31.12.09

O Fim do Ano é quando eu quiser

Infelizmente, se aqui vieram parar acreditando naquilo que leram no título, lamento informar-vos: Não é verdade.

Mas, se isso ajudar, devia ser.

Depois de tanto tempo a ouvir a chalaça "O Natal é quando o Homem quiser (bónus popularucho: e a mulher deixar)", cheguei à conclusão que, a fazer fé nisto, o mesmo se devia passar com a história do fim de ano.

Cada um de nós deveria poder decidir quando quer terminar o seu ano e mais nada. Se aqui há alguns séculos alguém decidiu que iríamos passar a seguir o calendário do Gregório e não o do Juliano, porque raio não posso ser eu a decidir quando me dá mais jeito orientar a coisa?

Há anos, por exemplo, que lá para Março já estão a correr tão mal que mais valia acabar logo ali. "Epá, sim senhor, tenho um azar levado da breca, mas vou aproveitar que se mete a Primavera e começo já um Ano Novo, que pode ser que com o calor isto mude".
Já outros, correm tão bem que é uma pena acabar só porque já estamos no fim de Dezembro. "Ó Manel, avisa lá os miúdos que este ano só acabamos o Ano no dia dos Namorados, que o salão de manicure tem estado a render e não vale a pena estar a fechar para balanço agora".
Para aquela malta que tem a tendência para andar sempre em festa ou tem um carinho especial pela passagem de ano, enquanto ponto alto do ano e momento ideal para prometer coisas que dois meses depois já não se lembra eis a solução: Muda de ano no fim de todos os meses. Assim, não só garante uma cowboyada das antigas mensalmente, como ainda fica mais fácil lembrar-se que é este ano que vai deixar de roer as unhas dos pés.

Para os mais conservadores e pouco amigos de festas - Mudar de ano só a cada 10 anos. Menos festa, menos confusão, menos trapalhada e a beleza de ver gente com 8 anos, já a gozar da reforma, ainda com o encanto nos olhos ao ouvir falar do Pai Natal.

Não me esqueci dos românticos, gente levada da breca e que tende a ficar deslumbrada com momentos únicos que podem surgir quando menos se espera, mas têm outro calor, por exemplo, no final do Ano - A possibilidade de haver um kit passagem de ano, que podem levar a qualquer altura, quando vão com a sua cara metade a qualquer. Imagine-se o doce que é, numa só semana com o seu amor, passar o ano no cinema, na praia, comendo um gelado no parque ou até numa colónia de nudista. "Ai querido, esta semana que passámos juntos, pareceu que foram anos em sintonia".

Mas, até isto ser verdade, parece que é este o dia convencionado para fazer balanços. Pelo menos para vocês, porque da minha parte só a 13 de Julho é que muda o ano.

Chamem-me pós moderno, mas para comemorar esta decisão hoje vou a um jantar de gala e já volto.

29.12.09

Estás à janeeeela... Menino Jesus


Caso tenham andado pelas ruas ultimamente e não se limitem a olhar para cima apenas para amaldiçoar o destino com gestos teatrais ou amaldiçoar um qualquer pombo com gestos obscenos, devem ter reparado numa novidade da época.

Infelizmente, não me refiro à utilização de portentosas modelos escandinavas para posar à janela em lingerie, coisa que deixaria o país para lá do alerta fuschia, mas sim aos paninhos com um menino, Jesus de seu nome, que agora ornamentam vastos lotes de caixilharia lisboeta e não só.

Reza a história, muito apropriadamente, que alguns dignitários católicos incentivaram esta nova tendência, de forma a reavivar a tradição católica do Natal. E porque viram que o negócio dos Pais Natal penduradinhos na janela, rende, acrescento eu.
É que, bem vistas as coisas, a Igreja é das organizações mais inteligentes que existe ao nível do marketing, mas neste caso parece-me um claro tiro no pé. Então o Menino, que sofreu horrores pela Humanidade vai agora parar às janelas, sem sequer ter agasalho, coisa que o Pai Natal, esse espertalhão, evitou com a sua fatiota munida de bom pelo de rena.

Se a questão do agasalho, só por si, devia ter feito até o católico mais devoto pensar duas vezes antes de expor o Menino às intempéries, não me obriguem a falar do Euro2004. Sim, porque o tio Scolari, artista prevenido, nunca pediu para porem Virgens do Caravaggio à janela. Foi lá parar a bandeira e as que, cinco anos e meio depois, ainda sobrevivem aos ventos, embora bastante descoloradas e com uma tonalidade de esperança muito mais presente.

Vendo tudo isto a acontecer nos peitoris de Lisboa, o cérebro católico por detrás desta operação deveria ter sugerido, em vez disso uma manta para o sofá com Jesus a aquecer os corações e não só da família ou até Jesus no topo da árvore de Natal, dando folga à estrela. Mas não, tinha de ser para a janela, para mostrar ao Pai Natal quem é que manda no Natal. Sem pensar no Menino, no mau tempo, nem sequer nos pombos, que para além de sacos de plástico e artimanhas semelhantes, têm agora uma figura divina a partilhar o seu espaço de lazer.

Eu percebo, certamente não se pretende que este Menino fique lá para sempre. Tal como se renovam votos, na Páscoa virá o paninho ou a cruzinha do Calvário. Depois, quando o Menino meter férias, chama-se um Santo António para lembrar a tradição católica dos Santos Populares. Findo o Verão, o Dia de Todos os Santos será certamente uma boa altura para lançar o Mega Poster, com mais de 100 santos oficiais e hipótese de compra pano adicional para juntar novos canonizados.

E, enquanto isso acontece, vamos todos estar à janela, a ver esta loucura passar.

28.12.09

ResCaldo verde do Natal



Bacalhau assado com batatas a murro e espinafres, arroz de pato, bacalhau à Zé do Pipo, arroz indiano com especiarias e frango, linguiça e morcela, mini-rissóis, mini-pataniscas, patas de caranguejo, camarão, frutos secos da mais diversa cepa, queijos e mais queijos (tantos que me fizeram esquecer todos os seus nomes), pão torrado, pão sem ser torrado, pão a precisar de ser torrado, tostas, bolo rei, bolo raínha, estilo bolo rei mas com gila, sonhos de abóbora, sonhos normais, sonhos de um dia deixar de comer sonhos, coscorões, filhós, bolo de banana (com um dedo do je, também utilizado para provar a massa), mousse de chocolate negro, farófias, bazófias, gelatina com frutos, salada com frutas, gelados, bolinhos de amêndoa, broas de mel e não só, bombons bons e bombons assim assim, arroz doce, isto só para citar alguns. Tudo isto enxaguado com – vinho, sumo, água, moscatel e uma mangueira de pressão.


Como devem ter reparado, tive as mãos e parte da minha anatomia ocupadas neste últimos dias. E se há coisa que me mete nojo é teclar com os dedos gordurosos, daí lambê-los antes de começar cada post.
Para além disso, desenvolvi a teoria de que se vai a casa de familiares enfardar no Natal para depois estarmos cheios demais para protestar com a prendas. No entanto, as minhas foram boas, provando também que cartas anónimas 15 dias antes da época ajuda a melhorar a qualidade das mesmas.

Em expiação dos meus pecados, ontem fui correr 10km com as luzes de Natal da Baixa por cima. Tudo bem que para baixo todos os santos ajudam, mas sabendo que estava a dar o litro por ele, o artista do São Silvestre bem podia ter ajudado a puxar a carroça na subida da Avenida da Liberdade. Obrigadinho ó campeão, nem uma velinha levas para o ano.

23.12.09

Natal no Circo Romano


A vantagem de só ter um amigo é que se despacha rapidamente o martírio das compras de Natal. Como esse amigo sou eu, melhor ainda, porque que sei que sou preguiçoso de mais para ir trocá-la no caso de ter escolhido mal para mim próprio.

Depois deste momento esquizofrénico, passemos ao espectáculo mais lastimável desta época.

Não vou aqui bater no Natal dos Hospitais, no das Prisões, no das Minas da Panasqueira, nem sequer no da Casa de Meninas “Triângulo das Mamudas”. Esqueçam o Cardinali e afins, as iniciativas das pessoas que só são boas dez dias por ano e isso tudo.
Querem emoções fortes? Querem cheiro a sangue e instintos primários? Querem sentir o fragor da luta mesmo ali ao lado?
Então façam como eu e vão ao Toys R Us sem intenções de comprar nada, só pela diversão.

Aí se revive, na época de Natal, a melhor tradição do circo romano. Pais degladiando-se por caixas de brinquedos, bonecos com pingos de sangue devido a refregas intensas, desconsolo e gritaria por causa de jogos de consolas, o choro de adultos, confortados por crianças que lhes relembram que vergonha é roubar, não é ter que recorrer ao plafond de crédito para chegarem aos 20kgs de prendas.

O melhor que podem fazer não é julgar, até porque não serve de nada e a maior parte das pessoas não fica bem de toga. Se querem ter mesmo um impacto na vida daqueles que procuram a felicidade no volume de embrulhos, saiam pela saída sem compras, enquanto pares de olhos esbugalhados, de braços carregados e paciência sobrecarregada, vos seguem com raiva, presos em filas para a caixa e para os embrulhos e para o espírito de Natal.

E, minha gente, se isto não vos divertir, então alguém anda a passar demasiado tempo a comprar prendas para saber apreciar as coisas boas da vida...

22.12.09

Sobre Monstros da Lagoa Negra



Apesar de ser um tipo jovial e de espírito aberto, como fica bem dizer, já tenho aqui e ali uns cabelos brancos. O que, no meu caso, significa que tanto me consigo lembrar do que comi ao pequeno almoço, como me lembro da euforia em torno da transmissão televisiva do “Monstro da Lagoa Negra”.

“Monstro da Lagoa Negra?” perguntam os petizes que julgam que Mr.Myagi é um qualquer restaurante japonês, quando ouvem falar em tal mítico nome. Sim, tempos houve em que o 3D causava um fervor semelhante ao que existe nos túneis dos estádios dos principais clubes portugueses. As pessoas acotovelavam-se para comprar revistas que ofereciam óculos 3D, feitos de cartão com dois bocados de acetato como lente, um azul e o outro vermelho. Depois, o filme, em que uma espécie de dourada escalada com pernas tentava assustar pessoas, foi uma banhada total e os óculos tiveram como efeito de realce o facto de darem óptimas fotografias com os animais de estimação lá de casa e também com criancinhas.

A partir daí, jurei fazer perdurar o nome do dito monstrengo, associando-o a todo o tipo de evento que gera expectativas e depois falha em cumpri-las. Exemplos:

O casamento de X e Y foi de arromba e passados seis meses estão divorciados? Que granda Monstro da Lagoa Negra.

O jogador Z ia ser o salvador da pátria e revelou ser mais perna de pau do que o gelado da Olá? Saiu-lhes um belo de um Monstro da Lagoa Negra é o que é.

Gente que todos os anos diz que este ano é que é e depois acaba na passagem de ano a comer 1 passa e a beber 12 garrafas de champanhe para esquecer o Monstro da Lagoa Negra em que finda se tornou.

