sejam apreciadores de queijo.

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  2. Isto sim que são exemplos de civismo! Tão cedo quero ver se não os esqueço!

    É que fico sempre acanhado quando se acabam os croquetes nesses eventos, agora já sei qual o procedimento para passar despercebido.

    :))))

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  3. Fantástico!!!!!!!!!!!!!Nao lhe disseste mesmmo nada?

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  4. Mas pelo menos agora já percebemos porque é que só agora foste ao primeiro casamento...;)

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  5. ahahahaha
    Episódio muito engraçado.
    ;)
    AP

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  6. O primeiro e ultimo casório, isso sim!
    hehehe
    Estou a brincar...
    Já me parti a rir!
    Beijo
    Lak

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