1.7.09

Febre de museu à noite


Hoje já não é segredo que gosto de visitar museus. Em miúdo tive de o fazer às escondidas, pois no meu bairro puto que ia a museus estava a um passo de se tornar escuteiro e isso não era abonatório para a nossa integridade física.
Sempre achei isso positivo, porque te obrigava a estar sempre alerta: do ponto de vista cultural aprendias muito nos museus, do ponto de vista do cabedal porque não era raro intervalares festivais de impressionismo com festivais de pancadaria.

O problema foi sempre: os museus nunca foram promovidos como sítio cool, pelo menos na idade certa para isso. Não o foram quando eu era miúdo, não o são agora certamente, mesmo que me venham dizer que às 5as agora a malta tem os museus abertos até à meia noite.
É uma questão cultural, famílias inteiras vieram de todo o país para um piquenique com intoxicação musical incluída (Toni, tu és o Ronaldo da música), mas nem duas trotinetas se encheriam se o piquenique fosse na Gulbenkian com visita ao museu incluída.

Mas, como se muda isso? Lavagens ao cérebro e começar tudo de novo? Pode ser que isso seja um plano secreto das novelas da TVI, mas não me parece. A questão é que a dinamização dos museus, por exemplo em Lisboa, está a anos luz de outras metrópoles, onde aproveitar a oferta cultural é tão natural como ir passar uma tarde ao centro comercial. Cá, a noção geral de oferta cultural deve ser para aí o cheque-brinde da FNAC.

Alargar horários serve apenas para alguns baterem palmas e aumentar a circulação do ar durante algum tempo. Alarguem antes mentalidades – é mais difícil, demora mais tempo e na volta... não serve de nada (pensavam que isto ia ser profundo não era?).

4 comentários:

  1. Concordo a 100%. Os museus portugueses são maus, sobretudo comparados com alguns que tenho a sorte de conhecer lá fora. Mas não cabe só aos museus dinamizarem-se, e a mentalidade portuguesa atrofiou mesmo - o exemplo paradigmático é mesmo o piquenique e do toni...

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  2. Sinceramente, acho que é difícil mudar mentalidades, mas não é impossível até um certo grau. Por exemplo, goste-se ou não, o mediatismo da colecção do Berardo e o facto de aquilo ser à borla, arrastou muita gente lá, incluindo malta que por norma não visita museus.

    A parte da programação/dinamização é que é também mtas vezes desajustada. As pessoas que gerem a cultura por cá têm por norma uma visão elitista e pouco direccionada para o público em geral. Programam para elites e julgam q n vale a pena o resto.

    Ser criativo também se aplica a dinamização de espaços como museus. Se começarmos pela apresentação dos mesmos (ex: as lojas de museu são deprimentes por comparação com outras) e no aproveitamento de oportunidades para chamar pessoas, vê-se que pouco ou nada é feito.

    Não é preciso pôr o Toni a cantar no museu, mas há tanta coisa que pode funcionar, basta que seja tentada.

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  3. Nem mais. Sobretudo relativamente à programação. A programação cultural devia ser orientada no sentido de atrair pessoas à arte, introduzir temáticas e, eventualmente, estimular a curiosidade de querer ver e saber mais. Se é só para as elites, toda a generalidade da população se sente excluída, porque não entende, não fez um percurso de aprendizagem, e acaba por fugir a sete pés da palavra "cultura".

    Para quebrar o círculo é preciso investir em educação cultural, desde a infância. Nesse aspecto, acho que o CCB tem sido exemplar de boa programação cultural infantil, fazendo as crianças aprender de pequeninas que ir ver um espectáculo ou uma exposição é divertido e aprende-se sempre alguma coisa nova. Levo o meu filho sempre que posso e ele adora.

    Tal como a programação cultural infantil tem de ser ajustada à idade das crianças, a programação para adultos devia ser ajustada ao nível de entendimento das artes da generalidade da população. Que em Portugal, infelizmente, é bastante baixo.

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  4. Era chegares a uma boa solução e seria o equivalente (vá quase), à cura da SIDA, mas no corpo que é Portugal!

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