21.7.09

Et tu Bruno


Toda a gente é livre de se rir, mesmo que não saiba porquê. É saudável, faz bem a uma data de coisas e não tem sabor esquisito, ao contrario de certos iogurtes. Mas, sendo eu um tipo com uma certa afinidade em relação ao humor e à escrita, ao ponto de aderir na hora caso surgisse um projecto aliciante nessa área, é natural que tenha um determinado grau de exigência na matéria.

Tudo isto para falar de “Bruno”. Assisti à antestreia mas, antes de debitar sobre o assunto, quis ler e ouvir um pouco de feedback sobre o filme, quer de “profissionais e entendidos do ramo”, quer de comuns mortais e também de dois ou três gnomos.

O resultado final é este – não há concordância, o que até favorece o filme, já que concordâncias e aclamações unânimes por norma não são bom sinal. Aliás, o único ponto mais concordante é que o filme é intencionalmente chocante, algo típico dos personagens de Baron Cohen, como já se vira em Borat. O problema, para mim, começa logo por ser um filme e não uma curta, um documentário ficcionado de forma mais assumida, whatever. Um filme exige enredo e uma maior duração, algo que não favorece, a meu ver, um tipo de humor que tira a sua força do choque e da surpresa. Até porque é difícil chocar e surpreender com qualidade ao longo de uma hora e meia, mas aí o critério financeiro de quem quer também fazer dinheiro fala mais alto.

A abordagem do tema gay é ousada e desafiante, mas só por si chega? Sei que com temas polémicos vem sempre a reacção / incompreensão de parte do público e muita critica, nem sempre criteriosa. Mas isso será sinónimo de qualidade?
O choque pelo choque desgasta-se na vulgaridade da repetição, apesar de ser suficiente para muitos. A mock-interview também tem pontos de bom nível no filme, mas também tem momentos estilo “Michael Moore vs Charlton Heston”, em que o efeito se vira contra o provocador.

E no fim, o que torna “Bruno” algo de memorável em termos de humor? Eu tentei descobrir, mas não cheguei lá, não estive perto e nem sequer pude pedir o dinheiro de volta, já que fui à borla. Talvez o mérito do tio Sasha seja criar personagens que se “canalizam” bem através do mediatismo e de conseguir aliar o humor à polémica, mesmo que o primeiro seja por vezes apenas um artifício para ir mais longe.

Mas, a beleza do humor é que o humor é como a beleza. Está sempre nos olhos de quem o vê.

5 comentários:

  1. Eu não me ria assim há muito tempo, mas pude reparar que durante o filme, eu ouvia sobretudo mulheres a rirem-se.

    Sofia

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  2. É lícito, eu acho q o filme tem evidentemente coisas risíveis e o resto depende do filtro de cada um.

    Mas, o resultado global é que eu considero humoristicamente fraquinho... mas eu tb sou um bocado esquisito.

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  3. Ainda não vi o "Bruno",mas para mim o melhor deste Sascha Baron Cohen é o Tha Ali G Show.

    Respect!

    Beijos

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  4. Boa Noite,

    Visualizei o seu blog e achei muito interessante e cativante…
    Tenho um blog de crítica de vinhos, é sempre bom o seu site também ter este tema, fica mais polivalente, e gostaria de pedir se podia colocar o link do meu site que é muito visitado: http://do-nariz-a-boca.blogspot.com/ no seu blog…
    Ficaria muito agradecido.
    Se colocar, envie um email para este endereço: pirusas.carvalho@hotmail.com
    Abraços

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  5. A tua última frase diz tudo e por isso percebes quando digo que não vejo humor ali e aquilo que aqueles filmes me fazem sentir é desconfortável com a quantidade astronómica de parvoíce.
    Não gosto de humor básico, escondido atrás de cenas polémicas, em que se faz um pseudo-choque às convenções.
    Causa-me urticaria!

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