5.4.09

O brinquedo da Playboy


Antes de mais, não a comprei pelos artigos. A mais velha desculpa do mundo para se comprar revistas com miúdas descascadas não foi precisa e, se a tivesse utilizado, iria sentir-me mal por tamanha falta de originalidade. Mas, explicando adiante o porquê, o facto é que sou dono do exemplar nº1 da Playboy.

A compra teve razões simples – que um dia, quando tiver um filho, ele tenha um item de colecção pronto a desbaratar mal possa e, acima de tudo, saber como uma revista icónica a nível mundial seria adaptada ao mercado português, numa época em que a Internet arrasou com tudo o que vendia conteúdos eróticos/pornográficos noutros formatos. Então e pelas gajas não? Pelas gajas sim, mas essencialmente numa perspectiva de curiosidade pseudo científica. Porque se, chegado a esta idade, o meu ponto alto no relacionamento com o sexo oposto viesse em formato revista nós não estávamos a “ter esta conversa”, porque muito possivelmente eu estaria a visitar o marotas.pt

Mas, voltemos à Playboy PT, número uno. Na capa, a foto desilude, não pela interveniente, mas pela escolha. Aquela, em preto e branco e dourados, ali resultou num pastelão e existiam melhores. Em termos editoriais, apostou-se nalguns cronistas actuais e aí não há grande truque. Por exemplo, pega-se num bom humorista, numa girl power atrevida e num autor de nova vaga e a receita resulta para o fim previsto. Quanto aos fait divers, um ou outro apontamento interessante, mas nada que não se encontre em publicações semelhantes já no mercado. Entrevista a um gajo da bola (6 páginas!!), piadas, correio, rúbricas e cartoons com cheirinho a picante e já lá vão mais uma catrafada de páginas. Nota extra, a paginação foi grosseira nalguns pontos, com má distribuição, páginas de texto sem imagem seguidas, etc. Não fui eu que disse, foi uma mulher com experiência no ramo (de páginação, gente lasciva).

Então e as gajas? Calma, já lá vamos. Entre destinos de férias, uma reportagem mais séria sobre África, mais especificamente Guiné Bissau. Destoa do resto, mas faz sentido, para que não seja mais do mesmo. Ah, então e nos conteúdos Playboy capricharam? Aquilo que pensei, para além das gajas, que ia ser um ponto forte, a ligação ao tio Hugo das coelhinhas, ficou aquém das minhas expectativas. Uma retrospectiva ao longo dos anos que mais reduzida teria possivelmente ganho em qualidade, uma foto Carmen Electra que se orientaria melhor na net à vontade e uma chamada de atenção a Marilyn Monroe que não passa disso mesmo. Honra seja feita às citações de figuras entrevistadas ao longo do ano pela Playboy.

Tanta conversa e, finalmente, AS GAJAS SÃO AGORA? Sim, são. A escolha não foi desonrosa, apesar de haver silicone party em destaque. Gostos não se discutem, a cotação da borracha parece que está em alta. Tanto figura central como playmate são moças com os seus atributos e achei muito engraçado o grupo das amigas do horseball. Cavalos e gajas são daquelas coisas que servem para excitar tanto um público urbano como outro mais rural.
Seja na Sra. Penedo ou na Dona Mónica, o problema é mais a fotografia. Há uma ou outra interessantes, mas dá-me ideia que bons fotográfos de nus, numa perspectiva que interesse a uma revista do género não são fáceis de encontrar. Falta glamour nalguns casos, faltam sítios requintados ou talvez tenha faltado imaginação. O fácil está lá todo e é claro que, para uma boa parte da audiência ver tranca, pandeireta e prateleira (como dizia o outro) já é requinte. Mas, parece-me a mim que não é bem nesse campo que a fotografia da Playboy se destacou.
(Olha o parvalhão, GAJAS DAQUELAS e ele a desdenhar)

A questão é, como será evolução? Acredito que ela possa existir, caso contrário a emoção do lançamento desaparecerá e começará a vir a questão – Playboy ou Playboring? Os senhores nos dirão.

Sex Type Thing, Stone Temple Pilots

5 comentários:

  1. Fotógrafos portugueses e bons há muitos. Tanto de moda como de nus. E a Playboy portuguesa sabe disso, quando chegou a altura de pagar é que não quis saber.
    Houve fotógrafos que recusaram.

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  2. Acredito e isso é o outro lado da questão que me faz torcer o nariz. Será possível lançar uma revista dita de glamour na sua área, querendo só gastar tuta e meia?

    Se assim for, caminhamos para um calvário de edições, com sessões pobrezinhas e wannabe girls a tirar a roupinha, porque só criando um cultura de qualidade é que consegues ter uma revista de qualidade a vários níveis.

    Mas, lucro fácil à conta de um nome pode ser a intenção e, nesse caso...

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  3. E de boas intenções, tantos trocadilhos se podiam fazer neste tema...;)

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  4. Não vi a Playboy Tuga ou a BrincaRapaz, mas haverá assim tanta diferença para uma FHM rasca?

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  5. Como bem expressa a capa - em 2º plano - muita pedra há para partir... :D

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