26.8.09

As mulheres e os super poderes



Na sequência do chorrilho de alarvidades anterior, escapou-se-me um aspecto interessante. As mulheres, no seu quotidiano, parecem às vezes sacar do baú super-poderes capazes de fazer até o Hulk (o tipo verde musculado e não o avançado do Porto) corar de inveja.

Um deles, que tive a oportunidade de testemunhar algumas vezes de perto, tem a ver com a capacidade de duas ou mais mulheres juntas conseguirem tornar qualquer homem invisível. Não me refiro à invisibilidade tipo barreira de gelo, que pretende evitar a aproximação de qualquer pacóvio ou camafeu desconhecido.

Aqui trata-se daquela capacidade de, a meio de uma conversa num gurpo em que esteja um homem presente, torná-lo invisível. Normalmente, começa com um “Eles” e depois tem em anexo uma panóplia defeitos ou insuficiências masculinas que ilustram facilmente porque devem ser as baratas e não os homens a sobreviver a um desastre nuclear.

O homem presente, quando não surdo, tenderá a sentir-se incrédulo e a tentar mostrar que está presente. Nunca, em situação alguma, deve pedir uma bofetada para comprovar que existe sob o risco de perder a invisibilidade e ganhar alguns traumatismos. Tentar participar na conversa pode ser um caminho, mas só se as senhoras se sentirem na disposição de uma sessão espírita, já que não reconhecem presenças adicionais.

Nesse caso, o homem não deve tentar superar a sua invisibilidade temporária com frases tipo “Eu não concordo nada com isso” ou “Mas eu não sou assim”. A conversa feminina iniciada com o termo “Eles” e não “Vocês” indica aos homens presentes que acabam de ser invisibilizados e, como tal, a tentativa de chamar a si o protagonismo, é ridícula e acarreta o risco de o transformar de homem invisível em criança invisível com um falsamente acalmante “Oh tonto, não era de ti que falávamos”.

No entanto, o homem não deve sentir que o facto de estar invisível é um poder seu, quando na realidade é das mulheres. Daí ser desnecessário avisar para o risco de, caso esteja emocionalmente ligado a uma das mulheres, controlar outras ou ter alguma atitude mais indecorosa, como pôr o relato da bola mais alto. A invisibilidade, por si, não acarreta dor, mas pode ter essa consequência nesses casos.

A solução: Esperar que a invisbilidade passe. Com sorte, não há-de durar muito tempo. O suficiente para aprender a dar valor à expressão “O silêncio é de ouro”.

9 comentários:

  1. O teu sentido de humor é genial!

    ResponderEliminar
  2. isso é tudo, mas tudo, mentira!

    ResponderEliminar
  3. Muito bem escrito.
    O remate, muito bom.
    Parabéns
    AP

    ResponderEliminar
  4. @galega - Aliás, este blog é uma mentira pegada

    ResponderEliminar
  5. eu digo: verdade
    acrescento: o "eles" para iniciar uma conversa, quando um homem está presente é, muuitas vezes, provocação, porque queremos mesmo que ele perceba do que estamos a falar e nos dê ouvidos, visto que são várias mulheres a partilhar da mesma opinião.

    ResponderEliminar
  6. Comprovo inteiramentente... Eu que em momentos da minha infância me perguntei se as mulheres seriam imunes à flatulência, já que nunca tinha presenciado, num momento de invisibilidade em adulto tive o previlégio de ouvir uma linda tertúlia femenina sobre o assunto. Claro que por esta altura já não tinha e dúvida da infância.

    ResponderEliminar
  7. Fantástico, sou mulher mas confesso que realmente é assim.

    Fica o convite para o meu blog:http://sandrablogwithaview.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  8. tenho uma certa tendência para ver com maus olhos gente que dá valor a este tipo de pequenas guerrilhas entre sexos... futilidades! cansa ver esta união das mulheres contra os homens e (também o reverso) como se alguma coisa importante assim o motivasse.

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.