28.11.08

Foge, é fim de semana prolongado



Através de conversas com gente que insiste em responder às minhas evasivas com os seus planos detalhados para a vida e, ocasionalmente, para o fim de semana, percebi que tudo quanto é gato sapato vai para fora nestes três dias do feriado de São Ordenado ou São Subsídio de Natal, consoante os casos. Da pousada romântica, ao retiro espiritual ou até passando pelo destino internacional, há para todos os gostos. Até porque o Estado já deu providência aos bancos e a crise também pode esperar três dias.

Que não se pense que isto é inveja. Basta querer e, todos os dias, me basta um pulinho para estar nos EUA, no Brasil, em Luanda ou em Londres. Tenho é um conceito diferente de escapadinha, já que poucos dias nesses destinos às vezes sabe-me como se estivesse apenas a comer as entradas num restaurante de grande categoria. As pessoas normais, em vez destes paralelismos idiotas diriam apenas “sabe-me a pouco”.

Vai daí instituí um programa diferente este ano. Nestes três dias vou-me enfiar numas barracas algures. Aposto que se conseguir deixar a consciência em casa (que ela até é fraquinha e o frio faz-lhe mal) vou voltar de lá sentindo-me rico, privilegiado e com muito mais amor pelo próximo. Há quem consigo isso de forma mais fácil, mas eu sou bronco e preciso de um reforço extra.
Afinal de contas é Carnatal e ninguém leva a mal.

Talking Heads, Road to Nowhere

27.11.08

Ir de encontro à Gramática

Acreditem, não sou daquele tipo de merdas que corrige cada pormenorzinho que se diz ou escreve por não estar em conformidade com as normas gramaticais vigentes. Em vez disso, sou daquele tipo de merdas que corrige coisas que não estão em conformidade com os meus padrões de sanidade mental e/ou raiva mal contida.

Posto isto, segue-se uma pequena demonstração audiovisual daquilo que pretendo ilustrar enquanto erro comum que já vi acontecer tanto em noticiários, como com o gajo que toma uma bica ao meu lado e até com pessoas que tinha até em alguma (pouca) consideração.

Exemplo 1 – Neste caso, pode dizer-se que os Chefes de Estado FORAM AO ENCONTRO uns dos outros, tirando do Bush, possivelmente por terem visto que ele saiu do WC sem lavar as mãozinhas, na melhor das hipóteses.

>

Exemplo 2 – Nesta situação, o objecto da reportagem FOI DE ENCONTRO ao próprio do repórter. É caso para dizer que foi uma reportagem chocante.



Em função destes didácticos exemplos, não é difícil perceber qual a diferença. Não vamos de encontro a objectivos, a não ser que o objectivo seja exterminar alguém via atropelamento. Por isso, cuidadinho minha gente...

E o primeiro que se lembre de me chamar Edite Estrela que dê graças por poder fazê-lo sob (e não sobre) a capa do anonimato cibernético.

26.11.08

A propósito de filmes bestiais


É certo que jovens tipo o Bugs Bunny ou o Mickey são gandulos que já aí andam há muitos e bons anos e a sua existência faz sentido e tem alegrado a vida a muita criança e adulto. Mas o que me irrita, nos dias de hoje, é ver muito entusiasmo à volta de películas feitas com precisão cirúrgica tipo “A idade do gelo”, “Madagascar”, “Panda do Kung Fu” ou o “Nemo” e muito pouco pela preservação da vida da bicharada real, a não ser para os transformar em tapetes ou deliciosas peças gourmet.
Os estúdios gastam balúrdios para produzir isto ao pormenor, contratando actores de gabarito para dar vozes aos bichos. E royalties para a bicharada? E percentagem dos bilhetes a reverter para que não passemos a falar deles só no passado? É tudo muito divertido, mas não tarda nada são mais os animais na cadeira do cinema do que exemplares verdadeiros das vedetas do filme.

O problema é que as pessoas, para desanuviarem e rirem um bocado são capazes de dar 5 Euros para ver um animal que diz piadas no ecrã (e não me refiro ao Fernando Rocha) mas nem 1 Euro dariam para um fundo qualquer que andasse a ajudar os pandas a não se transformarem em chinelos. Nada contra a diversão, mas muito contra a descontextualização de “Ah, mas nós não temos pandas/pinguins/zebras whatever cá”. Lá dizia o mítico programa da televisão “Os animais são nossos amigos”, evitando sabiamente reproduzir a frase no sentido inverso.

