31.8.08

Cada um é como é e eu sou como vocês quiserem

Existem actualmente em Portugal blogs suficientes para que, mesmo que já não se escrevesse nem mais uma linha, uma pessoa pudesse passar ininterruptamente o resto da sua vida a lê-los. Do íntimo e pessoal ao descontraído e trivial, do elitista ao brejeiro, do teor sexual ao teor angelical, a escolha é infindável.

Com mais ou menos seguidores, a verdade é que cada vez mais pessoas são, hoje em dia, produtores de conteúdos. E, quem produz conteúdos, tenham eles a qualidade que tiverem, tem por norma um objectivo mesmo que não o admita - ter uma audiência.

Chegado a este ponto, é justo que explique o que esta teorização tem a ver com o título do post. É que, tendo também eu o cargo de produtor, decidi que está na hora de dar um novo cunho a esta produção e quero que finalmente a minha audiência (sim, vocês os cinco) me conheça melhor. Até agora, para além de trivialidades, trocadilhos e humor sarcástico de indubitável craveira mundial, creio não ter sido sincero o suficiente, abrindo as portas da minha vida. Como tal, está na altura de vos compensar. Com esta ideia em mente, achei que era pobrezinho chegar aqui e expor-me de uma vez só, com as minhas alegrias e problemas, os meus dilemas e sentimentos. Por isso, visto que também é verdade que cada vez mais são as audiência que determinam o rumo dos conteúdos, vou deixar-vos escolher quem querem que eu seja.

Garanto que uma das opções é verdade, mas na Internet a verdade esconde-se por detrás de um teclado, por isso tudo pode acontecer. Durante uma semana, cada um dos meus eus irá publicar um texto. A votação final ditará a verdade.

I-Sound, Tiga, You gonna want me


PS - Não se fiem nas pessoas que aqui comentam. Nunca vi qualquer um deles mais gordo, até porque os meus amigos de verdade pensam que sou analfabeto.

29.8.08

Itália-Nepal, conflito de garfo e faca

De modo a não ter que suportar algumas companhias indigestas, tenho por hábito procurar restaurantes exóticos para despistar os fieis dos bitoques e febras, sempre que tal é possível.
Nesta vasta procura gastronómica tenho sido alvo de algumas surpresas agradáveis e ocasionais digestões desagradáveis, sempre de espírito (e boca) aberta. No entanto, confesso que me intriga um conceito de restaurante fácil de encontrar em Lisboa, o Italo-indiano ou Italo-nepalês, consoante a zona da pinta na testa da cozinheira.

Quando ouvi falar deles pela primeira vez, fiquei maravilhado. Cozinha de fusão ao mais alto nível pensei eu, Chamuças estilo calzone, Pizza de caril, onion bahji com fusili, madras de mozzarella ou bebinca estilo tiramisu foram logo pratos que me ocorreram. Da primeira vez que lá entrei, a desilusão – menus separados, nem uma experiência de aproximação e nem sequer um mix decorativo, tirando o bigode à mafioso do empregado indiano.

Foi aí que pensei, mas porquê esta junção? A Itália e o Nepal são tão vizinhos como Portugal e o Iraque e eu ainda não vi por cá Cozido à Saddam. O Nepal não tem qualquer história de ocupação italiana e o facto do Marco Polo ter estado na China não significa que tenha ido lanchar ao Nepal e deixado por lá umas receitas.

A resposta tornou-se então óbvia – o italo indiano serve para que os fieis do bitoque e das febras me possam seguir até lá, essencilamente porque uma pizza ou um esparguete à bolonhesa são o limite dos seus desvarios alimentares. E a malta dos Himalaias tem assim uma opção barata para não perder clientes. O que é tudo muito bonito, tirando para mim, que gosto de cada macaco no seu galho ou no seu prato, se preferirem.

