31.12.08

Reveillon à pression


Por esta altura, algumas pessoas vasculham avidamente os seus contactos de telefone, msn ou até, nos casos mais desesperados, a lista telefónica. Razão para tal – a obrigatoriedade de ter que festejar à bruta a passagem de ano.

Antes de mais, que não se pense que eu não sou adepto de uma boa festança. Aliás, escrevo estas linhas já com um chapelinho “tipo cone” posto e uma garrafa de vodka na mão, só para alegrar a manhã. No entanto, acho que tudo o que é obrigatório tem muitas vezes pouco de festivo.

Já passei o ano a festejar, em retiro espiritual, na rua, em casa, com amigos chegados, com perfeitos desconhecidos, etc. Mas, em todos os casos, foi sempre porque a coisa se proporcionou e eu estava com esse feeling. Se não tiver, não há problema, a escolha é minha. Por isso, olho com alguma desconfiança, não as pessoas que naturalmente festejam esta data, mas sim aqueles que vejo desesperados por arranjar programa.

A sensação de “Epá, o ano vai acabar e se eu não o festejar assim mesmo que nem um leão, o que é as pessoas vão dizer de mim?” é quase tão ridícula como a expressão na cara de algumas pessoas quando te perguntam “Então, já tens planos para o Reveillon?” e tu respondes “Não, nem me estou a preocupar com isso”. O gozo primordial é celebrar as datas que pessoalmente são relevantes. O resto, é programa de ocasião.

Mas, porque também não quero que aqueles que por aqui passam digam que sou um tipo de má índole e não usem uma das doze passas para desejar que este blog continue a ser fonte de luz (negra) para a sua vida, deixo aqui uma simpática sugestão, para quem gosta de fazer balanços de fim de ano, não me referindo obviamente aos derivados do consumo de bebidas alcoólicas.

Não é novidade, mas passem por aqui e mandem a vocês próprios um email no futuro. Pode ser que nessa altura, algumas das baboseiras que andam a prometer a vocês próprios façam sentido. Caso contrário, terão um motivo para ir festejar para esquecer.

Posto isto, vão lá festejar seus malucos. Da minha parte, obrigadinho e até para o ano.

29.12.08

Follow me



stam·pede (stm-pd)
n.
1. A sudden frenzied rush of panic-stricken animals.
2. A sudden headlong rush or flight of a crowd of people.

v.tr.
1. To cause (a herd of animals) to flee in panic.
2. To cause (a crowd of people) to act on mass impulse.

v.intr.
1. To flee in a headlong rush.
2. To act on mass impulse.


Em português - Saldos.

E assim concluímos mais uma lição de aprendizagem. Na próxima aula, Constipated - Gripe, prisão de ventre ou mito urbano?

Natalidade em queda

Se querem saber porque é que cada vez nascem menos crianças em Portugal, podemos já ficar por aqui – tal deve-se porventura ao facto de cada vez mais gente passar mais tempo a ler blogs inúteis em vez de andar a assegurar a sobrevivência da raça lusitana.

Se querem saber coisas que estiveram em baixa neste Natal, então sim, devem aliviar-se um pouco do enfardamento de fritos a que se submeteram e seguir com alguma atenção as próximas linhas

- SMS’s natalícios – Abençoada preguiça/crise dos artistas do costume. Em vez de receber 50 mensagens plenas de falta de criatividade ou então 2 sms criativas, repetidas 50 vezes por arrastão ou até mesmo votos cravados a martelo de um qualquer site inspiracional de 5a categoria, a colheita deste ano foi fraca. E fraco, nesse capítulo é sinónimo de paz e alegria para os meus lados.
- Crises estomacais – O meu estômago que, ao exemplo de um qualquer casapiano, tem sofrido alguns abusos, portou-se este ano como um campeão. Nem mesmo o cheiro ao bálsamo de urina, certamente prenda de Natal, que um idoso ostentava hoje pela manhã no bus o fez vacilar.
- Música no Coração – Posso ter estado desatento, mas entre filmes bíblicos de bradar aos céus e programação tipo farinheira, não vi passar por aí este clássico intemporal que manieta o imaginário de crianças dos 4 aos 400.
- Postais e calendários pintados com o pé, com a orelha, com o lábio superior, a axila ou até com a covinha no queixo. Dá-me ideia de que esses pobres artistas perceberam finalmente que mandar calendários de borla e esperar receber um donativo de volta, em Portugal é estar a pedi-las.