Fábulas com animais já fazem parte da história, mas muito animais também já só fazem parte da história. Não devia ser preciso que um animal como eu (sem direito a filme) é que se tivesse de lembrar destas coisas.

Vão ao cinema, riam-se com os bichinhos, mas depois mandem-lhes ao menos um postal a dizer que gostaram muito. É que eles são bestiais, mas nós também podemos ser bestas.

25.11.08

Reminder - Nunca sorrir no elevador


Costumo acordar bem disposto. Não sei se é a pura consciência de que acordar é o contrário de estar morto ou apenas o desfrutar do facto de ter lençois e não jornais a cobrir-me, mas o facto é que até consigo ostentar um sorriso matinal na fronha.
Ora essa atitude, para boa parte das pessoas, constitui uma fonte de irritação pois “Com que direito este palhaço está para aqui a atazanar-me a manhã com este ar sorridente”. Não sendo eu nenhum santo, confesso que quanto mais macambúzia me parece a pessoa, mais airoso eu fico, especialmente se vir que a coisa a irrita.

No entanto, episódios como o que me sucedeu esta manhã levam-me a repensar a minha atitude. Talvez nem sempre seja boa ideia sorrir logo de manhã. Talvez esse sorriso leve certas pessoas a pensar que estão à vontade. Talvez isso depois dê num lindo serviço...

Ia eu a subir no elevador rumo ao meu estaminé profissional, quando vejo que corre alguém para ainda tentar apanhar o mesmo. Enganando-me no botão, em vez de fechar a porta mais depressa, voltei a abri-la. Pronto, passo ao menos por cortês. Entra em passo rápido uma jovem de tailleur, possivelmente funcionária de uma firma mais respeitável do que a minha. Traz a mala numa mão, o computador ao ombro, um casacão no braço e mastiga avidamente uma bolacha de água e sal.

Com ar cândido levanta os olhos em sinal de agradecimento. Eu sorrio (parvo). Dá mais uma trinca na bolacha e cai um bom bocado no chão. “Vais apanhar essa merda não vais?” penso eu. Não ia, especialmente porque confia no seu pé direito para chutá-la para o canto do elevador. Sente-se observada, levanta de novo a cabeça e depara como meu sorriso bem mais amarelado. Em vez de baixar os cornos, resolve retribuir, mostrando uma instação artística de dentes, ferro e muitos bocados de bolacha.
Reprimo o enjôo, corro para as portas que milagrosamente se abrem e juro para nunca mais.

24.11.08

Feeling of the day

Hoje estou um bocado assim. Não sei se é a gravidade do efeito ou se é o efeito da gravidade.

Ainda bem que trabalho com papel e caneta e não com matracas (a não ser que façamos uma metáfora que inclua gente à minha volta que fale desalmadamento)...


21.11.08

Já tens planos para o terramoto do fim de semana?


Sinceramente, agradeço a quem teve a iniciativa de marcar um simulacro de terramoto para este fim de semana. É uma resposta de mão cheia para quem se queixa de falta de oferta em termos de actividades originais em Lisboa. Isto para não falar que, para um povo que não é conhecido pela sua organização, ter um cronograma de um terramoto, permite presumir que, quando se trata de desgraça, estamos sempre prontos para a rambóia.

No entanto, tenho um reparo a fazer. Com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo, as sobreposições de eventos acabam sempre por suceder e é aborrecido para quem quer fazer parted a festa. Por exemplo, neste momento estou indeciso entre ser soterrado amanhã num aluimento de terras nos Prazeres ou ficar encarcerado no túnel do Campo Grande.
Domingo, a história repete-se… juntam-se uns amigos para constar numa lista de desaparecidos no rebentamento de uma conduta de água ou uma explosão numa superfície commercial é melhor para passar uma tarde em grande.

Embora aquela sensação de surpresa de terra a fugir debaixo dos pés esteja perdida no meio de uma agenda que tem tudo previsto ao milímetro, até apetece ser vítima de uma catástrofe natural em Lisboa. Espero que as equipas de reportagem da TVI também levem as coisa a sério e ponham em prática o dramatismo tradicional. Não é por ser a brincar que vão começar a desiludir as pessoas.

Por isso, meu amigos, escolham bem a vossa actividade para o fim de semana e, quem sabe, talvez nos encontremos num qualquer cenário de crise, maca de ambulância ou cama de campanha espalhados aí pela capital.