Por isso, amiguinhos do Ghandhi que gostam de piscar o olho ao Eros Ramazotti, fica aqui o meu aviso – já tolerei a história da gastronomia italiana, não vou perdoar a inclusão de bitoques no menu.

Fusion Sounds – Panjabi MC, Mundian to Bach Ke (Knight Rider Remix)

28.8.08

O meu Portugal dava um filme

O nosso país tem uma estranha forma de ser, como já dizia a outra senhora. Apesar disso, ainda quero acreditar que noutros países também possam existir fenómenos estranhos semelhantes aos nossos, excluindo obviamente o Fernando Mendes do Preço Certo.
No entanto, todos os dias surgem histórias que não deixam de pensar que a “5a Dimensão” tem uma sucursal em Portugal e que podíamos produzir caixas de DVD's com os melhores episódios. Senão vejamos três exemplos:

- A Justiça está mais pobre – É certo e sabido que o processo judicial em portugal é assim para o pobrezinho e sobrevive com muitas dificuldades. Não era preciso vir um grupo de facínoras (termo também usado esta semana para comentar ténis no Eurosport) e levar para casa a Caixa Multibanco que está DENTRO do tribunal de Cascais, essa zona de alto risco.

- O culto da violência – Ao que parece, a violência doméstica tem aumentado entre licenciados (refira-se que também há mais homens a sentir os efeitos na pele). Isto significa que, para além do desemprego, quem é licenciado enfrenta agora uma forte probabilidade de enfardar porrada como sobremesa num serão a dois. Ao que parece, massa bruta e massa cinzenta afinal podem ser sínónimos.

- Wordjacking – Ninguém resiste a uma moda verbal. Por isso, quando um termo pega, pega de estaca até que surja outro mais apelativo e mais na berra, seja no domínio do calão ou na linguagem corrente. Daí que actualmente já não se assaltem viaturas, mas se faça carjacking ou que grande parte da malta jovem utilize a expressão LOL na escrita, mas não saiba sequer o que quer dizer cada uma das letras, preferindo a resposta simplista “Ah, isso é risos”

Bem, tenho que ir fazer o almoço, porque não há maneira de conseguir abrir a caixa e se ele não está pronto quando a madame chegar a casa levo no trombil com a moldura do canudo. E ir fazer um carjacking no parque com a cara num bolo não é vida para ninguém.

Vampire Weekend, The kids don’t stand a chance

26.8.08

Passando pelas brasas


Fez ontem vinte anos que grande parte do Chiado foi devorada pelas chamas. Lembro-me de ser na altura um puto (agora sou apenas infantil) e pensar: "Epá, normalmente estas desgraças só acontecem noutros países. Será que isso quer dizer que hoje não há desenhos animados?". Como vêem, era uma criança matura, capaz de suavizar uma tragédia recorrendo a outra, neste caso a animação de leste que nos era proporcionada pelo Vasco Granja.

Não pondo em causa os danos e prejuízos de várias ordens que muita gente sofreu por causa do fogo, em certa medida o incêndio foi a "salvação" do Chiado. E isso passou essencialmente pela modernização da arquitectura, combinando fachadas antigas restauradas com uma planificação moderna, recuperando o que era viável e fazendo desaparecer o que já estava moribundo, mesmo antes do incêndio. Isso garantiu-nos que, hoje em dia, o Chiado seja uma zona "viva" rodeada de áreas moribundas, especialmente de noite, com a clara excepção do Bairro Alto, pelas razões óbvias.

O fogo está acima da lei e, tirando o incoveniente de ser o amigo favorito dos pirómanos, fez aquilo que políticos e interesses não permitem - Criar uma base para requalificar áreas fulcrais de Lisboa. Quem viver em Lisboa sabe certamente que, abaixo do Chiado, a Baixa à noite é fantasma onde, na maior parte dos casos, só residem idosos em habitações degradadas e onde não se vê vivalma ou às vezes se deseja que não se visse vivalma.
Lojas, serviços, restaurantes e pastelarias fecham maioritariamente às 20h e a partir daí, o cenário é para esquecer, especialmente no Inverno, em que só as luzes de Natal disfarçam o estado do morto-vivo. Se a baixa ainda é o coração da cidade, então é melhor fazer como em relação à Amy Winehouse e ir escrevendo o obituário, porque o pacemaker do Chiado não serve para tudo.

