17.8.09

Curta sobre certas cartas


Este fim de semana fiz-me à estrada. Apanhei-a desprevenida e antes que desse por isso, já eu andava de volta de dela. Depois de quase três horas naquilo, pensei que não íamos a lado nenhum, mas pelos vistos fomos, já que quando parei não estava muito longe de Oliveira do Hospital.

Deixei a estrada para trás, depois telefono-te. Abracei nova paixão, de olho azul, fresca e sedutora, apesar da caruma que lhe caía em cima. E, mesmo sabendo que muitas vezes me levaria ao fundo, mergulhei nessa tentação de fim de semana. Sem amarguras nem lágrimas, o pouco cloro também ajudou.

Nos intervalos pensei em escrever cartas aos meus amigos, mas surgiram outros que me deram um baralho já com elas escritas. Poupei trabalho, resolvi abrir o jogo. Disseram-me que não jogava com o baralho o todo, mas pus as cartas na mesa: posso não ser um ás das relações, mas não sou uma carta fora do baralho.
“Só nos saem é duques” gozaram eles. Não respondi e resolvi guardar alguns trunfos na manga. Se não saísse dali a dar cartas, pelo menos tentaria baralhar e voltar a dar.

Muito mais tinta correu, mas por fim joguei a cartada final. Voltei a fazer-me à estrada. Aceitou-me de volta, apesar de estar só de passagem. É uma querida, apesar de eu lhe estar sempre a passar por cima. Cheguei a casa, não abri o correio. Não me apetecia jogar às cartas.

2 comentários:

  1. Acho que jogas sim, com o baralho todo!
    Grande momento. Dominaste as expressões todas com mestria. Não paguei para ver, mas vou com a impressão de que é difícil bater este "Royal Flush"!

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  2. Sem palavras e de boca aberta.
    Como se pode jogar assim com as palavras e com as cartas?
    Lindo.

    AP

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