O Mak promete tanto, parece que este blog podia ser uma coisa tão engraçada e depois vai-se a ver e saem os dois uns belos duns Monstros da Lagoa Negra.

Monstros da Lagoa Negra não faltam. Basta escolher.

21.12.09

Os mistérios dos WC’s Masculinos


Sobre mulheres e WC’s públicos, já muito se falou, não necessariamente por esta ordem. O mito dos pares, o mistério das bolsas e os segredos das grandes decisões femininas tomadas entre paredes de uma casa de banho, são alguns dos temas abordados, em histórias que passam de boca em boca, ao longo de gerações.

Já dos homens e das casas de banho, traço geral, só se descrevem cenários apocalípticos de miséria e desgraça. Bebedeiras e nojeiras, visões do Inferno que fariam corar Dante e levá-lo até a praticar outra actividade muito associada ao WC masculino – o vómito.

A verdade é que nos WC’s masculinos não existe o glamour do seu correspondente feminino. É como quando se traduzem letras de músicas fantásticas de inglês para português e se tem como resultado uma piroseira total. Ou seja, é a mesma trampa, mas o charme é totalmente diferente.

Não pretendo inverter esta evidência, que me permite continuar a olhar com curiosidade para as portas dos WC’s femininos e imaginar o que se passará lá dentro para além do curso natural do organismo humano. Mas, acredito que existem sinais de mudança para se esperar algo mais de um WC masculino, do que a desgraça habitual.

Obviamente refiro-me a WC’s públicos de antros não propícios a desgraças. Metam-me numa discoteca, num recinto de festival ou numa estação de serviço e não há glamour que valha a ninguém. E, infelizmente, muitas vezes é mesmo o melhor das pessoas aquilo que está a vir ao de cima.

Falo de sítios respeitáveis o suficiente para que o papel higiénico e um pedido de ajuda não se confundam no mesmo apelo. Sítios de onde não se sai a correr com um esgar de terror gravado na face, mas sim com uma sensação de alívio natural e uma história engraçada para contar.

Eles existem. E não são a merda do costume.


James Brown, It’s a man's world

18.12.09

Há um pouco de Tom Cruise em mim

Mas só neste clip específico. Não sei se é o requinte com que se trata os colegas de trabalho, o peculliar estilo corporal ou o facto de me representar com uma visão bastante distorcida.

Seja como for, ambos temos um pequeno dançarino dentro de nós. Só que por fora ele também é minorca e eu não.

17.12.09

Como eu gosto de afiambrar



Há palavras às quais o nosso dicionário não lhes faz jus. Seja pelo formalismo a que estão convencionadas as definições do dito cujo, seja pela riqueza que a sua utilização permite, muito para além do que diz um qualquer calhamaço ou site de definições.

Senão vejamos o que o flip.pt diz em relação ao meu muito prezado “afiambrar”:

afiambrar
v. pron.
1. Esmerar-se no trajar.
v. tr.
2. Preparar carne à maneira de fiambre.


Jovens amantes saudosos da Macarena, se me disserem que estas são as únicas utilizações que conhecem para a palavra, então estão sujeitos a que eu vos afiambre uns bons açoites, nem que sejam verbais.

Não sei se foi fruto de uma certa paixão nacional em relação às carnes frias, mas “afiambrar” ganhou asas e saiu das zonas de charcutaria em que nasceu para conquistar todo um mundo. Aliás, até mesmo em relação ao vestuário, o afiambrado há muito que cedeu posição ao aperaltado e expandiu o seu negócio vocabular para outras áreas.

Assim é que, nos dias que correm, podemos encontrar no trânsito gente disposta a afiambrar este mundo e o outro, porque lhe deu um toque no carro, porque não fez piscas, porque vai ao telemóvel ou porque simplesmente aquela é a pessoa certa para afiambrarmos com o stress que temos acumulado.

Enquanto esses afiambram à moda antiga, de punho erguido, noutro canto da cidade encontramos um indivíduos todos afiambrados em determinada mulher, provavelmente outra que não as sua, mostrando em jargão charcuteiro que, às vezes, por umas fatias de presunto há quem tenha que levar com o porco todo.

E, porque não quero que pensem que me estou a afiambrar a esta sabedoria toda, ora aí está esse belo significado. Afiambrar, enquanto arte de se apropriar de modo garganeiro ou até ilícito de algo.

Mas, não pensem que se ficam a rir com todo um conhecimento afiambrado. É certo e sabido que onde há expressões com comida, mais depressa esta acaba do que findam os significados. Por isso, afiambrem-se a mais uns sinónimos que eu até agradeço.

16.12.09

Linkações Perigosas

No tempo em que os computadores eram do tamanho de casas, quando se falava de ligações o cenário podia ser algo assim: o X dava-se com gente duvidosa e a Y estava ligada a uma escandaleira, desde que foi apanhada com o Z e o W ao mesmo tempo, vejam lá.
Apesar do tamanho dos computadores ter vindo a mirrar, dizem que no mundo real as coisas ainda funcionam de certa maneira assim: tu também és definido até certo ponto pelas pessoas com quem te dás. Mas, aqui que ninguém nos ouve, nos blogs as coisas às vezes também são um bocadinho assim.

Queres ser intelectual ou fazer parecer que até tens uma posição em relação a temas importantes. Então há dez blogs que não deves deixar de linkar. O qué, és uma pessoa sem tabus e para ti, como dizia a outra, “falar de sexo é como comer um iogurte”? Então há blogs que devem constar na tua lista free-spirit.
Talvez isto não seja a tua onda, já que és uma alma atormentada e nos teus links só há ligações profundas e reflexões poéticas sobre a vida e os seus desencantos. Tudo bem, para te contrabalançar haverá outros tantos que só serão divertidos se linkarem os blogs dos melhores comediantes ou só mostrarão o seu girl power se linkarem os blogs das gajas com mais atitude da blogosfera.

Por mim, tudo bem, cada um faz como entende, mas até agora mantenho para blogs a mesma lógica que tenho para livros – são mais importantes os que já leste do que aqueles que tens na prateleira. Até que descobri que há efectivamente gente a linkar para este antro. E isto não dá credibilidade a ninguém.

É lastimável que se divulgue este pasquim e se arraste ainda mais gente para a desgraça. Não posso fazer quase nada em relação a isso, tirando continuar a escrever imbecilidades e tentar que alguém veja a luz e decida pôr um paninho negro sobre este espaço. Mas, disfarçando-me de Padrasto Natal, posso urdir uma teia, fazer-vos o mesmo e ponderar linkar para o vosso blog, caso ainda não o faça. Só para ver se aprendem.

Por isso, se és jovem e gostas de arriscar, diz-me em 20 palavras ou menos, qualquer coisa como “Epá, meu estafermo, achas que para além de tudo o que de mau já me acontece seria possível linkares-me?”

Com sorte, eu respondo “Não”.

15.12.09

Pedido formal de desculpa aos congelados


Peço desculpa aos douradinhos e também aos medalhões de pescada e aos bifinhos de frango, isto para não falar das batatas noisettes, do esparregado em cubos, dos vegetais tradicionais, das sobras ocasionais e outros que tais.

A verdade é que eu não sabia. Pensei-vos preparados para o efeito, toda a gente me dizia que sim, que fazia sentido e que era assim que as coisas se passavam. Que vocês não sentiam nada e que tudo se passava tranquilamente até ao dia em que nos víamos outra vez.
“Mas, eles aguentam?”, lembro-me eu de perguntar, preocupado com as vossas qualidades e também com a qualidade do nosso convívio. “Então não” diziam-me “eles foram feitos para isso”. E eu acreditei, com uma ou outra dúvida ocasional, mas sempre descansado em relação ao vosso bem-estar.

Até que saí à rua hoje de manhã bem cedinho. E, de cachecol no trombil e palavras de ordem a ficarem geladas nos lábios, percebi tudo. Há frio pra além da morte pelo frio e a vida num congelador é, ironicamente, um Inferno.

Por tudo isso, que me desculpem os congelados. Da próxima vez que vos bater com a porta na cara, já posso dizer com propriedade – A vida num congelador não é fácil, mas calha a todos.

13.12.09

Aproveitem o frio e dispam-se de preconceitos



Quis o destino que eu resida actualmente a 10 passos de um clube de strip. Não foi uma decisão premeditada, quer da minha parte, quer da parte dos senhores do clube, embora estes tenham saído a ganhar pois tenho amigos que passaram a chegar com 4 horas de atraso quando combinamos alguma coisa à noite.

Nada tenho contra tão laboriosa actividade já que, graças a ela, já testemunhei cenas com tipos acalorados a discutirem na rua o facto de terem sido barrados à porta com frases épicas como “Atenção, não é por não ter 35€, é pela atitude”. Isto para não falar da minha piada recorrente de “O sonho de qualquer stripper é ter um filho varão”.

No entanto, pelo me é dado a saber, depois do boom inicial dos clubes de strip em Portugal (ex: Champanhe ou Passerelle, com vedetas do estrangeiro), multiplicaram-se os antros de qualidade duvidosa na matéria, com autênticos presuntos pendurados em varões por Lisboa e Portugal fora.

E se o strip, arte tão recriada em filmes de Hollywood com mulheres deslumbrantes e flexíveis a ponto de fazer corar de inveja a malta do Cirque du Soleil, estivesse a esse nível por cá, eu bateria as palmas e diria - sim senhor, quem vai a uma casa de strip tem uma desculpa tão legítima como aqueles tipos que dizem que compram a Playboy (estrangeira, que a nacional não existe) pelos artigos. Seria “artístico”. Aliás, deve ser com base nesse imaginário que as aulas de varão singraram aqui e acolá, com mulheres comuns a tentarem encontrar a Demi Moore que têm dentro de si e tipos a tentarem roubar varões nos transportes para levar para casa juntamente com o CD do Joe Cocker.

Mas, pelo que me é dado a conhecer e a minha (pouca) experiência transmite, em termos de sensualidade artística, o panorama actual tem muito pouco. Depois, o que sobra entretem apenas grupos festivos forrados a álcool e amantes da caça à febra encoberta.

E, para isso, já existiam as Festas de Natal das empresas.



PS - Nem vou falar de strip masculino, porque depois de bater no amblíope, tenho pouca disposição para aviar o ceguinho.

11.12.09

Epá, juro que...



Qualquer pessoa que não tenha passado boa parte da sua vida a imitar um repolho ou outro tipo de vegetal inerte, já participou numa conversa em que este início de frase foi proferido. Sendo eu um tipo com um nível de educação que roça a perfeição (e o verbo roçar não tem aqui qualquer conotação marota), ocorrem-me dois ensinamentos da minha mãezinha a propósito da situação.