Puxar um fósforo nunca será uma solução válida, mas que às vezes apetece, apetece.

25.8.08

Atletas modelo

Depois de quinze dias acabou o regabofe. Depois de já se terem começado a formar pelotões de linchamento prontos a fazer “Atleta Português à Pequim”, na sequência de novos recordes nacionais de desculpas esfarrapadas alcançados em catadupa, bastou um salto de categoria para apaziguar as massas e levar de novo ao contentamento nacional.

A grande medalha de ouro do jovem Évora, somada à prata da Vanessa (que só pelo facto de ter o pai a berrar ao longo do percurso olímpico merecia uma medalha) serve para equilibrar a balança dos “Na caminha é que é bom”, “Os estádios cheios bloqueiam-me”, “Este não é o meu tipo de competição”, “Elas pareciam que treinaram só para me lixar” ou “Aviei o tipo que me roubou a namorada, já fiquei satisfeito”. Pelo meio fica gente que deu o litro, mesmo sem ter ganho medalha, e que fica na zona sombreada da fotografia. A malta precisa de herois e vilões, tudo o resto fica sempre para segundo plano.

A mim chateia-me o facto de sermos sempre simpáticos e resignados, mesmo quando perdemos. A satisfação de conhecer a muralha da China e a antecipação de grandes manobras sexuais para compensar uma eliminação precoce não devia anular completamente a sensação de “mau perder”. Ele houve atletas coreanas de andebol a ficarem meia hora em campo em protesto pela derrota, ele houve lutadores suecos a tentarem agredir juízes e a atirarem medalhas ao chão, para não falar do artista do taekwondo que aliviou a sensação de derrota usando a cabeça do árbitro como piñata ou a perseguição a ginastas chinesas de idade duvidosa. Em suma, houve resmas de artistas de gabarito na arte do escasso espírito olímpico. E nós? Só choramingas e bons rapazes e raparigas...

Já que tivemos de nos contentar com um honroso 45º lugar na tabela das medalhas (sim, anda aí gente feliz a usar o termo medalheiro mas para trocadilhos lastimáveis, já me bastam os meus) ao menos podíamos ter atletas destas para compensar a moral – Leryn Franco, paraguaia de 26 anos, competiu no lançamento do dardo. Em vez de fazer a barba, bater no marido ou fazer corar de inveja alguns estivadores graças à sua largura de ombros, Leryn ocupa os seus tempos livres de outra maneira. Uma vez que o Comité Olímpico Paraguaio não nada em dinheiro, esta jovem faz trabalhos de modelo para financiar o seu programa de treino e, ao que parece, a coisa tem resultado. Pelo menos na área da moda, já que infelizmente a jovem não passou das eliminatórias. Mas, verdade seja dita, poucos estavam a olhar para onde caía o dardo...



Mas pronto, a festa acabou e tanto a China como alguns atletas portugueses podem suspirar de alívio porque os focos vão para outro lado. Desta já estão safos, valha o Nélson e a Vanessa a uns e o Beckham aos pontapés a outros.

Triple Sound Jump – Audioslave, Nothing left to say but goodbye

19.8.08

Fosso Olímpico

Continuo a defender que, em termos de JO’s, mais importante do que ganhar é participar. Nem que seja na criação de piadas sobre a comitiva portuguesa.

Sabem porque é que a comitiva portuguesa se vai reunir no Algarve em Setembro?

Porque muitos deles ainda acreditam que é possível chegar ao bronze.