Com tanta emoção e planeamento desta vez, isto só prova que quando as coisas correm mal é porque as pessoas não planeiam as catástrofes como deve de ser. Depois queixam-se que não teve gracinha nenhuma…

20.11.08

Tragédia Queirosiana

Até agora, o conceito de tragédia queirosiana aplicava-se maioritariamente à obra referente à Rua das Flores. Hoje em dia, a expressão é extensível a cada jogo da selecção nacional, o que até seria positivo se a coisa incentivasse ao gosto pela literatura nacional.
Embora isso seja pouco previsível, da maneira que isto corre, para muita gente poderá causar menos sofrimento ler durante 90 minutos a ver um joguinho do grupo de jogadores que alinha num conjunto chamado Portugal.

É o que dá terem ido buscar um senhor que faz parte do bando dos ex-bigodes. Para mim, gajo que tenha usado bigode e por outros motivos que não legais o tenha deixado de usar, é sempre de suspeitar. Ou se é homem e se usa bigode contra tudo e todos ou se é um rato (como eu) e nunca se usa bigode. Ficar a meio caminho é coisa que não lembra ao demo. Vide exemplos: Artur Jorge, António Oliveira, Humberto Coelho e Carlos Queiroz.
Só o Scolari, com os defeitos todos que possa ter, se manteve fiel e inclusive reforçou o estatuto com adjunto de bigode.

Tenho amigos que ainda têm a crença que isto é apenas um mau começo e o futuro será risonho. Também tenho amigos que acreditam que o mundo vai acabar em 2012 e outros que acreditam que o Governo nos põe coisas na água. Por aí se vê o que eu confio nos meus amigos.

Em honra da banhada dos 6-2, fica este magnífico tema de Jorge Ben Jor, em que se pode adicionar a palavra Golos no fim da frase – Chove Chuva

18.11.08

Aspira dores de ouvidos


Estudos científicos desenvolvidos por uma entidade idónea e competente, vulgo eu, concluíram que o aspirador contribui de forma decisiva para a poluição sonora citadina. Através de uma observação experimental continuada, este painel singular concluiu que a exposição continuada a este utensílio pode causar surdez e irritação por transferência em cidadãos não munidos de leitor de MP3.

Só assim se explica que as pobres senhoras das limpezas que regressam a casa de manhã nos transportes públicos falem umas com as outras como se estivessem a 100 metros de distância, quando na realidade vão coladinhas.

E olhem que eu não quero saber que a Claudina não faz nada e reclama muito. Nem que o filho da Odete lhe tira o dinheiro todo para gastar em droga.

Não quero mesmo. Juro.

17.11.08

Desavenças Conjuncionais



Tenho ideia de que ela já suspeitava disto. As pistas foram-se acumulando e, chegada esta altura, já não era possível continuar a esconder. Este fim de semana ganhei coragem e admiti-lhe: "Olha, não sei como aconteceu, mas o facto é que aconteceu. Quero que saibas, aqui e agora, pela minha boca que há já dois meses que sou amante da perfeição".

Levei uma bofetadita tolerante, mas ainda assim vigorosa. Há piadas que não fazem sentido ao domingo de manhã...


Mr. Bungle, Pink Cigarette

14.11.08

São duas carcaças, um pão de Mafra e terapia emocional por favor



Sou a favor do comércio de bairro, nomeadamente mercearias e padarias, e não é por causa do saudosismo e apego às tradições de antigamente, que fazem chorar qualquer calhau, tirando eu.
Tudo bem que os preços são elevados face às grande superfícies mas, pelo que observo regularmente, não se deve arranjar psicanalista mais barato. Bem vistas as coisas, onde é que se arranja uma boa consulta pelo preço de pão para almoço e jantar?

Entre os cumprimentos da praxe, o pedido e o acto de pagar, pode-se desabafar sobre problemas em casa, sobre a solidão, sobre a incerteza do futuro profissional e até sobre o facto da senhora do Corsa Azul andar mais arranjadinha. O merceeiro/padeiro não vai reclamar e vai fingir-se atento, pois a clientela tende a rarear nos dias que correm e boa parte dos outros fregueses vai sentir-se satisfeita por poder participar num painel clínico em que opiniões acutilantes como: “Deixe estar, vai ver que amanhã se Deus quiser já se sente melhor”, “Olhe, eu sei bem o que isso é, lá em casa é a mesma coisa” ou “Isto está cada vez pior, é viver cada dia o melhor que se pode, porque nunca se sabe o amanhã” são valorizadas ao nível dos melhores medicamentos.
Mas, apesar de apreciar sinceramente que aquela corja se despachasse e me deixasse comprar um simples croissant em menos de dois minutos, eu compreendo e encorajo esse comportamento. É que posso não ter pachorra para estes filmes, mas mais vale gastar o dinheiro em couves e vianinhas do que em psicanalistas duvidosos.

