20.7.09

Sim, já fui a um casamento

Suponho que, para muita gente, esta seja uma afirmação trivial semelhante a “Sim, já pontapeei um idoso na rua”. Mas, para o ilustre que vos escreve, até este fim de semana, só a segunda premissa era realidade.
De facto, fiz parte de uma elite restrita, para aí de cinco gajos que, em Portugal, tinham já uns anos valentes de idade adulta sem nunca terem posto os pés num casamento. Se a isso juntar o pormenor de sobreviver sem carro próprio (sim, conduzo e não tenho atropelamentos e fuga no cadastro), éramos só dois sendo eu o único que não estava ligado a uma máquina de respiração artificial desde os 18.

“Será este tipo tão anormal como parece?”, aventarão alguns dos leitores. Não sejam prepotentes, que eu ainda não confio que saibam pensar. Neste caso, a questão nem vai por aí, já que não sou aquilo que se pode chamar um devoto dos deveres familiares e os meus amigos, pelo menos os que não estão internados, ainda não casaram na sua maioria ou, pelo menos, tiveram a inteligência de não me convidar.

Mas, passando ao casamento em si, o que pude eu constatar:

- Há um certo egocentrismo da parte dos noivos. Tudo bem, são eles que se casam, mas não havia necessidade de estarem sempre a querer ser o centro das atenções. Ai, agora vamos assinar e dar um beijinho, ai agora são as fotografias, ai agora temos uma mesa de honra, uma dança só para nós, um bolo para estrearmos, etc.

- Há gente que capricha na fatiota. Mas certamente que, para alguns, um casamento, um cortejo de Carnaval em Torres Vedras ou uma festa da espuma são eventos de cariz semelhante, no que ao vestuário diz respeito.

- Atirar arroz e pétalas pode ser divertido. Também pode ser violento, se tiver em conta o vigor com que alguns cestos foram arremessados.

- Empregado de mesa/bar pode exigir seguro de vida, especialmente se estiver de serviço nas horas de abertura / início de distribuição de comida. Se ha um grupo perigoso de enfrentar é uma “posse” de convivas esfomeados e sebentos.

- A senhora do registo não ficou para almoçar. Primeiro não percebi a recusa de uma borla, mas depois vi que mexia com o horário de serviço de um funcionário público e fez-se luz.

- Mais irritante que o fotógrafo só mesmo o cliché das suas fotografias. Única nota criativa, os tranquilizantes que usou para conseguir fotografar as crianças. (era bom não era)

- A ementa desiludiu-me. Pensava que a magia do casamento também se estendia aos nomes dos pratos. Mas não, o que era bacalhau vinha mesmo como bacalhau e nem sequer como “Lascas de codfish em cama de espinhas com toque de pele e sensações gratinée”.

- A banda não era má ou então era a bebida que era boa. Mas também não era assim tão boa, senão eu não me lembraria da banda.

- A par do K1, o apanhar do bouquet deve ser um dos desportos mais agressivos que já vi. Curiosamente ou não, as mulheres que mais se empenham por norma são aquelas que não vão acompanhadas.

- Com a alarvidade de comida que sobra, lembrei-me de um bom nicho de mercado. A malta que organiza casamentos devia contactar organizações de cariz cívico e guardar as madrugadas para casamento de mendigos, sem-abrigos e/ou toxicodependentes. Eles não iam ligar à apresentação das coisas, as facturas de mecenatos são dedutíveis nos impostos e o amor acontece a todos, até aos mais desfavorecidos.

- Há um tipo de pessoas que se deve ter muito cuidado, nas mesas de casamento. E não me refiro ao etilizado do costume, porque nódoas da roupa são o menos. Mas, sobre isso debruçar-me-ei noutras núpcias.

- Não vi, perto do final da festa, ninguém com um leitão ao colo, disfarçado de criança. Desde que vi um sketch assim (quando o Herman ainda era vivo), tinha essa ilusão.

E pronto, temos estes apontamentos, no meio de tantos outros. E eu já fui a um casamento. Mas a comprar um carro não me apanham tão facilmente.

11 comentários:

  1. é proibido achar piada? é que se for, vou presa. God! eu nem sequer me lembro da primeira vez que fui a um casamento, por isso imagina a minha tenra idade..

    ResponderEliminar
  2. Também fui a um casamento este fim de semana.
    E pasma-te, ao contrário do teu, o violento desporto de atirar o bouquet não foi violento. Fizemos uma rodinha à volta da noiva, a noiva con uma venda, e ándamos a `volta dela. e depois ela dirigia-se a uma qualquer.
    Gracioso não é?
    Curiosamente ou não, notei as acompanhadas muito mais euforicas com a coisa; eu, solteira e descomprometida fui basicamente arrastada para a roda...

    Beijo =)

    ResponderEliminar
  3. @ Kikas - Faça o favor de se rir. Eu próprio, noutro contexto, já nem me lembro do tempo em que comecei a escrever parvoíces...

    @ Espiral - Acompanhada e casada não é a mesma coisa, tal como uma noiva tonta ou a tonta da noiva. Mas, sim tem o seu quê de gracioso, desde que a noiva não tenha consumido mt álcool...

    ResponderEliminar
  4. Olha eu ri-me e muito! Temos pena! :)

    ResponderEliminar
  5. Adorei a parte do bouquet...verdade, verdadinha. Eu me confesso, faço tudo para não estar nesse momento.

    ResponderEliminar
  6. Já fizeste posts a dizer que foste a New York, a dizer que tavas de férias, etc... Nunca senti o mínimo de inveja. Agora sim dou por mim a pensar: um casamento? Eu acho que ficava feliz só pelo facto de ainda conseguir contar os casamentos que tive de aturar! Mas não... Que raio de mundo é este onde uns têm de ir a 5000 casmentos e outros a um!

    ResponderEliminar
  7. hi hi hi hilariante!!!

    ResponderEliminar
  8. esqueci-me de assinar: o gago amnésico.

    ResponderEliminar
  9. É pá, nunca tinhas ido a um casamento?? Que estranha pessoa!

    Mas ainda bem que te estreaste com um casamento pelo civil. Vais mais 2 ou 3 vezes a um desse tipo e depois, se te sentires confiante, avança sem medo para assistires a um casamento pela igreja.

    O nível avançado, para profissionais, é casamento pela igreja com missa. Mas para esse ainda te falta muita experiência...

    ResponderEliminar
  10. 20 Valores na parte do bouquet! Esse momento é, sem dúvida, o momento onde eu faço de tudo para não estar presente. Corro o risco de ficar sem um bocado de cabelo ou um dedo do pé, porque meia dúzia de solteiras encalhadas lutam por um ramo de flores que no dia seguinte vai estar murcho! Realmente, os casamentos são muito cómicos ahah (:

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.