18.8.08

É favor não preencher o vazio


Sou uma pessoa que gosta de combater as suas fobias. Posso dizer até que comecei por vencer o terror de escrever vulgaridades de embarda criando este blog. Creio que me tenho saído bem, Desta forma, sendo eu também Algarvofóbico, haveria melhor maneira de ultrapassar isso, do que passar lá um fim de semana grande em Agosto?

A verdade é que me diverti à grande. E nem é preciso incluir os 4 milhões de amigos que fiz em pouco mais de dois dias de praia, enquanto nos divertíamos a tentar descobrir de que cor era a areia, por entre aquela manta gigante de toalhas coloridas. Ou falar das grandes virtudes do bikini brasileiro, que nos faz ir às lágrimas, quer o 86-60-86 corresponda às medidas ou à faixa etária das utilizadoras. Ou referir até a forma como os espanhois são uns porreiros e a menos de 10 kms de distância põem a gasolina 30 cêntimos mais barata só para terem o prazer de nos dizer um hola.

Em suma, tudo correu às mil maravilhas, sem sequer ter sido preciso falar inglês. É o que dá ir em boa companhia e, neste caso, creio poder falar por todos os que tiveram a sorte de me ter por perto. Mas atenção, tal não invalida que este destino de Verão continue num honroso 203º lugar nas minhas preferências, mesmo entre o Darfour e a Ossétia do Sul.

Mas, o melhor de tudo está no regresso a Lisboa. Verificar que a cidade está assim para o vazia traduz-se numa alegria que quase me faz esquecer que já não tenho férias. Acho que é este vazio em Agosto que torna a existência do Algarve mais compreensível. Ele existe para que pessoas como eu possam apreciar Lisboa sem a sua segunda pior praga a seguir aos pombos – os seus habitantes. E isso, meus caros, vale ouro.

Ecoando nas ruas – The Streets, The Escapist

14.8.08

Dá cá um Beijing, dá cá, dá cá

Uma vez mais esta actualização vem atrasada mas, compreendam-me, entre provas de canoagem, ginástica, luta greco-romana e de vinhos é fácil uma pessoa desnortear-se. Aproveito então a ocasião para terminar a minha análise aos comentadores olímpicos, sempre a anos luz do mítico Gabriel Alves, mas com um brilho muito próprio:

O Tecnicista – Para este comentador, fazer um dicionário sobre a sua modalidade favorita seria coisa fácil. Mais ainda se só se incluissem termos que os espectadores não compreendem. Utilizando um dialecto muito próprio que vai do ginastiquês, ao judoquês, passando pelo badmintoniano, os seus comentários são perceptíveis por cerca de 0.2% da população, composta pelos praticantes e ex-praticantes da modalidade que não sofram de Alzheimer ou falta de pachorra. A sua missão não é tornar o comentário compreensível ao comum mortal, é tornar o nome de um qualquer atleta do Cazaquistão ou da Indonésia a parte mais compreensível de uma frase.

O Intimista – Para bem comentar é preciso conhecer bem os atletas em provas e se há alguém que os conhece é este comentador. Desde pormenores sobre marcas no corpo, às habilitações académicas (incluindo cadeiras em atraso) este profissional está bem informado. Saber que um atleta gosta de gelados é coisa de criança, saber de que sabores gosta e quais os toppings favoritos isso sim é informação relevante. Além disso, tratar o atleta pelo apelido é prova de um distanciamento pouco recomendável para quem está em cima da modalidade. O Sven, a Katrina, o James são resultado de longos períodos de convívio que às vezes se traduzem em cinco segundos na fila de espera para o WC na aldeia olímpica. A este comentador não interessam as medalhas. Valia muito mais ser padrinho de casamento daquele remador norueguês.

