27.3.09

Boleiofóbicos

Caso não tenham reparado, seja qual for o meio que utilizam para se deslocarem para o trabalho, escola, casa de strip ou acampamento de escuteiros, há um fenómeno muito comum à vossa volta – Na maior parte dos carros que circulam, lá dentro vai apenas o condutor.
Este facto leva-me a falar da ideia do car-pooling, que já não é nova. É praticada noutros países há muito tempo e por diversas razões, tendo-a até já referido aqui. Sinto-me à vontade para falar sobre o assunto porque sou daquelas pessoas estranhas que utiliza regularmente os transportes públicos e costuma andar a pé, apesar de ter carta de condução e carro estacionado à porta de casa.

O tema volta agora à baila, porque uma empresa de combustível veio lançar uma campanha sobre isso (gosto do anúncio, conheço quem o criou, mas não vou comentar as intenções da malta do pitroile) e descobri até que há um outro site tuga onde se organiza o carpool. Mas, com muita pena minha, vejo pouca esperança que a coisa pegue/resulte.



Como é dito no terminar de muitas relações, “o problema não és tu, sou eu” ou, neste caso, “o problema não são os carros, são as pessoas”. A ideia de levar duas ou três pessoas (desconhecidas ou não) no carro, ainda que em rotatividade, com claras vantagens económicas e ambientais causa ainda horror a muita gente.

Porquê? Na verdade não sei, porque não conheço a sensação de ir todos os dias de manhã sozinho no carro. Se der a mesma sensação que dava ao Fernando Gomes do FC Porto ao marcar um golo, então percebo perfeitamente e até a familiares e amigos trancava a porta do carro.
No entanto, acho que é um misto de egoísmo/medo/deixa andar. Porque não temos de aturar ninguém, porque assim não me entram tarados no carro, porque assim é mais fácil continuar a queixar-me do trânsito e do preço da gasolina. Toda a mudança de hábito exige um esforço e quando o benefício não é imediato (mesmo que se avancem 30 boas razões para o fazer) é difícil convencer o bom português.

Assim, quando depois surgem leis e imposições como taxas elevadas para entrar com um carro na cidade ou restrições semanais ao número de veículos que entram (por exemplo: num dia só entram matrículas com terminação ímpar, no outro par e assim sucessivamente), as pessoas insurgem-se. Porque é um abuso, porque os transportes públicos não funcionam, porque somos sempre nós a pagar. O que não é totalmente mentira, mas também acontece às vezes porque olhamos vezes demais só para nós e poucas à nossa volta, para perceber o que melhorar.

Um carro é ainda, por estas bandas, um objecto demasiado associado ao status, ao poder pessoal. Partilhar status neste capítulo é contraditório. Mas insistir em continuar a dar tiros no pé, também o é.
Resta saber se algum dia aprendemos a ver a diferença.

8 comentários:

  1. Concordo contigo e até já ouvi mais do que uma pessoa a dizer (em resposta ao anuncio) que não vai fazer isso porque continua a haver transito porque as pessoas não aderem.
    No entanto, sei (porque vejo) que os transportes publicos não têm capacidade para receber mais gente.

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  2. Se cada carro levasse três pessoas, ficaria um terço dos carros, para o mesmo número de transportes públicos (cujo número de utentes não se alteraria).

    Mas, se calhar, isso ia aproximar o carro pessoal do conceito transporte público. E há gente que iria desmaiar ao saber disso...

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  3. Olá Mak, muito bom post.

    Devo dizer que quando vi o anúncio pela primeira vez fiquei também à espera de ver os bancos de um autocarro e uma consequente referência ao bus pooling (não ao pulling bus quando este avaria) porque nos vários autocarros que uso diariamente muito mais de metade dos lugares estão vazios, apesar de estes passarem por vários complexos de escritórios onde deve trabalhar muita gente com complexos em usar transportes públicos.

    Um abraço,
    Fausto

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  4. Obg Fausto, não vou dizer q a culpa é sempre das pessoas e q n possam existir atenuantes, mas não me custa dizer que custa mt menos nem sequer querer pensar nisso, do que tentar fazer parte da solução e não do problema.

    E sim, a fobia ao transporte público é que leva a que seja ainda mais necessário falar em carpooling.

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  5. Sejamos sinceros...eu levo o carro p/ o trabalho, moro a 2 km e não tenho alternativa...também não contribuo p/ o tráfego, porque não há trânsito mas...sendo uma gaja se trabalhasse no meio de Lx não me agradava nada ir de carro c/ desconhecidos...:s ia de bus...como fui, durante anos. Já tinha visto o anúncio mas...não é pelo status o meu carro é mais velho que eu, ou quase :)

    Mad Mad World

    Bjs
    M.

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  6. Vocês estão todos mal habituados... Cambada de meninos que acha que resolvem os problemas do ambiente se vierem do Feijó para a cidade com malta da Amora, do Pragal e de Almada! Se trabalhassem longe, como eu, saberiam que o car pooling é uma inevitabilidade. Pratico-o há 16 anos, nem sempre com desconhecidos, mas houve tempos que com gente com quem nada tinha em comum. Hoje, felizmente, já só faço car pooling em boa companhia e quando não há companhia, há comboio que é mais barato e ecológico.

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  7. Car pooling dá para tanta coisa... ser assassinado, cuidar do ambiente... eu quero!

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  8. lol Catarina....

    Alguêm me percebe!
    M.

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