13.11.08

Ocultamente famoso

Não é raro termos prova que Lisboa é um centro atractivo para a elite místico-intelectual africana. Já falei disso e, quase todos os dias, chegam às nossas mãos panfletos falando sobre as capacidades destes Professores, Mestres e afins. Embora não sabendo em que tipo de Universidade se dão as cadeiras de Cura de Impotência via Telefone, Análise de Azares I, II e III ou Resolução Prática de Problemas Amorosos, gosto de utilizar o exemplo destes senhores para mostrar que a teoria de que só temos cá mão de obra africana não qualificada é claramente falsa.

No entanto, quis o destino e talvez algum azar amoroso do meu pára-brisas que um folheto do imponente Professor Karim ficasse preso no meu carro. Embora não vos mace com a secção do mesmo em que ele mencionava curar tudo, desde ressacas a problemas da vida, passando por nódoas espirituais na alcatifa, houve uma capacidade deste catedrático que me surpreendeu. Vejamos:




Portanto, apesar de fazer trabalhos ocultos, um termo que leva o comum mortal a crer que ninguém saberá que foram feitos ou quem os fez, o Prof. Karim alardeia fama junto de personalidades do mundo inteiro. Ou seja, o seu anonimato na área do oculto é mundialmente reconhecido.

Concluindo, em jeito de repetição, se alguém quiser um trabalhinho que ninguém saiba que foi feito ou por quem foi feito, toda a gente sabe que o o Professor Karim é o a pessoa certa para o fazer. Digo eu, que pouco sei.

Confuso? Nem tanto, se tivermos em conta que a lógica também é uma coisa muitas vezes oculta neste ramo.

12.11.08

Vais ou precisas de um empurrãozinho?

A simplicidade é uma coisa bonita. Eu, que tanto trabalho já tive a tentar dar nomes a coisas, devia aprender com este exemplo. Ora bem, se temos um encontro grande, mas assim mesmo para o grande, com muita gente, que nome é que lhe vamos dar - Humm, humm, deixa lá ver, hummm, humm... JÁ SEI!!!!

E eu a pensar que o Inatel tinha ficado radical e ia fazer uma espécie de festival de bandas da pesada ou, em alternativa, uma competição de carrinhos de choque e deparo-me com isto...



Imagino conversas pós evento: "Nem imaginas com quem dei de caras no Encontrão" ou "O Encontrão soube-me a pouco, esperava algo mais forte". Cambada de artistas, encontrão a sério é nos transportes todos os dias, agora vêm-me com histórias de teatrinho...

Salt n'Pepa - Push it

11.11.08

História da Desumanidade



Não é para me armar em José Hermano Saraiva, mas surge-me uma pertinente questão histórica - Em termos de armas de arremesso, serão mais antigas as catapultas ou as crianças filhas de pais desavindos?

10.11.08

Conduzindo ao fim de semana


Conduzir ao fim de semana devia ser uma experiência libertadora. Livres de pressas e da maralha que, de segunda a sexta, preenche as avenidas e ruas de Lisboa, seríamos nós, o carro e o prazer da condução descontraída. O problema é que todo o velhote desprovido de Alzheimer pensou exactamente o mesmo.

Eu sou um tipo paciente, não buzino freneticamente mal o semáforo abre, não gesticulo quando o carro da frente vai abaixo e solto apenas ligeiros impropérios perante a ausência de piscas em manobras que o requerem. Acima de tudo, não discrimino o condutor de fim de semana porque, traço geral, é exactamente ao fim de semana que eu conduzo. Mas, há algo no condutor idoso perigosamente à beira da senilidade que me tira do sério.