Um deles, “Quem mais jura mais mente”, faz todo o sentido recordar. O outro “Não batas em pessoas de óculos, porque te podes aleijar nos vidros partidos” é sempre válido, especialmente se quem jura for um belo de um caixa de óculos.
Pondo as coisas em pratos limpos, com bom cuspo e pano de boa cepa, o cenário é muito simples - não aprecio malta que jura isto e jura aquilo, primeiro porque juro me faz sempre lembrar prestações a bancos. O que por sua vez me leva ao conceito corja de ladrões e malfeitores. E isso não é bom. E juro que não inventei isto agora à pressão.

Jurar depende de simplemente de uma coisa – alguém nos quer convencer de algo, usando unicamente a fidedignidade da sua palavra para o efeito. Tendo eu alguma dificuldade em acreditar em pessoas, certamente compreendem a dificuldade que tenho em acreditar em palavras.

É porque tão depressa se jura um presidente, como a seguir se jura que não se tinha posto as meias sujas no lava loiça. Rapidamente se põe em jogo a saúde com o deveras tradicional “Juro pela minha saudinha”, como se disponibilizam bens e parentes estimados à laia de “Juro pela saúde dos meus ricos filhos”. Mesmo que não tenham a certeza que os filhos são deles.

Jovens amigos do palavreado com sabor a juro, comigo não vão lá. Até eu ver gente que jura pela sua saúde a adoecer com pestilências nauseabundas e criancinhas chacinadas pelos falsos juramentos dos pais, a coisa não vale. O mesmo se aplica a quem passa a vida a jurar isto e aquilo, só porque sim.
Aliás, só quando cotarem o valor da palavra de cada um em bolsa é que eu me fio nisso. Até lá, diversifiquem o léxico, invistam em palavreado de categoria e vão ver que mentem melhor.

9.12.09

Como correr com quem não gosta de correr


Se não gostas de desporto, este texto não é para ti. Mas espreita à mesma só para ficares raivoso.

Passei uma boa parte da minha ainda não totalmente lastimável vida a fazer desporto. Não por obrigação, mas sim por gosto. Da ginástica desportiva ao futebol, ao futsal, ao BASKET (a letra grande confere a importância que tem para mim), à natação, ao ténis de mesa, ao ténis sem ter mesa, até à corrida.

Desde o total amadorismo à prática competitiva, federada, séria e com mau-perder de nível olímpico, entre estas modalidades há uma característica comum – o escape. Para além da diversão e da competitividade que reside em mim, há também muita trampa que me arrasta muito mais para “O Mau” do que para o “O Tipo Afável, ainda que com a mania que é esperto”. E, essa trampa é muito fácil descarregar, quer em nós próprios, quer nas pessoas que nos são próximas, quer num ceguinho que calhe a ir passar, distraído.
Como me tenho em elevada estima, aprecio os ceguinhos e, pronto, até sou benevolente para quem me é próximo, o desporto sempre foi um escape natural.

E chegamos à corrida, caminhada para os menos apologistas do suor em bica. Haverá forma mais simples de descarregar energias? Creio que não. Nem que seja correr para fugir ao assunto.

Existem mil argumentos para me contrariar. “Que não gostam de desporto”, “Que não gostam de correr”, “Que não gostam de correr sem sentido”, “Que não gostam de levar com vento/calor/chuva/meteoritos em cima”, “Que têm outra actividade como escape”, “Que conhecem um mecânico que arranja escapes”, “Que a vossa religião não permite”, “Que a vossa religião é um escape” and soi on.

Aceito tudo. Na boa, sem problemas, com um sorriso simpático e com um abracinho de compreensão.

Mas depois, que não vos apanhe a dizerem “Que a vida passa a correr”, “Que passam a vida a correr”, “Que fazem tudo a correr”, “Que devia ser tudo corrido”, “Que não têm tempo e é tudo a correr”, “Que só viram não sei quê em corrida”, “Que andam numa correria louca”, “Que corre tudo bem”, “Que corre tudo mal”, “Que não corre nem sai de cima”.

É porque, para issso, mais vos valia correrem a sério, em vez de andarem a chorar sobre corridas derramadas.

A vida não passa a correr. Nós é que estamos demasiado ocupados a vivê-la para perceber isso.

7.12.09

Mulher por um dia

Fizeram um desafio aqui ao artista residente. “Então e se fosses mulher por um dia?”. Eu, que vi “A Mosca” e sou pouco dado a experiências arriscadas, não fiquei muito entusiasmado, mas depois disseram-me, não tens de te maquilhar, depilar, nem passar o fim de semana a ver os DVD’s do “Sexo e a Cidade”. É só a fingir.

Sendo assim, fiquei mais descansado e fui a correr com um amigo à casa de banho para lhe contar as novidades. Depois, comecei a pensar, tendo eu uma boa % de senhoras que me visita (no blog, gente perversa), que posso avançar sem ser extremamente rude da minha parte, nem realista o suficiente para haver malta a começar a pensar que sou mesmo uma jovem desinibida.

Foi aí que me ocorreu: “Espera lá, vais mas é falar de uma coisa chique, com muito nível, que ponha aí as garotas todas contentes e não iradas ao ponto de te lançarem uma fatwa”. E foi assim que chegámos este magnífico blog PeanutOak, onde não faltam acessórios de extrema originalidade e fino requinte. E, ainda por cima, com um passatempo de alto gabarito no Facebook, que a troco de uma simples frase vos pode pôr nas mãozinhas esta malinha original, exclusiva e ÚNICA. Sim, não correm o risco de ver uma cabra (é assim que se diz ou fui muito agressivo?) ao vosso lado com uma igual.



Espera lá, dirão alguns espíritos mais inquietos, mas esta história toda de ser mulher por um dia, não foi um engodo só para nos venderes esta ideia com uma desenvoltura que até apita?

Com um riso ligeiramente maquiavélico digo “Nunca saberão, muahahah”. Mas, AMIGAS (é assim?), se acharem que valeu a pena, não precisam de ir a correr contar-me à casa de banho. Um simples comentário chega.

4.12.09

Explicações de Português

Calma pequenitos, este não é um daqueles posts em que alguém, vulgo eu, chama ignorantes aos outros e se considera a maior autoridade em questões de tudo e mais alguma coisa, apontando defeitos vários, aqui e ali. Para posts do género, consultem o resto do blog.

Este é, pura e simplesmente, o título do livro que estou a ler. “E a gente, que samos pessoas simples, o que é que temos a ver com isso?”, indagam vocês, coçando a orelha. Nada, digo eu, tirando se forem a senhora que ia ao meu lado no autocarro e insistentemente tentava descobrir o livro que eu ia ler. Algo que, do alto da minha benevolência, dificultei o mais que pude.

Por isso, este post é para essa senhora e vocês são meros voyeurs. O que vos deve dar um gozo danado, já que toda a gente sabe que malta que visita blogs deste calibre gosta é de cenas esquisitas.

Quem aprecia Miguel Esteves Cardoso, gosta deste livro. Eu, que lhe apreciava a prosa, nunca me deixei cativar muito pelos seus livros, um pouco por preguiça, outro por teimosia. Mas este título, só por si cativou-me, uma vez que dar explicações e pedir explicações é coisa que fazemos frequentemente, mas raramente no melhor sentido e ainda menos sobre o português.

A nossa língua, minha e da senhora do autocarro, pela vossa não ponho as mãos no fogo, é rica o suficiente para este livro poder ser do tamanho do tijolo do Bolano. Mas não, tem a dimensão certa, apreciando eu sobremaneira os textos sobre o sentido de uma só palavra. Porque é possível escrever sobre tudo e sobretudo sobre nada, de forma interessante. É esse o dom de quem sabe cativar as pessoas pela escrita e o MEC nesses textos captados das suas crónicas, revela isso mesmo.

Quanto a mim, esse dom revela-se no facto de nem a si, senhora do autocarro, lhe conseguir chegar com esta palavras. Por isso, se ainda estão para aí a voyeurizar como se não houvesse amanhã, aceitem um conselho. Com o Natal aí à porta, se vos apetecer, peçam umas explicações de português. Se for o livro, melhor, se forem aulas, pronto já é um princípio.

3.12.09

A terceira idade já não é o que era



Já toda a gente ouviu a frase “a educação, hoje em dia, já não é o que era”, proferida normalmente por um idoso, em relação a um jovem que teve a ousadia de, alegadamente, passar à sua frente ou no autocarro ou no supermercado ou no café ou no cinema ou na distribuição de amostras grátis ou seja lá no que for. É certo e sabido que, se mete “passar à frente”, há um idoso indignado algures.

Este pequeno episódio, fruto da manhã de hoje lida com isso mesmo, mas de uma perspectiva diferente. Às 9 da matina, aqui o vosso amigo está na paragem do autocarro, meio de locomoção que usa quando é calão de mais para ir a pé ou lhe apetece ler 10 minutos. Levava o meu ar de cromo, vestimenta descontraída, mas com toque de homem que sabe o que quer, apesar de ninguém perceber muito bem o quê.

Ao meu lado, um perfeito avôzinho, daqueles que apetece dar um abraço e contar como foi o dia na escola. Bem vestido, gabardine, gravatinha, chapéu, bengala, cachecol e ar afável. Enquanto o autocarro não chegava, eis que atravessa a rua uma bela figura feminina.
Mulher bem parecida e tal, bom porte atlético, que chamava a atenção sem cair na vulgaridade. Ao perceber que o meu olhar a seguiu cinco segundos a mais do que o bom senso recomenda, senti um bocado a voz da consciência “o avô não ia gostar que eu mirasse assim tal donzela”.

Foi nesse momento que me voltei para o velhote, para ver se ele me tinha apanhado em flagrante. Não tinha, nem podia, essencialmente porque ele ainda estava a controlá-la. E, quando eu esperava apenas um ar simpático de “Quando era mais jovem...” eis o que ouvi com tom de sofreguidão:

“Ah, mula do caralh....”


Encolhi os ombros e aproveitei que o gajo estava distraído para lhe passar à frente e entrar no autocarro, que entretanto chegara.

2.12.09

O ABC da Vida – Fazer a ponte


Quando o final do ano se aproxima, há uma coisa que os portugueses adoram fazer. Mais do que enfardar fritos de Natal, mais do que planear o festejo forçado da passagem de Ano, mais do que aliviar a sua consciência num banho de consumismo desenfreado e mais do que ver os vídeos com os melhores apanhados do ano.

O que os portugueses realmente adoram é o acto sublime de ir ao calendário ver os feriados e as pontes que vai haver no ano seguinte. Aquele gozo pequenino, que cresce no nosso interior, ao pensar que, fazer a ponte ali e acolá, mais uns diazitos por aqui e vamos estar a capitalizar as férias ao máximo.

Fosse a matemática dada nas escolas utilizando a lógica dos dias de férias e pontes e pode dizer-se que ficava um problema resolvido. Depois só faltava depois ensinar a miudagem a falar e escrever português.

Há sempre alguém, no local de trabalho, o guru das pontes, que sabe todas de cor até 2024 e explica o padrão cíclico das mesmas, com rigor científico. Algo que depois, quando estamos a beber uma garrafa de tinto, num qualquer dia entalado entre um feriado e um fim de semana, merece pelo menos um brinde.

