5.1.09

Só para começar

Tendo a passagem de ano sido a simpática calmaria prevista, resolvi usar o resto do fim de semana prolongado para ir espalhar alegria por zonas mais recônditas de Portugal. Assim, localidades como Alter do Chão, Avis, Arraiolos, Crato, Pavia, Portalegre, Montemor ou locais mais recônditos como Lugar da Porca ou coisa que o valha beneficiaram da minha passagem e/ou presença neste início de ano.

Não posso dizer que tenha deixado obra feita ou sequer muita saudade, mas pude pelo menos retirar alguns ensinamentos que só o turismo estilo “vá para fora cá dentro” permite alcançar:

- O Posto de Turismo é teu amigo, mas não quer dizer que seja um amigo informado. Sim, a simpatia abundava e a informação chegou às minhas mãos facilmente. Pena é que, em dada localidade, dos dois restaurantes típicos referenciados, um substituía a ementa por uma placa “Vende-se” o outro tinha apenas um idoso sozinho à luz do “queima-moscas” ao melhor estilo do filme de terror. Tendo em conta que a terra era pequena, pouco sobrava onde comer, pelo que um simpático espaço onde a palavra “Migas” fazia parte do letreiro se mostrou uma escolha óbvia para quem procurava algo típico. Pormenor, o “Migas” referia-se possivelmente à alcunha da dona ou coisa parecida, pois não havia um único prato típico com as mesmas, apesar de se ter comido bem.

- Os sítios/monumentos de interesse vivem e morrem quase por si. A notícia de que a malta da UNESCO já avisou que há cá muito património a cair de podre não me surpreende, tarda só pela demora. Se é certo que vi muito castelo e edifício bem tratadinho, vi muitos outros ao abandono ou pelo menos com a clara indicação de que precisam de “carinho” e cuidados médicos arquitectónicos. Esperar que seja a malta da hotelaria a recuperar património é porreiro, dá gosto, mas não acontece sempre, até porque essa malta gere aquilo a que se chama – um negócio.

Isto são pormenores, não se pense que o Alto Alentejo é um deserto. E, se o fosse, seria um sítio muito interessante para tipos como eu irem pregar. Portanto, podia continuar, mas o ano só começou agora e para quem goste de sair da pasmaceira habitual, possivelmente até por menos dinheiro do que se gasta numa passagem de ano, há muitas outras pasmaceiras mais interessantes ou, pelo menos, diferentes.

E, nos dias que correm, diferente é bom, diria até muito bom para quem quer começar o ano um bocadinho menos cinzento do que o tempo.

1 comentário:

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