5.2.09

Onde é que já vai o Millenium



Numa altura em que as séries televisivas em DVD, recentes ou recuperadas, assumem o papel das novelas dos tempos modernos chegou-me às mãos um clássico, via Amazon, que tenho na mais alta consideração.
Trata-se de Millenium, da autoria do Chris Carter, aquele senhor que se lembrou de em tempos criar uns tais de Ficheiros Secretos. Apesar de ser esta última a série que lhe deu fama e prestígio, vejo no Millenium (que decorre paralelamente aos X-Files, em termos espaço-temporais) uma série mais madura e mais intensa, ainda hoje actual e onde quase tudo o que se pede numa série bate certo.

Começando pelo genérico da 1a série, onde o grafismo e a banda sonora do parceiro habitual do Carter, o Mark Snow convivem com muita qualidade, pelo cast na mouche do Lance Henriksen como Frank Black o ex-profiler do FBI, pela cor e contrastes proporcionado pela escolha de Seattle para local da série (apesar de ser filmado maioritariamente no Canadá) e acabando no mais importante, no argumento/enredo.

A série já tem mais de 10 anos e obviamente tem falhas (o meu ódio de estimação é a mulher de Frank Black, retratada de forma compreensiva e "carneirinha" demais para um mundo real), mas para quem gosta da temática policial/fenómenos psíquicos, ou só anormais, aqui se vê um retrato cru que mostra muito mais as ilusões/profundezas da mente humana, inclusive no que tem de mais perverso, do que se ficar por explorar o filão do fantasma ou do ET. O mundo não é cor-de-rosa, as pessoas não são todas boas e convivemos com a angústia e o desconforto mais do que queremos.
A evolução da série também está pensada para nos envolver, partindo da base dos casos, até à compreensão gradual e mais detalhada dos personagens principais e ao desenvolvimento de factores que os rodeiam. O fim, apesar de aberto e até um bocado abrupto, mistura a insatisfação natural de quem acompanha uma série e querer ficar com tudo arrumado, com a vantagem de não haver aquele fim empacotado em que se pretende dar uma conclusão/resolução de toda a gente, tipo novel.

Sim amiguinhos, sou faccioso, gosto mesmo desta série mas, caso não conheçam, fica a minha recomendação para intervalarem com a série do Babar, os Sexo e a Cidade de Grey, os Dr. Houses que estão Lost, os Duarte&Companhia, etc.

Se não gostarem, pelo menos aprenderam alguma coisa sobre vocês – têm mau gosto.

6 comentários:

  1. Estou a rever os X-Files. Quando acabar salto para essa.

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  2. Dada a escassez do meu tempo livre, se me pusesse a ver antes os X Files, aí em 2015 chegava ao Millenium...

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  3. Série com nome de Banco foleiro não é de confiar...

    Se retratasse o mundo maravilhoso da fraude, aí sim o nome estaria correcto...

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  4. Não a entra a Bárbara Guimarães e isso já é sinónimo de qualidade.

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  5. Ontem fiquei a remoer na posição em que puseste o Rei Babar - ao lado do Sexo e a cidade, da Anatomia de Grey, do Dr.House, do Lost e do Duarte&Companhia.
    Acho que o senhor Babar não merecia, a sério. O Babar é um elefante cheio de princípios, que apesar das suas muitas obrigações como rei dedica muito do seu tempo a contar histórias aos seus filhos com o objectivo de lhes incutir alguns desses princípios. Mais, o Babar não desperdiça dinheiro em Manolos, tem a cabeça muito ordenadinha, trata bem os animais à sua volta, não se mete em aventuras parvas nem anda por aí armado em campeão.
    Resumindo, foste injusto e não foi isso que o Babar ensinou.

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  6. Esse Babar, fora as virtudes públicas, tem certamente diversos vícios privados. Ou achas que o nome dele é uma mera coincidência?

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