É certo e sabido que, com a idade, os reflexos diminuem, a memória de curto prazo idem, isto para não falar na visão periférica e na dentição natural. Tendo isto em conta, porque raio é que a maior parte dos velhos que conduz ao fim de semana tem carros cujo tamanho se inclui quase na categoria barco? E não me venham os defensores da terceira idade dizer “Ah coitadinhos, é o carro que têm há muitos e bons anos”. Não é, porque este fim de semana foram Mercedes recentes e Volvos brilhantes que à minha frente desafiaram a lógica das manobras de condução e a minha paciência. Foram BMW’s, Rover’s e outros que tais cuja juventude contrastava com as carcaças ao volante e cujo ar veloz e reluzente surpreendia pela imobilidade com que bloqueavam ruas, cruzamentos e a minha felicidade e descontracção.

Caro idoso, se me lês enquanto preparas a camurça para encerar o teu bólide de fim de semana, aponta isto antes que a falta de memória se imponha. Que tal comprares um carrito pequeno, que não perturbe a tua mobilidade (e também a tua barriguinha) mas também não lixe a vida a quem só quer ser feliz ao fim de semana? Melhor ainda, liga ao teu filho, que a tantos sacrifícios te obrigou, relembra-lhe isso mesmo e pede-lhe para te levar ao jardim ou a almoçar fora no domingo. Tudo bem que o facto de ele ter emigrado para Inglaterra pode ajudar a que não te dê boleia, mas esses 10 minutos ao telefone podem ser os suficientes para não nos cruzarmos na estrada, no caso de insistires em trazer o barco para a rua.

Como diz aquele grupo de pirosas vestidas estilo contentor da reciclagem “Fazes-me esse favorzinho, fazes?”
É que, ao contrário delas, eu tenho cabedal para te furar os pneus...

8.11.08

Erro de perspectiva



Meu conhecido há algum tempo e embora extremamente interessante e merecedor de leitura atenta, este livro de 2003 do Paul Arden continua a ter, a meu ver, uma clara lacuna do ponto de vista da abordagem. É que, para fazer sentido a 100%, o título deveria acabar em "it´s how to make people think you're good".

Hoje em dia, mais fácil do que ler diversos livros de interesse, é comprar esses mesmos livros e dizer que os temos. Poupamos tempo, enchemos estantes e basta ler a contracapa para poder usar isso e passar por culto. De fachada, mas culto.

7.11.08

Aldeia dos Artesãos - Reserva Natural para Profissões em vias de extinção


Olho à minha volta e denoto uma certa preocupação com o futuro de certas espécies animais, cada vez mais ameaçadas de extinção. Tendo em conta que nos planos do catolicismo não há ressurreição para a bicharada, tal atitude vê ainda mais reforçada tanto a sua necessidade como a sua nobreza.
No entanto, não vejo preocupação semelhante em Portugal quando penso no maior animal de todos, vulgo nós, e em algumas das suas espécies mais exóticas. E, antes que algumas mentes divaguem, não me refiro a strippers e a maus actores, espécies essas que me parecem em claro crescimento.

Falo dos sapateiros e dos amoladores, de marceneiros e outros que tais, cujos últimos exemplares já se contam quase pelos dedos das mãos e, nalguns casos, só já os avistamos a serem torturados em reportagens de noticiário com música de fundo melodramática. Diria mesmo que as hipóteses da maior parte desses artesãos encontrar um discípulo que seja e assegurar “descendência” são quase proporcionais às chances de eu me tornar campeão nacional de breakdance .

Por isso, não percebo porque não se criou ainda um parque semelhante, por exemplo, ao Badoka Park onde estivessem reunidos alguns dos artistas que restam nos mais diversos mesteres, homens e mulheres, num cenário tipo Aldeia dos Artesãos onde pudessem conviver com jovens rústicos e rústicas, sem aspirações pós-modernas, tendo em vista a sua reprodução controlada em ambiente vigiado.

As cri(anç)as sorveriam todo um ambiente de artes tradicionais, a par de umas boas chapadas para uma educação à antiga, aumentando assim exponencialmente as hipóteses de sobrevivência da raça. O parque seria aberto às visitas de crianças e adultos, mas apenas os primeiros teriam contacto directo com os artesãos. Primeiro, porque é muito mais divertido descobrir por si só, espécies estranhas sobre as quais só ouvimos os nossos avós falar. Segundo, para evitar que empresários do Norte e jovens freaks com a mania que são muito retro perturbassem os rituais dos espécimes protegidos.

A Aldeia dos Artesãos daria ainda a hipótese aos pais de, no final da visita, doarem os seus filhos para património da aldeia, caso tivessem comprovativos financeiros que atestassem a sua falência técnica, o sobreendividamento ou a hipótese clínica de que o miúdo nunca viesse a ser jogador da bola. Deste modo, não só se aumentava o número de potenciais artesãos adoptivos, como se reduziria o número de crianças a caminho de uma adolescência que não augura nada de bom.