Depois, há ainda o funcionário estatal, que é por norma empenhado no desfrute de tais dias e que lhes dá um nome mais técnico, a chamada “tolerância de ponto” que, a meu ver, é um espelho fiel daquilo que pior o Estado tem. Aquela capacidade inata de olhar para o lado e dizer, “Pronto, vai lá fazer a ponte, mas não digas que fui que deixei, até porque eu não deixei, fui foi tolerante, que não é o mesmo, mas também não vale a pena expicar, porque estou a falar sozinho, já que hoje é ponte”. O Estado é um nhonhinhas porque nunca tem tomates para assumir as coisas pelos nomes.

Curiosamente, a expressão “fazer a ponte” acaba por ser altamente irónica, já que se formos ver quem faz, literalmente, as pontes no nosso país, vamos ter dificuldade em encontrar por lá muitos portugueses. Ok, pronto, isso é trabalho duro, consultar um calendário, por outro lado, não faz tanto calo.


Mas isto sou eu que tive tempo para pensar nestas coisas, na ponte que fiz segunda-feira

29.11.09

Indiana Jones e o temp(l)o perdido

Por mais vezes que veja este filme na televisão, é impossível não ficar com o coração nas mãos.

27.11.09

Espécies com Via Verde para a extinção

Como já fiz questão de referir umas quantas vezes, sou defensor de grande parte dos animais que existem. Neste lote não se inclui a chusma de gente vestida de animais/bonecos gigantes em festas e eventos para gente adulta que vou vendo por aí. A esses dava-lhes sumiço mais rapidamente que um panda consegue dizer “bambu”.

Não me refiro obviamente à bicharada que anima a Disneyland e outros parques temáticos afins, porque no domínio das crianças acho importante que aprendam rapidamente que as grandes bestas também podem ser divertidas. Só assim encararão a vida adulta com mais tolerância.

Mas, eventos em que bonecos temáticos tentam interagir com convidados ou mostrarem-se divertidos e foliões em locais com bebidas alcóolicas ao alcance de qualquer um, não me parecem grande ideia. Por mim falo, porque há gente que delira com um abracinho ao boneco, uma pancadinha amistosa aqui ou ali e por aí em diante.

Ora eu, que não tenho nenhuma fobia de infância com semelhantes personagens, só sinto dentro de mim uma certa irritação maldosa. A vontade de dar uma carga de porrada num boneco, algo que não sei se é punível por lei, já que o meu alvo primário é o personagem e não o tipo que lá meteram dentro.

Vou-me contendo, é certo, ainda ontem passaram por mim vários sapos que ficaram a um passo de levarem não um beijo, mas sim umas simpáticas biqueiradas.

Acham que tenho problemas e preciso de ajuda?
Só se os bonecos forem muitos...

26.11.09

Posologia moderna



Existem mentes simplistas que defendem que a posologia é apenas uma indicação sobre a forma de administrar medicamentos. Se quiserem continuar a acreditar nisso e a ter medo de conduzir maquinaria pesada, por mim tudo bem, mas o meu caterpillar não guiam.
No meu entender, a posologia é das poucas coisas boas que as farmacêuticas nos dão sem efeitos secundários. Aliás, acredito que, a par da Filosofia, da Antropologia ou da Sociologia, a Posologia também devia ser uma ciência ligada ao ser humano. Ou então um folheto individual com imensa piada

Então meu, já a abusar dos charros de azevinho antes da época? Calma, jovens adeptos do paintball nudista, eu explico. A posologia devia ser utilizada não apenas de forma redutora com comprimidos e antibióticos, mas também com pessoas. Facilitava a vida a muita gente, evitava muitas confusões e provava que eu não sou tão parvo como parece.

Exemplo

Mak
Concentrado de raiz de idiotice e folha de graçola.

Indicações
Óptimo para nos sentirmos menos alucinados por comparação. Ideal para quem precisa de um tónico de piadas e dizeres de categoria duvidosa.

Dosagem
Aturar de longe em longe, para não enjoar.

Recomendações
Não entre em duelos de piadas, sob o efeito de Mak. Não diga que nunca perdeu ao Trivial Pursuit, não tente usar palavras caras e recorrer a humor boçal, pois isso faz mal à saúde de Mak

Contra Indicações
Pode dar vontade de passar por cima dele ao volante de maquinaria pesada e tentar gracejos com o tema grávidas em período de amamentação. Poderá causar riso forçado e uma sensação de alívio, produzida por saber que ainda há gente mais estranha do que nós.

Validade
Pouca, tal como a das suas teorias.


E pronto, agora só faltam vocês e estamos todos a ocntribuir para um mundo melhor.

24.11.09

O ABC da Vida – Saber cair


Sempre que alguém cai num lugar público, quer seja de um escadote, de bêbedo ou do nada, há sempre alguém que se ri. Isto é uma daquelas leis inexoráveis (bónus por palavra cara) da vida, tão certa como este ser um dos cinco melhores blogues do mundo, na categoria imbecilidades a la carte.

Como a queda nessas circunstâncias não depende da vontade de quem cai (não desanimem público suicida, a vossa vez há-de chegar), interesssa abordar então o que fazer depois de cair.

Uma das tendências sempre na moda é o “Não foi nada”. Crianças, graúdos, mulheres voluptuosas, todos eles tendem a levantar-se num ápice, mesmo com fracturas expostas, dizendo “Não foi nada” e afastando-se a coxear ou a limpar o sangue da cabeça. Não incluí os idosos porque estes não se levantam, ficam apenas sentados a dizer....”Não foi nada”.

Este é o padrão comum. Há também o “Ronhas”, que fica deitado à espera que alguém chame uma ambulância para não ir trabalhar, chegando até a simular traumatismos vários para levar isso a cabo. Temos ainda o “Risadas”, que pensa que se se rir mais alto que toda a gente isso apaga o facto de estar com as trombas numa poça de lama ou que cueca verde-choque faz sucesso em qualquer avenida movimentada. Há ainda o mais recente “Spielbeg”, que espera sempre para ver se estão a filmar para poder dizer que foi de propósito e que é para os vídeos da semana.

“Mas, farol que ilumina os nossos nebulosos dias cibernéticos, há uma fórmula certa para saber cair?” perguntam vocês, enquanto atam uma almofadinha ao rabo, não vá poderem cair enquanto estão sentados.

Não.

A gravidade é uma lei, das poucas que somos mesmo obrigados a cumprir. Fora isso, posso apenas sugerir-vos terem mau aspecto, cerca de 1,85m e um ar de quem tem dificuldades em discernir o bem do mal. Em geral, resulta comigo.

23.11.09

O Dia da Benificência

Pode ser um choque para vocês, mas até pessoas como eu têm três ou quatro (vá lá, dois) dias por ano em que se dedicam a causas nobres. Como me disseram que este ano pontapear escuteiros não era válido, tive que variar e ir a um almoço de beneficência.

Não se tratava de uma causa qualquer, já que protege e cuida de animais, pelo que havia um certo interesseirismo da minha parte, pois nunca se sabe o que o futuro me reserva. O sítio era chique, o valor não era um choque e o repasto prometia pratos de nomes complicados e outros mais básicos, para quem tem vergonha de pedir comida em língua estrangeira.

Sentia-me à vontade, depois de ter treinado três ou quatro vezes comer com talheres. No entanto, há algo que me mexe com os nervos – eventos em que a média etária é o dobro da minha idade. Para já, os mais jovens acantonaram-se todos numa mesa, não tanto no espírito “mesa das crianças”, mas mais no género quem não usa fralda, tem a maioria de dentes próprios e não conviveu com o Rei D.Carlos que se junte aqui por favor.

Depois, almoço que meta buffet e idosos é como assistir a um arco-íris ou uma aurora boreal. Há sempre algo místico que nos fascina, quer seja o número de problemas de articulações e mobilidade que se curam dizendo apenas “Podem dirigir-se ao buffet” ou a forma como o Alzheimer e o apetite convivem salutarmente, já que se consegue ouvir gente dizer “Ah, eu como muito pouquinho”, enquanto se abastece de sobremesas pela 5ª vez.
A doença de Parkinson regride em quem tem de segurar pratos com empenho e os problemas de gota só se aplicam se se referirem ao abastecimento sôfrego de um simpático vinho tinto.

Aliás, a única parte de dor e sofrimento vem de quem, jovem e saudável, tem que levar com bengalas, andarilhos e cotovelinhos ossudos para chegar à comida. Mas pronto, lidei com tudo usando um bonito sorriso (emprestado), já que captei o espírito da coisa e, sem qualquer cariz vingativo, conto chegar a velho e aí vão ver quem é que rula na beneficência, no buffet e na arte dirigir cotovelos a diafragmas alheios.

20.11.09

Homónimofóbico

Não sendo das mais invulgares, a minha conjunção primeiro-último nome também não será a mais vulgar. Sendo assim, poder-se-ia dizer que primo pela mediania em termos de nome. Poder-se-ia, mas não se pode, já que o meu misto criatividade-imbecilidade pura, a par de uma modéstia de gabarito, dão um cunho muito pessoal ao meu nome. Tanto que tenho a mania que devia ser só meu.

Mas, a verdade é que não é. Aqui e ali vão aparecendo alguns indivíduos que teimam em usar o meu primeiro e último nome. Um claro abuso que só do alto da minha magnanimidade vai sendo tolerado, com um claro risco para eles. É que, cada vez que alguém fala no meu nome, eles têm a vã esperança que se fale deles. E depois ficam tristes, chamam-me nomes, quando deviam estar mais preocupados era em trocar o deles.

E depois, nascem episódios assim;

Certo dia, estava eu no recato do meu espaço laboral, quando me ligam da recepção. Não era do Fisco, nem sequer do Pirilampo Mágico, mas sim uma senhora que estava lá à minha espera. Ora eu não estou habituado a ter senhoras à minha espera na recepção, já que prefiro dar os autógrafos no exterior do edifício.

No entanto, lá fui eu, com uma barba digna de qualquer pirata dos piores bairros das Caraíbas, t-shirt de dizeres pseudo-engraçados e atitude a condizer. A jovem de tailleur conservador e ar assustado só não caiu redonda logo ali porque tinha uma entrevista. Comigo, pelos vistos.
Foi exactamente isso que me disse, depois das duas beijocas da praxe. O meu ar estupefacto era visível por debaixo do ar de parvo, o que ainda a assustou mais. “Mas, senhor X falámos por email a acertar pormenores da entrevista. Hoje é dia Y não é?”

“É, mas se falámos por email alguma vez na vida, deve ter sido noutra encarnação, porque nesta eu não me lembro”.

O vermelho no rosto da jovem não condizia com a camisa “Mas, é o senhor X não é?”, “Sou”, “Eu sou a Z, da parte do QB. Liguei-lhe primeiro e depois enviei-lhe o CV por mail. Combinamos hoje e lá em baixo na portaria disseram-me que era aqui”.

A loucura já deitava por fora “Mas mandou o CV para a XPTO. É que nós ainda somos uma empresa ainda bastante grande”.