Dado estar a ponderar um jejum de fim de ano para contra-balançar, é possível que na minha meditação me ocorra mais qualquer coisa. Entretanto vou ali continuar a inventar desculpas para evitar passagens de ano foleiras e já volto.

Blink 182, Miss You

23.12.08

Bolas de Natal



Por estes dias, entre declarações anti-consumismo de Natal, intervaladas com corridas às escondidas para comprar prendas para mim, disfarçadas de prendas para os outros, ainda tiveram a lata de me obrigar a trabalhar.
Se é verdade que isso me retira algum tempo para iluminar o vosso mundo sombrio, tal não quer dizer que não esteja atento ao que se passa. Vai daí, aproveito a altura para deixar aqui os meus “Bolas de Natal”

- Bolas que já não posso ouvir a palavra “crise”. No noticiário de ontem na RTP, a palavra crise foi proferida cerca de 259 vezes. Da crise de fígado, ao Pai Natal em crise, passando pela crise de imaginação, parece que tudo o que acontece no mundo deriva de uma crise. Incluindo este post.
- Bolas que o “Australia” do Baz Luhrmann é uma bela de uma banhada. Já o vi em ecrã cinematográfico e entre a intragável Nicole Kidman (sim, é azedume pessoal) e um argumento nos antípodas da coerência e da qualidade, salva-se muito pouco. Talvez só um momento Fá para as senhoras com o Hugh Jackman e um ou outro apontamento de fotografia e humor ocasional. De resto, podem voltar todos para o Moulin Rouge que não se perde muito.
- Bolas para as lembrancinhas. Se não vão comprar uma coisa original (não confundir com cara) ou, no mínimo, interessante, não comprem nada. Já vi tanta gente a comprar livros do cócó que pensei que o papel higiénico nos hipermercados estava esgotado.
- Bolas, para as refeições intermináveis, por isso fujam da mesa, se não têm fome. Nunca se viu gente gorda em campos de concentração, por isso os almoços/jantares de Natal não são prisões e essa desculpa é batida.
- Bolas para as prendas para a última hora. Em vez de gastarem tempo e dinheiro nas mesmas, invistam antes nas desculpas de última hora. Alguns dos meus melhores momentos natalícios surgiram com belas desculpas inventadas à última hora.
- Bolas, que a rede de mupis da Intimissimi goleava a da Triumph e aqui não pesa só o facto de eu achar que a Claudia Vieira é um saleiro com bom aspecto, mas com muito pouco sal lá dentro.

E, finalmente, bolas para quem anda obcecado com os planos da passagem de ano e sente a obrigatoriedade de festejar algo à pressão. Obrigação e diversão juntas são actividades que não combinam lá muito bem, parece-me a mim.

Bem, vou ali enfardar umas rabanadas de vento, enquanto penso como vou convencer algumas pessoas de que eu é que sou uma rica prenda para este Natal.

George Benson – Breezin (para aquele lounge old school de Natal)

17.12.08

Adeus ó vai-te embora


Não tenho jeito para lidar com despedidas emotivas. Nem com despedidos emotivos. Em ambos os casos trata-se de lidar com gente que obviamente não está a funcionar com os cilindros racionais todos e vai exigir de mim coisas que eu não estou disposto a dar. E isto inclui lenços de assoar.

Não pensem com isto que eu sou um traste. Aliás, para quê pensar algo que podem assumir como certo. No entanto, sou um rapaz cortês e sei que é suposto, pelo menos em relação às despedidas, algumas palavras de cortesia visando um entendimento social minimamente aprazível.
É por isso que, em situações triviais, digo “Adeuzinho”, “Tchau” e/ou “Até amanhã” às pessoas com quem me cruzo quando saio por exemplo do trabalho, incluindo aquelas de quem cortava na casaca 10 segundos antes. Não discrimino entre a senhora da portaria e o CEO, leva tudo pela mesma tabela em termos de saudações.