É certo que ainda faltam alguns pormenores a este projecto, mas se algum governante deste país faz deste blog a parte mais útil do seu dia, é bom que esteja a tirar notas. É que, com uma ideia deste gabarito a germinar, depois ainda se admiram quando eu me rio quando oiço dizer que faltam ideias para o país...

The Tokens, The lion sleeps tonight

6.11.08

Queres ser rico? Vai morar para Batman



Numa iniciativa que tem tanto de absurda como de genial (um pouco à imagem deste blog), a o presidente da câmara da cidade turca de Batman está a pensar processar Christopher Nolan, realizador de "Batman Begins" e "Dark Knight", assim como o resto da turminha de Hollywood e empresas afins, por apropriação e uso indevido do nome Batman.
Embora eu considere que isto faz do senhor um verdadeiro Joker, não deixa de ser uma manobra de marketing muito apropriada do ponto de vista turístico para a bela localidade de Batman. Não faltarão com certeza maluquinhos vestidos de lycra e couro a fazer já grandes planos para as próximas férias em solo turco.

Sabendo eu da tendência para o chico espertismo dos autarcas nacionais, creio que depois desta notícia pouco faltará para assistirmos a um processo da freguesia algarvia de Sagres à Central de Cervejas ou da freguesia de Casa Branca aqueles bandalhos dos americanos, por uso abusivo do seu nome para alojamento de indivíduos que clamam ser presidentes.

Não digam que eu não avisei...

5.11.08

Preto no branco

Para que depois não digam que eu não sou um gajo atento ao que se passa no planeta, eis o paradoxo:

Nunca um dia negro trouxe tanta expectativa positiva ao mundo*.






*Incluindo à Dona Alzira, que tomou o pequeno almoço no café a meu lado e disse estar muito contente pelo Sr.Alfama que lhe fazia lembrar um moço dos Correios que tinha sempre um sorriso para ela.

4.11.08

Os unidos da América


Como devem ter reparado, estive em recolha nos últimos dias. Afinal de contas, hoje era um dia importante para mim, já que ia ajudar a decidir o futuro de uma das nações mais poderosas do mundo. Levantei-me logo pela fresquinha e dirigi-me à embaixada americana, para exercer o meu direito de voto.
“Sorry, no can do” disse-me um simpático cônsul, acompanhado de dois amigos armados até aos dentes, que arrisquei serem militares. “Então, mas as eleições não são hoje amigo?” perguntei com ar estupefacto “Não é hoje que decidimos se pomos o Barraco Alfama ou o fóssil na Casa Branca?”. “Yes, but isso é só back in the States. Here a votação já foi, last week...”.

Nessa altura comecei a enfurecer-me “Mas, e ninguém avisa??” disse, elevando a voz. No entanto, acalmei-me logo quando os amigos de metralhadora deram um passo na minha direcção. “Well, nós avisámos, mas tu não seres american. Por isso, like we say in our country, fuck off, que eu já estar farto de portugas que think que têm the right to vote for the President of the Universe”.

Acompanhado por dois matarruanos e várias peças de artilharia, vi-me frustrado de novo no meio da rua. Então, tantas notícias, tantos enviados especiais, tanta reportagem detalhada on the spot sobre onde o Obama corta o cabelo, sobre o tipo de parafusos que o McCain tem no corpo ou a distância em metros entre cada divisão na Casa Branca, isto para não falar no que come o periquito do sobrinho do vizinho do tio avô da cunhada do McCain e, no final de contas, isto não tem directamente nada a ver connosco.

E pronto, decidi, já não tenho pachorra para quem vive as eleições dos camones como se fossem as nossas. Ou melhor, vejo muito mais conversa, estudo e reportagem e análise detalhada feita por portugueses do que quando as eleições são em Portugal. Amigos, os senhores são importantes sim senhor, mas não vem de lá o Messias que vai transformar pedras em McDonalds e dívidas em rolos de notas. NÓS NÃO VOTAMOS E NÃO DÁ PARA TROCAR O CAVACO E O SÓCRATES PELO MCCAIN E O OBAMA.
Por isso, acordem para a vida.

Já agora, vão mas é ver se têm dinheiro no BPN e deixem-se de tangas.

Presidents of USA, Lump