“Ah.....não” O tom roxo também não condizia “Mas não é o senhor X da Bling-Bling Joalheiros?”.
“Não, sou o senhor X, mas da XPTO. A Bling Bling também deve ter um senhor X, neste edifício e neste andar”.

“Não acredito” a moça encostou-se como se precisasse de água. Como o garrafão ainda era longe, dei-lhe antes uma palmadinha nas costas.
“Eu também não, esse senhor não se devia chamar assim, mas acontece. Ande comigo que eu digo-lhe onde é”.

E lá fomos os dois, corredor fora, até à porta correcta onde trabalha o senhor com o nome errado. Ela ainda estava atabalhoada “Desculpe lá...E agora, estou tão enervada com isto tudo...”.
“Não esteja. O nome do senhor indica que é boa pessoa e, além disso, se a entrevista correr mal, sempre tem uma história engraçada para contar ao chegar a casa”. O garrafão de água ainda estava mais longe agora, dei-lhe outra palmadinha no ombro.

A porta abriu. A jovem entrou. Fui-me embora sem ver o senhor X, que até lhe poderia dar um emprego, mas nunca lhe proporcionaria uma história assim.

É o que dá não trocarem de nome. Depois, arriscam-se.

19.11.09

A noite de todos os bolos

A noite serve para muitas coisas e não é difícil imaginar que há até quem possa dizer que serve para dormir. Numa política bastante compreensiva, defendo que cada um deve fazer da noite o que quiser, desde que não more no apartamento acima ou abaixo do meu ou aprecie tocar pandeireta noite fora pelas ruas de determinada zona lisboeta. Mas, tirando isso, acredito que quem gosta de dar os seus giros nocturnos já deve ter feito o que vou mencionar a seguir:

Ir aos bolos.

Depois de já ter perdido grande parte da audiência bulímica deste blog, à qual se juntaram aqueles que só comem sobremesas de garfo e faca e nomenclatura blasé, resta-me divagar sobre a matéria junto dos esfaimados do costume.
Tal como se diz que na praia a bola de berlim sabe melhor, os bolos à noite são como certas mulheres maquilhadas - ganham outro encanto. Um croissant com chocolate engata-nos com mais facilidade, um pão com chouriço seduz-nos com o seu calor e um pastel de nata...bem um pastel de nata é sempre uma boa desculpa para quem não quer ir para casa sozinho.

Quem tempera a noite com uma boa ida aos bolos nunca pode dizer que tudo correu mal. E, se tudo correu bem, então só pode dizer que correu mal se for bipolar e, nesse caso, tanto come um bolo como uma pedra da calçada.

E, porque não quero que saiam sempre daqui com uma sensação de vazio, deixo-vos uma dica. Nesta imagem, atrás da carrinha branca, está um sítio recheado de bolinhos simpáticos, que conheço desde os meus tempos de petiz (bónus) nativo da região. Abre relativamente cedo (tipo 22h) e os únicos bichos que lá tenho visto estão do lado de fora do estabelecimento, com o atractivo adicional de ter regularmente fornadas quentinhas a sair. Além do mais, fica perto do Pestana Palace e se forem apanhados por alguns amigos chiques com um embrulho na mão, sempre podem dizer que levam petit gateaux oferecidos pelo vosso chef favorito.

Para além disto tudo, se gostam de uma boa corrida nocturna, façam como eu e vão acompanhados por gente que não se contenta com menos de 8 croissants e 12 merendas para levar para casa (sim, eu sei que vocês lêem isto). Aí, a rapidez de pernas pode ser a diferença entre o bolo dos vossos sonhos ir convosco ou de mão dada com um amigo vosso.

E, só de pensar nisto, já sinto arrepios no estômago.

17.11.09

O amor e uma bacana

Ou “A Novela Trágico-Cómica do quotidiano”

Estava nervoso. Afinal de contas não tinha tido tempo para nada do que queria, o trabalho apertava e almoço, pizza encomendada e comida à pressa ao computador, também não tinha ajudado.

Mas, existiam coisas que tinham que ser ditas e não podiam ficar para mais tarde, para mais logo ou para sabe-se lá quando. Inspirou fundo, quando precisava era de profunda inspiração, percorreu rapidamente a lista do telemóvel, fechou os olhos e ligou.

Ela atendeu. Ele falou.

- Não digas nada, deixa-me falar. Sei que sou cauteloso, que tenho sempre tudo planeado, mas desta vez falo com o coração e não com a cabeça. Quero deixar tudo para trás, quero estar contigo, não me interessa onde, desde que seja para sempre.
- M...

- Por favor, não digas nada, deixa-me acabar. Sei que nem sempre tenho sido para ti o que és para mim, mas esse tempo acabou. Percebi finalmente que para fazer as coisas certas, mais importante do que pensá-las, é fazê-las. Que me dizes, eu e tu, tu e eu, sem histórias, nem tretas, tipo só nós, o amor e uma cabana?

- Olhe, eu ia perguntar-lhe se queria a promoção dos pães de alho e a Coca Cola de litro e meio, mas posso despedir-me já hoje e sair às seis para ir ter consigo. O meu nome é Claudia e...

Desligou, em choque.

Olhou para o telemóvel. Quis o destino que Telma e Telepizza estivessem lado a lado no ecrã. Sentiu o coração cortado às fatias.

16.11.09

Desculpe, é engano?

Há coisas que eu tolero bem. Chuva, mariscos diversos e malta que gosta de usar provérbios para justificar argumentos são exemplos disso. Mas, porque quem não se sente não é filho de boa gente, há também toda uma panóplia de coisas que eu não tolero, nem sequer com o recurso a pastilhas Rennie.

Não vou evoluir muito neste assunto, primeiro porque se começo a pôr coisas que evoluem neste blog estou a descaracterizá-lo e em segundo porque não quero descobrir se há limite de caracteres para um post no Blogger.

Mas, se há coisas que me irrita sobremaneira é o chamado “engano idiota” ou a meia verdade do quotidiano. Só um instante que vou ver se a semana começa efectivamente com azia à porta.









Parece que não, era um stripper vestido de escuteiro para a senhora do lado.


Foi engano.



Calha bem, porque este tipo de enganos eu tolero. São coisas que acontecem. Também tolero enganos daqueles a sério, tipo o contabilista que desvia 2 milhões da empresa ou aquela malta que se engana, se enfrasca e acaba toda nua na festa de Natal da empresa. Isso são enganos comuns e decorrentes da necessidade humana de nos enganarmos de vez em quando.

Agora, irrita-me aquele engano idiota que não engana ninguém, aquele pormenor chico esperto para encher o olho, mas só se for de socos, no meu modesto entender. Não faltam exemplos, mas deixo-vos apenas dois:

Vôos TAP para X ou Y a partir de 59€ - A TAP gosta muito de fazer isto, na sua luta para tentar ombrear com as low costs. Mas este preço, ainda que atractivo refere-se normalmente apenas ao vôo de ida e não me parece que haja assim muita gente a adoptar a política “Vá e não volte”. Muitas vezes o preço total até pode ser atractivo, muito mais do que o trabalho de ir marcar vôos em companhias diferentes (que muitas vezes é também mais caro), mas alguém achou que o preço baixo só por isso ia toldar os olhos às pessoas. Até porque eu, quando compro viagens olho apenas para uma parcela do valor a pagar e já nem ligo ao resto. “Porreiro, o vôo de ida custou-me 30€. Tudo bem que o regresso me custou 300€, mas o de ida foi imbatível”. Yeah right....

Outro exemplo de “engano” dá-se no ramo imobiliário. Quem vende casas, pensa provavelmente que a malta compra uma habitação como quem compra um Cornetto. “Ah, não tem de morango? Pode ser de chocolate. Ou Nata. Ou então um Epá, que é quase o mesmo, mas sem bolacha”. Em resmas de anúncios imobiliários não faltam meias-verdades, um quarto de verdades e até oitavos de verdades. E depois? Vai-se ver a casa e alguém se esqueceu de dizer que o 6º andar era sem elevador? Que aquele T5 a bom preço era na cave de uma estação ferroviária? Que aquele preço incluía uma famiíia de romenos que subaluga a banheira? Não vai funcionar meus caros e não me vai fazer apaixonar pelo outro T3 na Brandoa que também têm para me mostrar na ImoTangas.

Se é para enganar, enganem onde vale a pena e onde não há forma de serem descobertos. Se é para brincar aos enganos, então usem as listas telefónicas. Para mim resultou e se não fez de mim uma pessoa melhor, pelo menos estimulou o meu interesse em imitar vozes.

14.11.09

Charme nas bancadas



A maquilhagem está pronta, a carga de água espera-se que não. Desejando eu que não esteja preparada nenhuma festa do cabeçudo para o Estádio da Luz, cá vou eu fazer bonitas figuras e com alguns adjectivos no bolso, não vá o Queiroz tecê-las.

Por isso, seja nas bancadas ou na televisão, podem procurar por mim através deste retrato robot. Ok, exagero, esqueçam o bigode.

13.11.09

São Silvestre abençoou a minha Sexta Feira 13


Então, já partiram alguma perninha? Já se engasgaram com uma asa de frango ou a ver a vizinha da frente nua a tomar banho (espécime de 70 anos que faz da Popota esbelta). Andam aí todos malucos a dizer é “Sexta-feira 13 uhhhhh” ou já vos passou a maluqueira?

Da minha parte, gosto do número 13, especialmente quando pronunciado “treze” e não “treuze”. Neste último caso, só dá azar a quem o pronuncia assim à minha frente. A verdade é que, não sendo eu uma reencarnação de Jesus Cristo, não vejo no 13 nenhum prenúncio negativo, antes pelo contrário, já que tenho ceado muitas vezes nesta data e nenhuma delas se tem revelado a última ceia.

Sendo assim, aproveitei esta euforia de me sentir bem com o 13 e toca de me inscrever hoje na São Silvestre de Lisboa. Mais 10km a correr de um lado para o outro, debaixo das luzinhas de Natal na Baixa e com 2kgs de doces de Natal no bucho. Só espero que nos abastecimentos, em vez de água e bebidas isotónicas haja Vinho do Porto e fritos diversos para tornar a experiência realmente alucinante.

O melhor disto tudo? É que para além de pagar para correr, a dita prova tem lugar no dia 27 de Dezembro, que este ano felizmente não calha a dia 13. Por um lado é uma sorte, por outro lado é um azar que, como já disse, eu até gosto de dia 13.

Até lá, é ver-me treinar a correr por baixo de escadotes, enquanto parto espelhos e ato um gato preto à perna. Não vá dar-se o azar de me tornar supersticioso.

12.11.09

Glen Medeiros e a maldição do Luso Descendente

Hoje apetece-me dar-vos música. E quando falo em música, num post com Glen Medeiros à cabeça, já se sabe que o critério é bastante lato. A verdade é que não sei se o Glen foi o primeiro a abrir a caixa de Pandora do luso-descendente-com-queda-para-a-música. Mas é talvez o primeiro de que me lembro, ganhando no arranque ao Nuno Bettencourt (cujo registo se enquadra noutra história) e ainda à Nelly Furtado, que à altura era mais little que promiscuous girl.