O Comentador de Serviço – A este calhou-lhe a fava. Todos os especialistas estavam de férias e ele, que era o último a escolher, tem de trabalhar no mês de Agosto. Habituado a comentar pelota basca, vê-se agora na contingência de ter um convidade e ter de parecer que até percebe de atletismo ou de basquetebol. Não há fora de jogo no basket? Não interessa, serve de apontamento humorístico. O atleta finlandês afinal é queniano? Pronto, o bronzeado engana as pessoas. A prova ainda não acabou agora? Epá, mas devia que eu ainda quero ir meter uma bucha antes do serviço da tarde. Mesmo sem saber, ele serve o ideal olímpico, pois vai sempre mais alto, mais longe, mais forte, nem que seja pelo simples facto de não saber qual é a medida certa.

E em termos de Jogos Olímpicos creio que vou fazer como a prestação de delegação portuguesa até ao momento ou seja, continuar a ver os melhores passarem-me à frente dos olhos.

11.8.08

Comentadores para olímpicos

Confesso que sou um fervoroso adepto dos Jogos Olímpicos, tenham eles lugar em Beijing, Madagascar ou na Rinchoa, já que o desportista que há em mim me dá desejos de praticar diversas das modalidades que observo. Para terem uma ideia, desde sábado até hoje, já tive vontade de praticar remo, natação, esgrima, saltos para a piscina e pelota basca. No entanto, a minha força de vontade ainda só deu para ir até ao frigorífico e voltar para a sala o que, dados os horários das transmissões, pode ser considerado esforço olímpico.

Mas, acima de tudo, o que eu gosto nas transmissões dos Jogos Olímpicos são os comentadores nacionais de modalidades. Oprimidos durante quatro anos pelos modorrentos e pastosos relatadores da bola estes homens e mulheres têm cerca de 15 dias para nos mostrar o que é o verdadeirao espírito olímpico. Tal como os atletas que comentam, também eles estão no melhor palco para mostrarem o seu talento e mostrar que a diferença entre um ippon e um koka pode mudar a vida de uma pessoa. E, apenas em três dias, já consegui diferenciar modalidades de comentário bem diferentes, para fazer as delícias do telespectador:

O Perfeccionista – Nos JO’s não há lugar a complacência. Este comentador não quer saber se o atleta ganhou já três medalhas de ouro, se partiu as duas pernas na véspera ou se acabou de receber um telegrama a dizer que a família morreu toda num churrasco que acabou mal. Se está ali tem que ser perfeito e há sempre algo a corrigir. O público e os juízes são uns facilitistas e é a sua opinião que o espectador deve seguir, pois só esta atinge a perfeição olímpica. Infelizmente para ele, o comentário televisivo não é modalidade olímpica.

O Entusiasta – Para ele, os JO’s são uma festa. A celebração do evento e do comentário traduzem-se na sua felicidade e ele não hesita em nos dizer isso mesmo. O judoca foi eliminado na 1a ronda? Não faz mal, é um atleta de gabarito e não precisa de provar nada a ninguém. O nadador levou três piscinas de avanço? Foi um dia mau, estar ali já é bom e com o tempo dele há 10 anos teria ganho uma medalha de ouro. A alegria da participação sobrepõe-se sempre ao resultado desportivo, mas também este é celebrado com a euforia que merece e um timbre que não deixa o desportista de sofá adormecer quando há medalhas em jogo. Tudo é desculpável, incluindo é claro o seu comentário.

Interrompo para acompanhar uma transmissão de tiro com pistola de tinta a 10m que não quero perder. Amanhã prometo continuar a comentar os comentadores que têm comentado os JO’s.

Olympic sounds - ABBA, The Winner takes it all

8.8.08

Plágio, sinto-me plágio

Evitando dissecar temas que envolvam as palavras BES, Campolide, reféns e assaltos a dependências bancárias que NÃO lidam com dinheiro vivo, aproveito a ocasião para mostrar que sou um tipo tão atento como os malogrados assaltantes.

