27.4.09

O tempo musical


Começo por desiludir-vos aos três se pensam que isto vai ser uma rica composição sobre música. Caso a imagem ainda não vos tenha elucidado, é sobre o binómio decadência-aparência e a sua aplicação ao mundo do rock que estas linhas vão incidir.

O mundo do rock tem uma mística que funciona da seguinte maneira – as músicas vivem para sempre, os músicos/bandas vivem a pensar que o mesmo é válido para eles. E, se é verdade que nalguns casos isso vem mesmo a acontecer, os ditos rockers já não estão cá para comprová-lo, já que é preciso que estejam mortos, para que se possa dizer que vivem para sempre. Parece estranho, mas com a dose certa de álcool e medicamentos tudo acaba por fazer sentido.

No entanto, eles tentam e os fãs agradecem, pois claro. As artroses aparecem, as vozes às vezes desaparecem e não há maneira de serem encontradas e o ar rebelde ou sexy dá lugar a um ar que prova que o mundo do rock é tipo máquina de lavar a roupa, mas sem usar amaciador.
Os concertos, consoante o sucesso da banda, não param 10, 20, 30, 40 anos depois da formação da banda e se alguém decide morrer um bocado mais cedo do que é previsto, ainda se tenta de novo trocando esse membro por outro, preferencialmente vivo.

A questão é sempre: será que vale a pena? Será que ver, usando o exemplo visual, um concerto dos AC/DC hoje é o mesmo que os ver há 25 anos? Acho que depende das pessoas, eu por exemplo gosto de manter uma imagem da memória de uma banda no seu auge e não a caminho da reforma activa. É certo que há bandas que envelhecem bem, mas são mais raras do que aquelas que congelam no seu auge e depois vão replicando sempre aquele período, mas cada vez mais em declínio.
É que, ao contrário da música clássica, em que as grandes obras podem ser sempre interpretadas pelos melhores executantes do seu tempo (um chamado cover em rock), a mística torna cada banda rock de sucesso em algo único. E isso, só o bom senso ou tempo podem decidir quando é altura de parar e, quem sabe, viver para sempre.

We have band, Oh!

9 comentários:

  1. Concordo...

    Ainda estava para ir ver esse concerto, mas não há nada como colocar os cd's deles e ouvir em casa.

    Bjs

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  2. Olha que depende... se falarmos dos Rolling Stones, dos Metallica, do Bruce, dos Stranglers.... vale a pena!!!

    Eu fui, aqui há tempos, ver um concerto que juntava alguns velhinhos(que sozinhos não conseguiriam tocar quatro horas). Os Marillion foram a desilusão! No entanto, os Stranglers, os Meatloaf e os B52 foram excelentes.... e valeu bem a pena!

    Beijinhos,
    T

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  3. Exacto, como eu disse, depende. Embora eu não considere energia em palco determinante por si só. E, é claro, há quem envelheça bem.

    E depois, há também o factor espelho/espectador. Das nossas bandas de eleição, por nos serem mt próximas, mtas vezes temos uma visão distorcida do q valem hoje face ao que já valeram no passado. E continuamos a achar q são os maiores e q estão iguais e sempre a dar-lhe...

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  4. A verdade é que o nome deles não engana. Estão cá desde sempre.

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  5. Não podia discordar mais, principalmente do exemplo dado. Estive há menos de 10 dias em Dublin onde assisti ao concerto dos AC/DC. O Brian Johnson canta exactamente como o sempre o recordei, o Angus deu o espectáculo do costume. O resto da banda esteve o normal. Ok, o Phil Rudd tocava como se o concerto não fosse nada com ele tal a calma com que o fazia, mas grandes músicos são assim.
    Foi o melhor concerto que eu já vi em termos de espectáculo em toda a minha vida. Só não digo que não foi o melhor porque de facto eles nunca foram a minha banda preferida, daí estar à vontade para julgar os AC/DC ao vivo. Ajudou o facto do O2 Arena ser um pavilhão mesmo bom para concertos, ao contrário do que temos cá.
    Só não vou repetir a dose em Portugal porque é a meio da semana e em Lisboa, senão era certinho.
    Claramente não podes por um post destes porque é "falar de cor", muito menos não com esta foto a inicia-lo.
    Claro que há outras bandas que já não deviam andar em concertos, mas não são tantas quanto isso.
    Já agora, aconselho-te a ver o filme "Flight 666" que acompanha a tour mundial dos Iron Maiden em 2008. Depois diz-me se mesmo com 60 anos não se justificam os concertos. Nem que seja pelo público dedicado.

