9.2.09

Roupa de estimação, essa fiel amiga



Tirando os maluquinhos que renovam guarda roupas inteiros como quem come um pires de tremoços ou os extremistas do nudismo, raras serão as pessoas que não têm uma ou mais peças de roupa de estimação.
Não é preciso pensar muito, no meu caso, para me lembrar de duas ou três tshirts que já deviam ter metido os papeis para a reforma ou terem começado a aproveitar a velhice para experimentarem actividades radicais, como por exemplo o trapismo.

Mas, lá vão sobrevivendo mais coçaditas, longe da glória da estreia, mas sempre muito práticas para uma qualquer ocasião que não ofenda a moral pública. Se formos a pensar bem, devem haver pessoas que têm mais peças de roupa com 10, 15 anos ou mais, só porque gostam mesmo delas, do que amigos de tão longa data.

Eu até percebo a coisa. A roupa não nos desaponta, não falta ao prometido e, se não lhe ligarmos nada durante muito tempo, ainda assim está sempre disponível mal lhe demos um toque. Quer a malta engorde ou emagreça, ela é paciente e não se ri, mesmo que esteja a rebentar pelas costuras. Enxuga as nossas lágrimas se formos ter com ela quando estamos tristes, mas também aceita a nossa baba, quando somos porcalhões.
Ok, não nos empresta dinheiro, nem vai ter connosco se estivermos enrascados ou em baixo, é verdade. Mas, coitadinha, sem nós também não vai a lado nenhum e a etiqueta, ao fim de tantos anos, já deixa alguma coisa a desejar.

Até face aos animais domésticos a roupa de estimação revela algumas vantagens ao longo dos anos. Sobrevive à máquina de lavar e ao ferro de engomar com mais facilidade e, quando a levamos à rua, não arranja confusão com a roupa das outras pessoas. Além disso, a conta da 5aSec é, por norma, mais baixa do que a do veterinário.

Visto tudo isto, com o Dia dos Namorados aí à porta, quer tenham cara metade ou não, o mínimo que lhe podiam fazer é irem com ela jantar fora ou oferecerem-lhe umas bolas de naftalina.
É que ela pode até nem ter sentimentos mas, por baixo desse pijama do Mickey, dessa camisola onde reina o borboto ou dessa tshirt das Bananarama devia bater um coração, seus desnaturados.

2 comentários:

  1. Quando te derem uma moedinha pode ser que largues o trapo.

    Deixa lá... o gandhi que Deus tem era uma pessoa com zero sentido de moda mas com um grande coração.

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  2. Tb tenho umas pecinhas de estimação... daquelas que não visto porque me sinto mal, e não dou porque me sinto ainda pior!!!

    Pancadas (ou cenas de gaja!!!!)

    Beijinhos,
    T

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