Isto leva-me ao pedido que pretendo fazer. Para mim, as expressões básicas são suficientes para manter a calma e a ordem entre as hostes. Não é preciso grande criatividade ou uma pauta com acordes para que eu tenha alguma consideração por alguém que se despeça de mim. Cenas tipo “Olarilolé, já vais assim é que é” ou “Vai p’ra casinha vai? Então beijinho e cuidadinho” não são aconselháveis, nem valem pontos na caderneta da próxima vez que nos encontrarmos. Aliás, contribuem até para um aumento dos níveis da substância “blaaaaargh” no meu sistema e isso não é bonito de se ver.

Mas, acima de tudo, se porventura nos cruzamos fora deste espaço virtual ou em missivas de paz e amizad, NÃO, mas é mesmo NÃO me usem a expressão “ABREIJOS” em comunicação verbal ou escrita.
É foleira, tem pinta de arranjo de rancho folclórico e é daquelas expressões merdosas que vai pegando tipo moda, primeiro num email, depois noutro, alguém arrisca despedir-se de um grupo assim, a moda pega e o caldo entorna.

Não sei se esta expressão é recente ou não, sei que só de há uns tempos para cá a comecei a ouvir/ler e cheguei a ponderar cegar-me com um garfo ou ouvir folclore afegão até à surdez para não me sujeitar mais a isso.

Querem despedir-se das pessoas? Então façam-no ordeiramente e sem grandes invenções.
Querem armar-se em pequenos saltimbancos criativos e virem-me com expressões dessa cepa? Então preparem-se para correr...

Sound of Music OST – So long, Farewell

15.12.08

Aproveitando a boa vontade da época, para fazer trocadilhos miseráveis

Aquele falecido cantor tinha umas unhas horríveis porque nunca ligou quando lhe diziam “Não Roy Orbison”.

Aprecio aquele futebolista holandês que seguiu os conselhos da mãe quando esta lhe disse “Não sejas Ruud Van Nisteljroy”.

Há gente que acredita no seu potencial, apesar das dificuldades. Imagino a cara daquele miúdo cego quando lhe disseram “Um dia vais ser Ray Charles”.

Isto é apenas um excerto, mas como não quero levar um enxerto é melhor ficarmos por aqui.

13.12.08

Fecha os olhos, vem aí a prenda do amigo secreto

Conhecido pelo seu humor ácido e omnisciência ocasional, eis Mak a ser recebido alegremente por diversos convivas à chegada de mais um jantar de Natal.

12.12.08

Cuisine Flambée



Antes de relatar o próximo episódio, quero salientar que não sou nenhum idiota na cozinha. Reservo essa faceta para a escrita e embora não seja um Vítor Sobral de trazer por casa, tenho os meus predicados nas artes culinárias. Assim é que ontem, decidido e preparado o acepipe, comecei por ligar o forno para o pré-aquecer uns minutos. Sendo a gás, achei que não era preciso deitar lenha lá para dentro. Feito isto, fui ver a trilogia do Senhor dos Anéis.

Mentira, saí da cozinha apenas quatro ou cinco minutos e, quando me aprestava a regressar, notei um certo cheiro estranho no ar. Não sabendo se era a laca da minha vizinha idosa apressei o passo, ponderando também a hipótese de haver alguém a fazer uma fogueira na escada.

Ao entrar na cozinha vi que o meu fogão/forno se tinha transformado numa televisão e estava a dar o épico “Mar de Chamas” dentro do forno. Não tendo o Kurt Russel por perto, resolvi usar os ensinamentos que tanto filme do género me deu. Toca de fazer o papel de herói, pôr um pano húmido á volta do nariz/boca (que importa se era o de limpar o chão) e desligar o gás em tudo o que era possível. Concretizada a tarefa, nada melhor que aproveitar o frio do Inverno para abrir todas as janelas de casa. Felizmente ninguém ligou à polícia dizendo estar um jovem encapuçado de ar suspeito de um lado para o outro numa casa às escuras.

Em seguida, vendo as chamas ainda em plena animação no forno, lembrei-me de mais um grande ensinamento dos filmes de bombeiros. Se o incêndio é de gás, não lhe dês mais oxigénio. Vai daí, optei por não abrir a porta do forno e alterar a ementa para “Tranches de matarruano ligeiramente tostadas” e esperar que aquilo fosse perdendo força.
Vinte minutos depois desta versão de serão à lareira para gente pobre, achei que era altura de pôr água na fervura, de modo literal. Assim fiz e acabei com o incêndio no forno (isto não é um prato típico), mas não com as consequências. À meia noite ainda estava de casaco e gorro, sentado na sala a ver televisão com as janelas todas abertas, a comer porcarias aquecidas no microondas e a pensar que aquele pivete não ia passar tão cedo.

