2.3.09

O Surreal da canção

De certeza que o pessoal satírico com mais aspirações intelectuais (ou menos sono) está concentrado no congresso do PS. Até eu pensei usar 23 segundos do meu domingo para retirar o essencial do Socratródomo, mas desde sábado à noite que tenho os ouvidos a zumbir. Quem me manda a mim, ano após ano, continuar a pôr em risco a minha saúde para espreitar o Festival da Canção. Bem, vou fechar os olhos e repousar os pés no Murtosa que o Scolari me pediu para guardar até ao Verão, enquanto lhe dito as próximas linhas.

- Gostei muito do medley com que a RTP nos presenteou, com figuras actuais dos seus quadros ao lado dos vencedores passados do Festival. Não chegou à risota que foi quando desloquei o ombro mas andou lá perto, especialmente com um João Baião “mascarado” ou de José Cid ou de espanador.

- Acho que a clonagem da Sílvia Alberto em Catarina Furtado II está quase completa. Só falta mesmo exportá-la para o Darfour ou outra localidade que já não tenha nada a perder.

- Em termos de concorrentes, o Festival parecia um misto entre o Lost e o Sobrenatural. Não faltaram almas penadas e mortos vivos, gente que lá foi parar por acidente, vítimas de possessão (vide Obama a falar pela boca da Luciana Abreu) e todo o tipo de fenómenos paranormais.

- Particularizando um pouco os temas (chamar-lhes músicas parecer-me-ia abusivo). A Nucha voltou e atacou uma faixa tipo os Evanescence depois de irem ao microondas e sairem de lá todos encarquilhados. No entanto, pouco liguei à música em si, pois o careca anafado com gabardine de cabedal e guitarra teve em mim o efeito cobra capelo. A Romana deve ter ido viajar e no aeroporto obrigaram-na a tirar o metal todo que tinha na cara. Não percebi se o tema era clássico, fado ou apenas uma congestão. As Tahiti voltaram e só essa notícia foi penalizadora demais para falar do resto. Apareceu também uma senhora de nome Eva Danin – cara amiga, se esse é o seu nome verdadeiro, aceite um abracinho de consolação. Se é nome artístico, talvez queira repensar, já que o lote de artistas que progrediu na carreira com nome de planta mal afamada é escasso. Tente talvez Eva Lente ou Eva Rina. Do lote de pintas, ex alunos e concorrentes a aspirantes a artistas não vou falar, pelo que sobram só mais dois.
A Lucybella apostou na globalização e a mensagem de dedicatória do seu tema assim o indicava “Dedico ao mundo, aos pobos de todas as nações, porque raça há só uma, a humana” (esquecendo-se da Tertúlia Cor-de-Rosa). Alheando-se também do facto que o Carnaval já acabara, trajou de barrica de ovos moles, com alguns figurantes da Cité D’Or atrás de si. O tema era lamechas, o que já era esperado, mas aquele “Yes We Can” ali metido à pressão vai certamente custar-nos a demissão do cão de água português que ia a caminho da Casa Branca.
Restavam o Flor-de-Lis, menos ofensivos musicalmente falando, mais discretos, mais normais, mais desconhecidos. Ou seja, tinham tudo para sair dali sovados e a irem comer um prego ao Galetto antes de fechar. Mas não, ganharam para grande insatisfação da Lucy que foi vista a bater na mãe, que é como quem diz, a dar pontapés numa figueira.

- Algumas notas: 100€, 20€, o gajo que fazia reportagens nos bastidores era daqueles que merecia um prémio pelo seu empenho e piada. Tipo a caixa de uma carrinha frigorífica para ir viajar até ao fundo do Tejo. A eleição da “Senhora do Mar” como a melhor música de sempre do Festival prova que não se devem deixar telemóveis com muito saldo nas mãos das crianças e que o Alzheimer está prestes a pedir nacionalidade portuguesa. Havia mais lugares vagos na audiência do que no bingo de Alcântara. Ressuscitar os júris distritais trouxe a felicidade de volta a gente por Portugal inteiro. Mais precisamente aos perto de 18 que puderam ter os seus dois minutos de fama a debitar pontuações, tendo apenas para isso que sofrer com a Sílvia Alberto a debitar chavões sobre a sua terra.

A terminar, sofri a bom sofrer, mas foi sofrimento com gosto. Afinal de contas, custa muito menos acabar de joelhos depois de duas horas de festival, do que ir de joelhos a Fátima para ouvir lá sempre a mesma cantiga.

9 comentários:

  1. Aahahhahahahha! Eu confesso que tb espreitei. E sim, aquilo é assustador, tal e qual como o descreves. Mas, vá lá, no meio de todas aquelas aberrações ganhou a musiquinha mais normal. :-D

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  2. Quando recuperar o folego de rir talvez tente fazer mais um trocadilho ou dois. Agora estou sem sangue no cérebro.

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  3. Eu não vi, mas fiquei curioso.. COmo é que era a Erva Daninha? :)

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  4. "...tendo apenas para isso que sofrer com a Sílvia Alberto a debitar chavões sobre a sua terra."

    Se eu fosse presidente da terra da Sílvia Alberto oferecia-lhe os chavões da cidade.

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  5. Mak, olha só para isto. Esta gente adora-nos.

    Hoje no M&P:

    "Mar Shopping entrega criatividade à Sardinha"

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  6. 1º Espectáculo de Sit-down Comedy do Twitter : INCRIÇÕES: info actualizada em http://www.pnethumor.pt/ #sit.


    Isto é só o nosso dia-a-dia.

    Devemos arrasar nesta cena.

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  7. Já fiz RT disto, conto contigo para dar luta ;)

    Já tinha visto e gracejado sobre a notícia da M&P. Aguardo com ansiedade o dia em que a Santa Casa entrega conta à Santa Fé.

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  8. Estrumpfo da vossa opinião...:)

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  9. Como é possivel vocês gastarem um Sábado à noite tão bom c/ programas tão deprimentes.

    Com os Socratistas perdiam quanto muito o zapping da tarde e com o famigerado FCP (FESTIVAL da CANÇÂO PORTUGUES 2009), não perdiam tempo nenhum :).

    Mas é um clássico de infância, talvez entenda ..ou não...
    Y

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