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  6. Caríssimo,

    Começo por citar uma pessoa que tenho em grande consideração, eu:
    " A questão é sempre: será que vale a pena? Será que ver, usando o exemplo visual, um concerto dos AC/DC hoje é o mesmo que os ver há 25 anos? Acho que depende das pessoas, eu por exemplo gosto de manter uma imagem da memória de uma banda no seu auge..."

    Como depreendo da tua opinião, tu achas que vale a pena e eu aceito isso perfeitamente. N sou grande apologista dos AC/DC mas tb não digo que são maus músicos. Mas, possivelmente também não me vais dizer que foi uma banda q evoluiu nos últimos 15 anos e lançou álbuns de referência no entretanto. Obviamente lançou discos (4 nos últimos 20 anos) e estes tiveram sucessos, pois uma banda com 36 anos tem obviamente uma forte legião de fãs. E estes, mesmo que eles fossem só uma sombra do q já foram iriam sempre comprar o álbum.

    A minha opinião é que os AC/DC se encaixam no perfil de banda de sucesso, com mérito mas que vão continuar a replicar o seu look de marca (os calções do Angus, o boné do Brian) a interpretar os seus êxitos com 20 e 30 anos, a deliciar os fãs com isso, mas sem que isso impeça um certo declínio.

    É normal, as bandas vivem da energia dos concertos (e os lucros sao sempre maiores do q %s de vendas de discos) e só param qd se chateiam, evoluem para outra coisa qualquer ou morrem. O que não quer dizer que tenham que ser sempre boas.

    Isto não é só sobre os AC/DC, o mundo do rock é vasto. Eu já vi Rage Against the Machine com 12 anos de intervalo e estavam na mesma, já vi Beastie Boys com quase 30 anos de carreira a inovar em concertos em dias consecutivos, mas também já vi muita coisa fora de prazo.

    Mas música mete gosto, mete interpretação pessoal, mete opinião e, como tal, podemos estar os dois certos, os dois errados ou as duas coisas. A única certeza é que o meu pé esquerdo é melhor que o teu.

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  7. A questão aqui é que não acho que, quanto a esta banda, não há declínio mesmo. Não inovam na música, não seguem novas tendências nem lançam hits novos consecutivamente, é verdade, mas acho que já os lançaram em quantidade.
    Mas o espectáculo em si é cada vez melhor (aqui sim, inovam). E a performance deles em palco não caiu, na minha opinião. Mesmo mais velhos, o peso da idade mal se faz sentir.
    Isto não é igual para todas as bandas, mas usar esta como referência (leia-se foto) foi muito mal escolhido, tal como o teu pé esquerdo - diz-se que tens 2...

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  8. Enquanto musico deixem que vos diga que acho uma tristeza que se estagne artísticamente. Não encontrar nada de novo para dizer em tantos anos é caso para estar calado, e não andar a dar o mesmo concerto durante 20 anos, ou qualquer coisa de muito parecido. Bons musicos arriscam, não levam o resto da vida à sombra de uma bananeira. Se não correr tão bem, faz parte...

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  9. Eu vou ao concerto e nem os AC/DC são a minha Banda Preferida nem o bilhete foi de borla.
    Estranho não é. Apeteceu-me!
    Quero ver. Ao fim ao cabo quem não papou c/ eles anos a fio cada vez que punha a pata no Alcantara Mar nas festas da faculdade . Saudosismo sei lá. Mas concordo que a decadência e estagnação não são bonitas.
    M.

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