Feito o rescaldo, fiquei no entanto contente por tanto filme me ter garantido sangue frio e conhecimentos. Fico então a aguardar com antecipada expectativa o dia em que um grupo de ninjas me invada a casa. Sei que também nessa situação vou estar à altura...

10.12.08

Um tiro no Pai Natal - Drama em dois actos


Cenário - Numa sala, o convívio entre adultos aborrece Mak e uma criança. A criança por não perceber do que falam os adultos. Mak, por efectivamente perceber do que falam os adultos e ver que é gente que fala do que não sabe.
Depois de tentar convencer infrutiferamente a criança de que os adultos vão apreciar serem pontapeados nas canelas, surge uma conversa alusiva a um tema da época.

Criancinha incauta, crédula e, ainda assim, corajosa - Mak, o Pai Natal vive na Lapónia?

Mak - Não, que disparate. Há já uns tempos que vive na Bélgica.

Criancinha (armada em sabichona) - Na Bélgica? Então é belga?

Mak (armado em parvo) - Não, é pedófilo.

Criancinha - O que é um pedófilo?

Mak - Sabes quando os gajos do wrestling se agarram com força, todos suados?

Criancinha - Sim...

Mak - Um pedófilo faz isso, só que se agarra a putos como tu.

Criancinha -Oh, tu és um estúpido!

Mak (infantil, mas ainda assim maquiavélico) - Tu és mais, porque vais ficar com as culpas.

Criancinha - Que culpas???

Mak interrompe a conversa, faz um gesto brusco e derrama, como que inadvertidamente, o conteúdo do seu copo na parte de trás das calças de um adulto, que conversa despreocupadamente por perto. Diz "Então...", olha para a criancinha, mas não a acusa. Os pais, bastante menos perspicazes que o filho, percebem logo tudo, culpam o miúdo e mandam-no para o quarto.

Pedem desculpa a Mak, que diz que não faz mal até porque estava na hora de ir andando, porque tem de ir entregar um filme.
Tudo acaba bem, a criancinha aprende uma lição de vida sobre a injustiça e o tipo de gente com que vai ter de lidar daqui a uns anos. Mak aprende a nunca dar um serão por perdido antes do tempo.

Band Aid, Do they know it's Christmas

9.12.08

Granda Paio Natal


Muitas vezes as pessoas perguntam-me - "Com tanto tempo para escrever parvoíce, tu vives de quê?". Obviamente, é um tipo de pergunta a que me dá um especial gozo responder mentindo das mais diversas formas, mas nesta época tão especial, onde toda a gente anda ávida por gastar dinheiro, há que ser moderadamente honesto.

Eu vivo de esquemas, mais precisamente daqueles que os meus talentos escondidos me possibilitam. Um deles é a capacidade de convencer pessoas de que são parvas, não parvas por si (embora isso também seja viável), mas parvas quando se lhes apresentam oportunidades em que podem sair a ganhar (e eu também) e não o fazem.

Por isso, jovens damas que visitam este poiso e cavalheiros cujo gosto para oferecer prendas a senhoras é, no mínimo, duvidoso, ponham os olhos no passatempo que podem consultar na PeanutOak e vejam como com um mínimo de criatividade podem brilhar no Natal, fora do registo habitual do abuso de Vinho do Porto.

Os prémios são estes aqui ao lado e não tenham ideias de que as peças são feitas por mim. Para o meu gabarito, só produzo objectos para a Colecção Berardo. Mas podem crer, tenho sempre alguma coisa a ganhar.

5.12.08

Pensamentos à desgarrada

Deus queira que não seja meu fado ir ver o filme da Amália.

4.12.08

A tua língua sabe a peixe?


Além de me questionar sobre se o Cristiano Ronaldo, motivado pela conquista da Bola de Ouro, ponderar alargar os seus horizontes pessoais e aprender mais um idioma – o português ou se o Lobo Antunes, que ainda o mês passado dizia “Os prémios não são dados a quem os merece, nem pelas melhores razões”, vai usar parte dos 118 mil Euros do Prémio Juan Rulfo de Literatura e Línguas Latinas para emoldurar com estilo essa sua citação, outros assuntos mais importantes passam pela minha cabeça.

