3.2.09

Carla, Priscila, Barcarena

Vamos começar a sessão colocando os pontos nos i’s. Ponto 1 - Não sou crítico de cinema e acho que a profissão de crítico é estar a pagar, traço geral, por algo que a maioria das pessoas está disposta a fazer de borla. Ponto 2 – Gosto do Woody Allen e creio que terei visto 80 a 90% da obra do senhor, gostando mais de uns, menos de outros, mas sempre retirando alguma coisa de valor acrescentado. Até ontem.

O amantes do Javier Bardem (que é um excelente actor), da Scarlett Johansson (que é boa) e da Penélope Cruz (que é bastante overrated) que comecem já a tomar os anestésicos, porque isto vai doer. O mesmo se aplica à pandilha aspiracional do amor livre e do romance encantador e principesco e aos que sofrem de Woody Allenismo agudo.

A música de abertura é engraçada. Por cinco segundos. Depois, embora facilmente entranhável, torna-se altamente irritante. Confesso que o narrador externo, alheio à história, também não me agrada. Esse desagrado presta-se quer pela voz escolhida, quer pelo facto de eu achar que a história não tem trama suficiente para necessitar de um farol de orientação (nem sequer para fechar o filme que tem um fim aberto assim para o insípido.

O argumento parece aqueles jogadores da bola que prometem muito mas acabam por fazer uma carreira razoável a tender para o nula, sem nunca deslumbrarem. Sim, ideias de menages a trois, abordagens simples e directas sobre uma vida cheia de complexidades, paisagens quentes e convidativas e subtis chamamentos lésbicos com vedetas de Hollywood têm o seu encanto, mas... Aliás, nem me venham dizer que me escapou a fina ironia latente ou o gozo a alguns clichés. Não me escapou isso, assim como não me escapou o claro exagero que é a tia Penélope ser nomeada para o Óscar. Se gritaria, ar tresloucado, nuances artísticas e beijar a Scarlet Johansson dão direito a isso, então para o ano contem comigo na corrida.

Destilado boa parte do fel, a questão é que, segundo outros parâmetros, seria um filme aceitável, armado um pouco ao pós-modernito. Mas, sendo do Woody Allen, é um bocado como o Sergei Bubka fazer um salto à vara de 5,90m. Não está mal para os padrões actuais, mas está bastante longe do melhor que já fez. E não há Scarlet Johansson que resolva isso.

Posto isto, vou continuar a fazer o meu filme, cujo título podem já ver a dar honras de abertura ao post, sobre duas cabeleireiras da Linha de Sintra que conhecem um revisor da CP com uma visão diferente da vida.

5 comentários:

  1. Eu acho precisamente o oposto.http://hotvnews.com.pt/2009/02/01/vicky-cristina-barcelona-por-tiago-ramos/

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  2. Choose me! Preferia era que fosse na Baixa da Banheira que sempre dava para fazer postal ilustrado com imagens do rio... Quero fazer de doida ok (para não ter de pintar o cabelo).
    Caro Mak, não achei o filme assim tão mau... Eu sei que o postal ilustrado da Catalunha com Barcelona e Oviedo ad nausea é grande, mas a história é interessante. Foi uma despedida da Europa melancólica(eu sei que não bate o match point, mas também não vamos comparar Londres a Barcelona, certo?). Mau mesmo é veres esse filme numa sala em que os últimos 15 minutos de fita estão estragados e não leste o sinal que estava discretamente a anunciar tal fatalidade que ainda acontece no século XXI. Se achas a Pe histérica devias ter visto a minha performance na bilheteira no final do filme!

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  3. Ah, meus caros, mas é da discordância que se chega a algum lado.
    Aliás, eu não acho o filme horrível, acho é que, dentro do registo Woody Allen, está longe do médio-superior.

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  4. Eu até costumo confiar em ti, mas desta vez quero ver para crer...:)

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  5. Sergei Bubka?? Só tu para me lembrares dele!...

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