O jovem Glen, passeava a sua descendência portuguesa pelas ruas do Hawai, quando decidiu “Epá, se o ukelele descende do cavaquinho, eu também posso ter uma carreira na música”. E assim, bastou um concurso de rádio e um cover de George Benson, para nascer uma pastilha que ainda hoje deixa algumas cicatrizes mentais, na forma do “Nothing is gonna change my love for you”.



O vídeo mostra os malefícios da música bacôca e de rapazes imberbes. Glen não estava claramente preparado para sair com a miúda. Senão não teria deixado ser a mãe a escolher-lhe a roupa.
Ponto dois – Cenas amorosas numa falésia. Conselho para imitadores – não façam declarações cujo entusiasmo ou má recepção vos possam fazer cair em mais do que uma depressão.

A música parece um sumo concentrado em que 90% é refrão e 10% é palha. O dinheiro também era pouco. Pelo amanhecer e pôr do sol na praia, o Glen nem a miúda levou a almoçar, já que passaram o dia a correr na praia (estás lixado que o apetite ao jantar que pagaste foi certamente a dobrar). Por falar em correr, gajos que corram menos que miúdas na praia e ainda tropecem atrás delas, não ficam muito cotados em termos do meu respeito.

Em suma, o Glen era jovem, o dinheiro soube bem e graças a Deus ainda não havia MTV Portugal. Mas, não é preciso muito para saber que este jovem luso descendente inspirou centenas de pequenos boys-banders portugueses, que viram na sua camisa aberta, na sua calça marota e na música feita a pensar na malta que ouve com os olhos e só retém um refrão.
Para ti não houve problema Glen, que continuas no Hawai a beber cocktails em abacaxis e a pintar a manta em shows locais. Agora nós é que tivemos que levar com eles depois de crescerem. E isso meu ex-rapazola bem te pode dizer onde é que podias pôr a luso descendência.

11.11.09

Compromissos, alergias e metáforas com piscinas


Compromisso é uma coisa da qual se ouve falar muito nestes tempos, mas se vê fazer muito pouco. Antes de mais, não se deve confundir com “Compramisso”, também muito ouvida nesta época, a cada vez que se passa ao pé de uma montra de brinquedos ou iPods com uma criança ao lado.

Um compromisso, como o nome indica, honra-se e, nos tempos que correm, honra é coisa de filmes de cavalaria, super-heróis e romances clássicos de domingo à tarde. Não vai haver dermatologista que vos comprove o que vou avançar, mas acho que vivemos uma pandemia de alergia ao compromisso.

Seja pessoal, profissional ou qualquer outra coisa importante acabada em “al”, encontrar alguém disposto a respeitar um compromisso começa a ser tão raro como encontrar um panda, e não me refiro a um Fiat. Diz-se habitualmente “isso é um compromisso sério”, como se adjectivar um compromisso com seriedade não fosse o mesmo que perguntar “Quer o seu gelado com gelo?”. Não existem compromissos a brincar, tirando aqueles feitos por pessoas que não sabem do que estou a falar.

Quanto maior for o prazo de um compromisso, mais assustador se torna para muita gente. O próprio termo “ficou comprometido” tem cada vez mais uma conotação negativa de quem foi apanhado com as calças na mão a meio de um baile de gala. Ninguém tem que ficar comprometido com algo em que não se revê, mas o problema começa logo quando já ninguém se revê a fazer um compromisso.

Querer algo ou estar disposto a assumir e cumprir algo, seja por dia ou por uma vida exige, primeiro que tudo, uma coisa simples, mas complicada – Saber o que se quer. O compromisso torce o nariz a quem diz de manhã que sim, à tarde que não e à noite que amanhã logo se vê. As pessoas cada vez menos sabem o que querem. Mas cada vez pensam mais o contrário e tomam decisões para a vida, desde que para a semana as possam anular, reverter ou, em boa parte, lixar.

A dúvida é boa. A dúvida é aquele momento, quando estamos a olhar para a piscina de uma prancha de dois andares, em que pensamos “E se isto corre mal?”. E depois saltamos.
O compromisso é um salto.

Quer se bata de chapa, quer se mergulhe a fundo, quer se repita logo a seguir, quer seja o último mergulho.

A piscina é a vida.

E, na vida, meter água é normal.
Usar a nova Box para interromper o mergulho a meio é que não.
E, hoje em dia, toda a gente quer uma Box que grave.

10.11.09

Passar à história



Não sei quando é que esta expressão passou a ter conotação negativa. Por outro lado, também não sei quando é que ela começou a ter um significado positivo. Por isso, só um dado é concreto, sei muito pouco sobre aquilo que falo. Mas, não se preocupem, isso nunca foi impeditivo para mim.

A verdade é que eu gosto do termo “passar à história”, não no sentido de “bateu as botas”, “está arrumado”, “já não vales nada” ou “faz-te à vida”. Não só esses são sentidos comuns e pejorativos (bónus por utilização desta palavra em blog), como são fáceis e de uso corriqueiro por qualquer pessoa. Nem sequer me refiro à vertente de feitos históricos, que esse sentido então é redundante e eu chumbei no concurso de imitadores do José Hermano Saraiva.

O que a mim me agrada no “passar à história” é toda aquela magia própria de quem, por dom natural, sabe contar histórias. De quem transforma uma simples viagem de autocarro, num mini-conto que encanta pequenos e graúdos junto a uma máquina de café. É o toque próprio daquelas pessoas que gostamos ouvir, não porque nos transmitam saber ou pela sua visão única do mundo, mas sim pela sua capacidade de transformar o mais comum e o mais trivial em algo que nos capta a atenção, nos prende e nos faz esquecer que há cafés que são mesmo uma porcaria.

Esqueçam os mexericos, os boatos e as declarações inflamadas pelo amor ou pelo ódio. Isso são coisas que despertam a curiosidade de qualquer um que não tenha enveredado pelo caminho da santidade social. Eu gosto mesmo é de quem me consegue despertar a curiosidade, falando das suas peripécias numa tarde nas Finanças.

Isso é o verdadeiro dom de fazer passar à história. Devíamos todos agradecer a essas pessoas, que não são tantas como podem parecem (sim, porque também existem os verdadeiros e as imitações baratas), por tornarem a realidade um lugar menos real e mundanamente fantástico.

Como é óbvio, se conhecerem alguém que vê unicórnios no Metro e fala com fadas nos elevadores, afastem-se e não fiquem sozinhos. Essas pessoas não são contadores de histórias, são malucos.

A título de conclusão posso dizer que gosto de acreditar, entre os meus muitos defeitos de alto gabarito, que chamarem-me contador de histórias (tangas para os amigos) é um bom elogio que me podem fazer.
Desde que não seja antecedido de fdp.

9.11.09

A prática da relatividade




A relatividade é uma das grandes invenções da humanidade. A começar pela sua teoria, que permitiu a um dos gajos com pior penteado da história das ciências, granjear fama e prestígio eterno, já que ainda hoje o merchandise do Einstein continuar a dar lucro como se não houvesse amanhã.

Mas, afinal, a relatividade é assim tão boa? Isso, jovens que ainda estão a limpar as ramelitas dos olhinhos papudos, é como a palavra indica, relativo. O brilhantismo da relatividade, tanto em teoria como em prática é que quase tudo o que vivemos ou experienciamos pode ser relativizado. Mesmo aquilo que dizemos que não pode.

Ninguém acorda e diz “Epá, sim senhor, hoje sinto-me relativo”, porque a relatividade em si não é um fim, é um meio. Veja-se o exemplo:

Eu posso ter a sensação que até sou um gajo culto. Relativamente a um burgesso que passa o dia na taberna serei até um génio.. Mas, em relação a um génio, daqueles fraquinhos vá lá, eu sou o gajo da taberna.

Isto aplica-se a mim, aplica-se à mulher que pergunta se está bonita, a uma catástrofe em que morrem 5 mil pessoas ou, pior ainda, a este blog. A não ser que vivamos num casulo ou tenhamos uma visão da vida em que só nós é que contamos, tudo pode ser relativo.

Mas, atenção, tal como o tio do Homem-Aranha lhe disse quando o gajo começou, literalmente, a trepar às paredes “Atrás de um grande poder, vem uma grande responsabilidade”. Por isso, há que relativizar o uso da relatividade. Se relativizam tudo sem ponderação, vão ser uns bananas que não apreciam nada, nem têm personalidade. Se não relativizam nada, vão ser uns mártires, pois sofrem e vêem tudo numa perspectiva extremista máxima.

Por isso, não têm de ir ao Pingo Doce de Janeiro a Janeiro, para esta dica de preço baixo – Relativizar é bom, dependendo da sabedoria de quem relativiza.

Se não acreditam, olhem para o Einstein. O sucesso da sua teoria está à vista. O do seu penteado, é relativo.

6.11.09

Este blog não existe, nem desiste

Neste blog as coisas não se medem aos palmos. Até porque dada a parca inteligência do seu autor, o palmo é capaz de ser uma medida demasiado complexa.

Cumprem-se aqui muito poucas das regras do “bem-escrever” para blogs e internet. Aliás, cumprem-se aqui muito poucas regras ponto, começando pelas de etiqueta, passando pelas do bom senso e acabando, porventura nas de higiene mental.

Os títulos não são claros, nem straight to the point. São trocadilhos, piadas de circunstância, são esforços para que ninguém perceba logo à primeira que não há muito que interesse à segunda.
O primeiro parágrafo não foi feito para agarrar o leitor. Primeiro porque eu não sei se quero agarrar toda a gente que por aqui passa. Segundo, porque para agarrados já me basta o que estaciona carros na minha praceta. E depois porque os outros parágrafos ficariam com ciúmes de ver leitores agarradinhos ao primeiro.

Dizem-me amigos meus (e também o vendedor de castanhas em frente ao meu local de trabalho) que os textos são demasiado longos para um blog. Que lhes faz doer a vista estar tanto tempo ao computador, ainda por cima a ler coisas tão más.
Apenas por respeito ao vendedor de castanhas aqui me explico: quem quer coisas pequenas que vá ao Twitter, ao Facebook ou ao Portugal dos Pequenitos. Palavras como sucinto ou reduzido aqui só entram acompanhadas de 10 mil amigos. Porque sim e porque se me apetecer fazer um post anão isso vai surpreender agradavelmente as pessoas: “Olha, o cromo hoje não lhe deu uma verborreia”.

Este blog não tem agenda. Nisso é parecido com o seu dono, que nem a do telemóvel usa, embora seja mais abusador ao falar de si mesmo na terceira pessoa. Este blog não tem género, nem sequer espécie. Quer dizer, é uma espécie de alucinação, mas degenerada.

A única coisa que este blog efectivamente parece ter é leitores. Não sei bem porque não o acompanho muito, mas parece que suplantou claramente as expectativas, que apontavam apenas para impressionar o vácuo cibernético. Nos seus sonhos mais ousados, o autor esperaria quanto muito que os seus leitores se contassem pelos dedos das mãos, de alguém a quem rebentou uma granada nas ditas cujas.