O termo “linguado”, usado para definir um beijo em que algumas doses de saliva trocam de lar à boleia de línguas marotas, é a modos que algo limitado e irrita-me que haja pouca alternativa no mercado em termos de nome. Ok, é engraçadito o paralelismo entre a língua e o simpático peixe que ocasionalmente faz parte da minha ementa mas, entre imagens mentais mais agradáveis, não consigo evitar que uma boca com cheiro a peixe ou a textura do mesmo assomem em estilo de pesadelo.
Vejam só a diversidade em inglês e afins, segundo a Wikipedia:

"French Kiss - It is also known as tongue kissing, tongue fighting, pash, hooking up, busting slob, mugging it up, making-out, macking on, meeting, shifting, necking, getting into, snog, slipping the tongue, popping tongue, sucking face, swapping spit, deep kissing, getting off with, pulling, tongue wrestling, slug wrestling, tonsil tennis, tonsil hockey, Frencher (Quebec) and frenching. An older name for 'French kissing' is cataglottis, from cata (down), glottis (throat). In French it is simply embrasser avec la langue (literally, to kiss with the tongue) or the slang version rouler une pelle (to roll a shovel), or "rouler un patin" (to roll a skate (as in ice-skate, or roller-skate))."

Entre nós, os cerca de cinco, creio que arranjávamos algumas sugestões para quebrar a tradição. Não vos parece?

2.12.08

O Cérnebro da questão


Não gosto de terroristas, em parte porque, ideologias à parte, me fazem lembrar um bocado o meu primo Cabé. Quando éramos miúdos, o Cabé tinha o irritante hábito de pensar que era o dono do mundo, sendo um pequeno terrorista que explodia por tudo e por nada, quando não lhe faziam as vontadinhas todas.
Contudo, se é verdade que dos terroristas não me posso queixar pessoalmente de muito, em relação ao Cabé não posso dizer o mesmo, já que para além de inúmeros cromos de eleição, me ficou também com umas quantas revistas pitorescas que fizeram as delícias da minha juventude.

Saudosismos ultrapassados, quero no entanto referir que há uma escumalha que me melindra em maior escala que os próprios terroristas - os comentadores de terrorismo. Chateia-me especialmente a cambada do contexto geo-político estratégico and soi on que ocupa minutos televisivos cheios de pompa e vazios em conteúdo compreensível para o cidadão comum. É um pouco como ir ao restaurante e perguntar como é um dado prato, apenas para ouvir em resposta uma elaborada retórica em francês sobre o papel da beringela ao longo dos tempos.

Nesse aspecto, o que eu acho deveras interessante é um tipo de jogo praticado pós qualquer acto de terrorismo que se chama – Onde está o cérebro?
Se um hotel explode, se são feito reféns algures, se há uma revolta num sítio com 8 sílabas e cerca de quinze consoantes ou se alguém não esvaziou os caixotes do lixo em determinado bairro, tem que haver um cérebro por detrás disso. Nunca há a possibilidade de ter sido uma decisão de grupo, algo saído de um brainstorm ou até de uma democrática votação. Não, é sempre fruto da ideia e firme liderança de um iluminado.

Isso é tudo muito bonito, mas só se não conhecermos a espécie humana. Se um tipo se destaca e começa a dar nas vistas, seja numa organização terrorista ou num centro para idosos, todos os outros ou vão querer fazer o mesmo ou lixar-lhe a vida, só para não lhe dar razão. “Ai achas que era boa ideia raptarmos gente num hotel? Que parvoíce, toda a gente sabe que o serviço lá é péssimo. Sempre com ideias descabidas. Acho é que devíamos decidir entre todos, não é sempre o mesmo, não é verdade? Seria do interesse de todos muito mais um piquenique no bosque, seguido de raptos no parque de campismo mais próximo.”

Cá para mim, continuo com a ideia que as torres de NY só foram a baixo porque os terroristas não chegaram a consenso se iam à Estátua da Liberdade, ao Empire State Building ou de férias para a Jamaica. E olhem que não há nenhum cérebro por detrás desta afirmação.