Não pensem que isto é um obrigado. Isso seria legitimar a vossa doença. Porque vocês têm problemas e o primeiro passo é eu admitir isso. De outra forma, não estariam aqui.

5.11.09

Os segredos são de Vénus, os parvos são de Marte



Em tempos, numa dada festa, uma dada pessoa abordou-me sobre um dado assunto. E, porque há um limite para as vezes que se pode usar dada palavra numa frase, mais vale dizer do que se tratava.
“Disseram-me que sabes o segredo para entender as mulheres...”

Sorri. Fiz sinal de quem vai contar um segredo e tentei não me cuspir todo a falar tão perto dos ouvidos.
“Acho que estás a confundir-me. O gajo que dizem que sabe esse o segredo é aquele ali, o segundo gajo à direita e não à esquerda, esse sou eu.”
Olhou para mim como se eu tivesse dito uma coisa parva, o que até era verdade.

“Ah, o segredo é fazer-se difícil, é isso?” havia ali uma desconfiança no olhar.
“Não, o segredo é, primeiro que tudo, fazer a pergunta à pessoa certa” no meu olhar, a haver alguma coisa, só ramelas.

“Ah, são os jogos de palavras” meio riso, meio falta de paciência.
“Não, isso é o Scrabble” meio parvo, meio falta de paciência.

“Já vi que afinal não és a pessoa que procurava” alguma altivez, bastante álcool.
“Ah, se não me dissesses eu não acreditava” basta de álcool, mas há que treinar a altivez.

E lá foi ela, em busca de um segredo que eu lhe podia ter dito que não existia.
E lá fiquei eu, de sorriso nos lábios, porque para ter diálogos nonsense não preciso de ir a lado nenhum. Basta-me falar sozinho.

4.11.09

Face Inculta

Parece que o tema do dia para fazer face à Gripe A, tem também título sonante com pinta de nome de bar de alterne - o processo "Face Oculta". No entanto, este tipo de nomes já não me faz confusão, insensibilizado que estou depois de anos de operações Natal, Páscoa ou Ano Novo com nomes oriundos das mentes mais criativas dentro da Brigada de Trânsito.

Faz-me mais confusão o porquê do nome. Sim, porque a corrupção afecta muitos mais milhões (de Euros, principalmente) do que a pobre da Gripe A. Há toda uma camada de gestores/malta gordurosa de topo que, de empresa em empresa, algumas delas no âmbito do Estado, tem enchido a mula que de tão carregada já deve ter graves problemas cervicais.

E isto da Face Oculta faz-me pensar, algo que só a fome, a falta de dinheiro e outras necessidades básicas costumam provocar em mim. Será que isto da Face Oculta quer dizer que nunca vamos conhecer a cara destas sanguessugas todas? Será que isto tem a ver com o facto de isto ser só um bocadinho do podre total e que são só migalhas para contentar o povo? Será que Octávio Machado sabe do que eu estou a falar?

O problema destas Faces Ocultas é que cheiram sempre a esturro e ou nunca se chega a lado nenhum ou há dois ou três testas de ferro que levam com as culpas e depois começa novo banquete.
Preferia que em vez de mega processos mediáticos, houvessem processos eficazes, que se soubessem onde começam e onde acabam. Mas pronto, sempre me posso ir entretendo com a Gripe A, que pelo menos é mais higiénica e já deu origem a grandes mudanças em Portugal. Nunca se viu tanta gente a lavar as mãos como agora, digam lá que não é progresso.

3.11.09

Ricos Ciber Amigos

Pode não parecer, mas eu até sou um gajo compadecido. Já chorei a ver filmes (nem que fosse por serem tão maus que só se pára o choro saindo a meio), ajudei idosos e até já dei o meu email a pessoas que não aprecio por aí além.

Ora nesta última parte é que a coisa me faz espécie. Powerpoints de gatinhos e bebés fofos? Ok, é o preço a pagar por ter net e haver gente com sentimentos mal direccionados.
As 38 maneiras de uma contorcionista russa te surpreender e outros emails de chavascal? Tudo bem, nunca se sabe quando é que eu posso ter partido as mãos e e ter mais dificuldade a procurar pornografia sozinho.
Anúncios giros e vídeos malucos? Certo, o Youtube é meu amigo, fico feliz por saber (poupem nos anúncios, desses eu já tenho a minha dose).

O certo é que, ao fim do dia, espremido o sumo de uma caixa de email (e nem referi os 43 convites diários para aplicações, causas e etc), muitas não há muito mais que dois ou três emails pessoais mesmo. De gente que nos conhece e investe tempo a escrever-nos umas linhas, seja porque motivo for. Esses merecem o meu respeito, mesmo que seja a pedir-me dinheiro e tenham, por isso mesmo, investido tempo em vão.

E a esses eu respondo, sempre, às vezes com um bocadinho de delay ou não, mediante as vicissitudes (como eu gosto desta palavra) do dia à dia.

AGORA E ESTE “GRITAR” É PROPOSITADO, MAILS VINDOS DE AMIGOS MEUS A DIZER QUE A MICROSOFT/ A AOL / A TMN / O BES / A CHARCUTARIA FRANCESA OU O FRANGO SINATRA DÁ X CÊNTIMOS POR CADA MAIL REENVIADO, NÃO.

Não viram bem, ok, eu repito – NÃO. Mas o que se passa na cabeça das pessoas a pensar que é dinheiro fácil. Se fosse, eles não tinham recebido o mail. Se fosse, eles não andavam a mandar mails destes porque já estavam ricos. E sim, há sempre alguém conhecido nesse mail, que trabalha algures e já ganhou uma pipa de massa, muito provavelmente a ceder o corpo para carícias alheias, porque a mandar mails não foi de certeza.
A desculpa “Epá, não se perde nada a enviar” revela, por detrás da porta nº2, um soco nos dentes, porque se perde sim senhor. Perde-se a paciência por ver vezes sem conta, ano após ano, o mesmo mail saloio a bater-nos à porta do email e por verificarmos que amigos que até tínhamos na conta de inteligentes devem ter queimado um fusível muito recentemente.

Por isso, mandem-me tudo, até o Viagra da vida em doses de embarda, mas por favor metam esses mails milionários no....


Spam.
Obrigado.

2.11.09

Chegou a hora do lobo

Hoje em dia oiço muito menos rádio do que antigamente. A culpa é do computador, do MP3 ou até mesmo do silêncio ao fim do dia, que é cada vez mais uma boa companhia para fazer uma pausa do ruído do quotidiano. Mas, enquanto adepto incondicional de música dos mais diversos tipos tenho com a rádio uma afinidade incontornável. É como aqueles velhos amigos que podemos estar muito tempo sem ver mas, assim que nos encontramos, a separação desaparece com um abraço.

É por isso que hoje, ao saber da morte do António Sérgio, pensei o mesmo que qualquer pessoa pensa quando lhe relatam uma morte inesperada – não é possível. Sou talvez demasiado novo para poder dizer com propriedade que acompanhei toda a longa carreira deste ícone da rádio que não só nos trouxe o “Som da Frente”, mas que ao longo do seu percurso esteve sempre um passo à frente no que ao som diz respeito.

Talvez porque isto de ter uma irmã mais velha não é só desculpa para reclamações de benjamim da família, devo-lhe muita influência de conhecimento musical dos 80’s e não só. Talvez por isso, lembranças da voz profunda do António Sérgio se misturem com a minha infância, tal como a música inovadora ou, utilizando termos da época “prá frentex”, que a acompanhava em serões na companhia da rádio.

Conforme fui crescendo, a voz de António Sérgio respondia sempre presente, aqui e ali, quando ia ter com a rádio para matar saudades. E hoje, adulto de barba rija, mau feitio, mas ainda assim coração mole no que a música diz respeito, não posso deixar de sentir um certo desconsolo por saber que, da próxima vez que lá for, não vou poder voltar ouvir o vozeirão do António Sérgio.

Pura ilusão e egoísmo pessoal, porque há vozes que vivem para sempre, mesmo para além das ondas da rádio.

30.10.09

Porreiro Spa


Dizem que os Spas são coisas de gajas. Também diziam o mesmo dos cremes para a cara. Se esta última fosse verdade, então eu era uma gaja, por sinal aquela com mais mau aspecto à face da terra. Por isso, tento não arriscar muito nesses juízos de valor e investir em coisas mais seguras, como por exemplo raspadinhas.

Agora, o que eu sei é que há muita coisa gordurosa e pseudo-proto-pasto gordurosa por detrás do pensamento de quem dá nome a Spas. E olhem que eu já dei nome a muitas coisas, incluindo à velhota que me deu com a bengala nas costas o caminho todo no autocarro.

Esqueçam nomes simples e directos, até porque só o conceito Spa não chega. Há que mostrar requinte, classe, charme, glamour, natureza, tranquilidade, paz, bem-estar e um coche de cachet. Se for possível numa só palavra e, de preferência que não seja portuguesa. Assim um latinzinho ou um inglês, se faz favor, que a malta investiu nos azulejos e um nome em português não é assim grande espiga.

Ao pensar em Spa, o conceito da coisa atinge-me. Não preciso de banha tipo Relaxus ou Pieces of Zen Mother Nature This is not Cheap Spa para perceber que é bom. O preço, por norma, também ajuda a perceber.

“Ah, meu mafarreco que também deves cortar o cabelo em cabeleireiros pós-modernos, então tu gostas é disso”, dizem os acérrimos defensores do corte de cabelo com faca de mato e esfoliação natural em pedras da calçada que, por mero acaso vieram cá parar ao teclar “Teletubbies” no Google.

Meus caros, vamos com calma que eu sou gajo para cuspir tanto na sopa como na avó que a preparou com tanto carinho. Agora não sou é urso ao ponto de pensar que é um Spa que me vai arruinar a fama de biltre de barba rija.

Especialmente quando de ver tantos nomes possidónios e pseudo-concepts-armados ao pingarelhos fiquei tenso até à ponta dos cabelos. Já me enchiam a tromba de chocolate ou seixos da Islândia do Norte a ver se eu relaxava. Ai já, já.

28.10.09

Como identificar um palhaço


Ser palhaço e ser divertido não é exactamente a mesma coisa. Para já, o tamanho dos sapatos é diferente e depois, num sentido mais literal, ser divertido não obriga a tantos cuidados de maquilhagem.

Fazer rir, até certo ponto, não é algo que se possa aprender na plenitude. Nasce com certas pessoas e o máximo que muitas outras podem fazer é tentar, com muito trabalho, conseguir alcançar um pouco do que os “predestinados” do riso conseguem sem qualquer esforço.
Desconfio quer das pessoas que riem de tudo, sem qualquer critério, quer das que tentam ser engraçadas à força, vulgo palhaços. Quando é natural, o riso/humor é uma ferramenta social do melhor que há, vão por mim que há muito que teria sido retirado do mercado se não conseguisse, aqui e ali, fazer despontar uns sorrisos.

Mas, quando é mal utilizado ou é abusivo, como é natural que ocorra na mão de palhaços, torna-se incomodativo, vive do desconforto alheio, torna os lugares e as pessoas mais pequenas. O riso é contagiante, mas a vergonha alheia também o é.

Longe de mim passar por sumidade na matéria. Sou como sou e se tentasse não ser assim, não era eu (profundo como a Fossa das Marianas). Não acho que toda a gente tem que ser engraçadinha, rezo para que toda a gente não tente ser engraçadinha. Às vezes, os melhores momentos de humor vêm de pessoas que 92% do seu tempo são pouco dadas a esse tipo de atitude.
Vai daí, tenho pouca pachorra para palhaços. Maquilhados ou não. E isso não tem nada a ver com o facto de qualquer pessoa ter direito a fazer humor, seja ele bom, mau ou humorfrodita. É fácil distinguir um palhaço. E não é preciso procurar um nariz vermelho.

Basta ter sentido de humor.

27.10.09

Manipulação, para quando Desporto Olímpico?

Eu gosto, tu gostas, eles gostam...

Não ocupa espaço, as crianças gostam, os velhinhos sem Alzheimer ainda o fazem, faz-se em casa, no trabalho, de manhã, à noite, pelas melhores razões, pelos piores motivos, à grande e à francesa, pela calada, à boca cheia.

Quem não gosta é porque não sabe fazer.

Dêem-me música. Eu gosto.

26.10.09

10 Km em 10 linhas



1º Km - Epá, isto de Algés a Oeiras é um tirinho. Ninguém me pára.
2º Km – Saiam da frente, olha o Expresso. Não pára no Dafundo.
3º Km – Não se arranjam águas? Olha um velhote a ver se me passa.
4º Km – Água! A salvação! Epá o velho abasteceu-se antes de mim.
5º Km – Já vamos a meio, quer do percurso, quer do ataque cardíaco.
6º Km – Ali à frente, é o velho?? Ou é um destes que vai a passar.
7º Km – Água! Água! Se ao menos tivesse força para abrir a boca.
8º Km – Olha, uma senhora com carrinho de bebè. Vai tão rápido!
9º Km – Aquele não é o velho a acenar-me, já a caminho de casa?
10º Km – É a meta? É miragem? Ambulância? Seja qual for, serve.



E assim se passa uma divertida manhã de Domingo junto à Marginal.

23.10.09

Ar condicionado de Babel




Diz a lenda que Deus, chateado com uma cambada de empreiteiros que se decidiram a fazer um condomínio estilo “Paraíso Gardens” numa versão Torre que nunca mais acaba, os lixou à moda antiga. Como? Pondo-os todos a falar línguas diferentes, criando desentendimentos, o que como era de prever fez com que a Torre de Babel ficasse embargada. Para além disso, nasceu também assim o idioma taxista, coisa que muito tem prejudicado a humanidade até ao momento.

Com os ares condicionados no local de trabalho, a história é deveras semelhante. Uma coisa que, teoricamente, poderia ser benéfica acaba por transformar-se num cataclismo de proporções épicas. A miúda descascada nunca se poderá entender com a senhora das doenças. O tipo que cultiva suor em lotes de referência nunca poderá chegar a uma temperatura de consenso com o eterno constipado. A menopausa entra em conflito com o desejo de mostrar o top novo, o gajo que chega sempre atrasado terá sempre mais calor do que o tipo que insiste nas camisolas de gola alta em Agosto.

Traço geral, no mais correcto francês, o ar condicionado é uma merda. E Deus sabe disso, mas como gosta de se rir às nossas custas, nunca há de faltar numa empresa todo um sistema de ar condicionado cuja utilização é tão consensual como a decisão de quem é o gajo mais mal pago.

Com uma agravante, constipa. Lixa-te o sistema. Perturba-te o fluxo de guarda-roupa. E, no meu caso, em que as inteligências supremas que o instalaram meteram a ventilação a sair do chão, gela-me os calcanhares. E isso, meus amigos, não há quem o admita.

22.10.09

Riscos Pedidos

Sinto que às vezes me escapam as coisas de que é verdadeiramente importante falar.


As flores, os pássaros, as crianças que maltratam flores e pássaros.

A paz, as pás e o tudo o que está por detrás.

Os sentimentos, os impedimentos e todos esses argumentos peganhentos.

E escrever poesia, assim com muita alegria, mas com uma fixação doentia, por coisas que rimam com poesia e cheirem a maresia.

Peço portanto a vossa ajuda, e também da minha prima surda-muda.

Que temas andam a faltar no blog? Que linhas fazem mais sentido do que as do comboio?

O que é preciso para não terem de levar com devaneios bucólico-pastoris, dignos de um lirismo pós moderno e de um gajo que certamente vai para o Inferno?



PS - Dica não tomar medicação sem antes verificar o prazo de validade.

20.10.09

Portugal vs Bósnia e o flagelo de Sarajevo

O ano era 1992. Na Bósnia viviam-se tempos difíceis, com os conflitos étnicos entre repúblicas da ex-Jugoslávia. A coisa não melhorou, quando António Manuel Ribeiro dos UHF começou a cantar o seu tema “Sarajevo”. Felizmente, a RTP Internacional ainda não chegava a terras bósnias.
Em Portugal, também se viviam tempos difíceis, especialmente na televisão, onde a Luís Represas lhe era permitido andar à solta com um programa televisivo.

O pior de três mundos junta-se, quando no programa de Luís Represas aparece António Manuel Ribeiro e insiste em cantar Sarajevo. Toda a Bósnia chora, sem saber porquê. Já a audiência do programa também chora, mas aí percebe bem porquê.

António Manuel Ribeiro é um misto de rocker e tipo que vai à missa ao domingo. Às calças de cabedal de rocker estilo Bono colecção de 92, junta uma camisa clássica, porque se é para ir à televisão também não se pode ir numa bandalheira.

Há uma clara falta de ritmo na sua expressão corporal. Não é grave, quase ninguém nota. O seu cabelo, depois de anos sem rumo, concentra todas as atenções.

Os três minutos arrastam-se, “Jugoslávia bonita” canta ele. “Bela trampa” pensarão outros.

Dezassete anos depois, a Bósnia tem oportunidade de se vingar. Num campo de futebol. Sem António Manuel Ribeiro ao intervalo, espera-se.

Se eles vêm com ganas tipo vingança tuga contra Maitê, vai haver molho. E ao contrário da Jugoslávia cantada pelo leather pants dos UHF, não vai ser bonito.

19.10.09

Entrevista a dor

É um facto que gosto de dizer mal gratuitamente. Como é óbvio, preferia que me pagassem para isso, mas visto que até agora ninguém se chegou à frente, vejo-me obrigado a esta espécie de mecenato maldizente.

Mas, dentro dos limites, diria mesmo das alarvidades gratuitas que por aqui vão passando, tento que tenham uma coisa – critério. E a palavra critério, por si, já é um bocado ofensiva, especialmente quando se trata do meu.

Serve este breve interlúdio para ver se consigo encher umas quantas linhas de dissertação psico-técnica antes de começar a dizer mal de entrevistadores. Oh, já comecei, pois então que se lixe.

Não acho que tenhamos os piores entrevistadores televisivos do mundo, mas temos os clichés todos do mundo jornalístico-entertaineador. Tinha para aqui um relambório a analisar alguns dos principais entrevistadores/ tipo de programas, mas não é preciso. Basta que fechem os olhos e pensem num programa/entrevistador, para saberem sempre como são todas as suas entrevistas, salvo surpresas.

Inove-se minha gente, seja-se mais fresco, arrisque-se um milésimo. Não vou dar os americanos como referência, porque em programas do Conan O’Brien ou Jay Leno, aquilo também é muito ensaiado, mas há ali um espacinho para o imprevisto, para a naturalidade. E se querem exemplos mais “sérios”, já vi um “60 Minutos” que acabou com o entrevistador a desafiar o Michael Phelps para uma corrida na piscina de fatinho de banho, mas sem palhaçada. Perdeu, mas ganhou no inusitado, sem deixar de ser interessante e válido.

Vi a semana passada a Grande Entrevista da Judite de Sousa ao António Feio. O momento é delicado, mas a atitude do António é positiva, mesmo num cenário complicado. Em vez de demonstrar, subjectivamente (até porque o entrevistado ajudava) que as doenças mais graves podem ser enfrentadas com positivismo, teve que ser aquele esquema óbvio de 10 perguntas sérias sobre um problema sério, porque o programa é sério.
Nem sequer as dicas de bom humor, como a da Amélia Rey Colaço, foram aproveitadas para aliviar um pouco o peso de estarmos perante um homem que luta pela vida, sem perder dignidade nem interesse para o espectador. Já cada pormenor mais trágico ou mais em cima da mesma tecla do cancro, foi sempre bem explorado. Não digo que seja desrespeitoso ou que as pessoas não queiram saber. Mas...

Fujamos do óbvio, sem por isso fugir da realidade.
Por favor.

Tirando neste blog.

Aqui é óbvio que a realidade é má.
Condiz com o autor.


Desculpem, mas tem que ser assim.

15.10.09

As saladas entre homens e mulheres


Houve tempos em que a salada não tinha muita reputação. Era uma acompanhante, fazia sucesso uma vez por outra, mas não raras ocasiões era posta de lado. Mas, alguém relembrou: quando teoricamente Deus criou a mulher, criou também a salada. E os espelhos.

E as revistas da moda. E umas roupinhas tão giras que é uma pena ficarem na loja.

A verdade é que a salada estava destinada a conhecer a mulher. O Adão foi apenas um pormenor no meio. Até porque o Adão não curtia muito salada e só comeu uma maçã que a Eva lhe impingiu, porque nessa altura fazia de tudo para a levar para a cama.

Mas a mulher, tem com a salada uma relação parecida com aquela que tem com o Homem. Amor-ódio e por aí em diante. Às vezes é tudo o que precisa para ser feliz, outras vezes não a pode ver à frente. Não a preenche, amargura-a, amaldiçoa a sua companhia.
Depois, muitas vezes antes do Verão, fazem as pazes e vão almoçar juntas todos os dias.

Como em todas as relações, a salada também não é inocente. Usando o seu nome, carrega-se de ingredientes sedutores, mas pouco condizentes com a sua posição de salada. Pisca o olho às mulheres e diz-lhes: "Podes ter-me, sou uma salada e serei tudo o que quiseres". Mas de salada só têm mesmo o nome que usam e o número de mulheres traídas por elas não pára de crescer.

Os tempos estão a mudar e elas estão cada vez mais modernas. Hoje em dia também começam a não faltar homens que assumem relações com saladas. Sem pudores, sem medos, é vê-los por aí em público agarrados a saladas, às vezes em grupo.

Mas, ódios e enganos à parte, as mulheres continuam a confiar nas saladas, mais porventura do que nos homens. A razão parece-me óbvia, nas saladas as mulheres podem escolher cada um dos ingredientes, se assim o desejarem. Já com os homens, é uma sorte se ao menos se safarem no tempero.