Descobri, por mero acaso, que uns dizeres concebidos neste espaço foram alvo do chamado copy-paste integral (mais saudável copy-paste normal e com mais fibras) num fórum online, por parte de alguém muito parecido comigo, pelo menos no que toca à falta de bases morais. Contudo, a novidade aqui é o facto de eu ter sabido ontem, visto que a coisa já se deu vai para perto de dois anos. E, devido a isso, levantaram-se em mim sentimentos dúbios. Depois de os ter mandado sentar, pensei um pouco no assunto e cheguei às seguintes conclusões:

- É bom poder utilizar a palavra plágio várias vezes. Não só porque não é minha, como pela sua maleabilidade em frases como “Aprendi a nadar porque tinha medo de ser vítima de um plágio em alto mar” ou “Fiz um plágio de três meses numa empresa lá ao pé de casa”.
- É interessante ver que há pessoas que gostam de viver perigosamente e assumir como suas palavras de indivíduos algo suspeitos. Por exemplo, a mim não me apanham a plagiar o Papa.
- É surpreendente que, para além do autor do dito cujo, houvesse nesse fórum outra pessoa que conhecia este pasquim e daí o artista ter sido confrontado. Quer dizer que, possivelmente, neste momento já é possível fazer um jogo de sueca entre leitores do blog.
- É lamentável que só tenha descoberto plágios em fóruns com o nome “Sexo na banheira”. Almejava algo mais respeitável, como por exemplo o “Fórum dos Onanistas profissionais”ou no “Fórum de Flatulência Desportiva”. Há que continuar a tentar.

O facto é que devo ter ficado perturbado (um pouco acima dos níveis normais). Só assim explico a semelhança entre o meu título e o de uma letra de um tipo que aprecio tanto como a Peste Negra.

Copycat Sounds – FR David, Words (don’t come easy)

7.8.08

RIP Cavalheirismo (Algures no tempo dos contos de fadas-2008)



É certo e sabido que o cavalheirismo foi inventado por um homem. Nós, os machos, temos por hábito criar coisas que não percebemos muito bem e que mais cedo ou mais tarde acabam por se voltar contra nós. Daí que seja justo que seja um homem a desligar a máquina que mantém o dito cujo ligado à vida.

Há muito que o cavalheirismo, no sentido romancista da coisa, deixou fazer sentido numa sociedade que se diz igualitária e em que há pouco tempo a perder. Como é óbvio, há que separar o cavalheirismo do facto de ser educado e da paixão. A educação é válida para todos e a paixão torna os actos mais estúpidos justificáveis, tanto para o homem (incluindo imprimir este texto para mostrar à namorada) como para a mulher.

Homens e, especialmente, mulheres que ainda sejam adeptos intransigentes do cavalheirismo é gente que ficou congelada em glaciares sociais há já algum tempo. A emancipação feminina tornou-a mais sofisticada (embora o bigode não esteja erradicado), com um nível de educação superior (em Portugal há mais mulheres licenciadas do que homens e entre a população empregada com curso superior elas também dominam) e nivelou um pouco mais a balança social. No entanto, curiosamente ou não, as mulheres continuam a considerar um exclusivo masculino o chamado acto cavalheiresco.

Nos dias que correm, enquanto muitas outras coisas seriam consideradas machismos, continua a ser essencialmente dos gajos a responsabilidade de oferecer flores (no hospital não conta e em funerais muito menos), abrir portas de carros, puxar a cadeirinha para sentar ou assegurar o pagamento da conta do restaurante.
Bradarão, indignadas, algumas senhoras - É educado, só te fica bem e aumenta as probabilidades do cavalheiro não adormecer abraçado apenas à almofada (isto para os casos com intenções marotas como pano de fundo).
Concordo plenamente, mas isso devia ser válido para meninos e meninas. Experimentem ser cavalheiras e fazer algumas das coisas que referi anteriormente, nem que seja uma vez (ok, troquem as flores por uma garrafita de vinho) e vão ver como a rapaziada fica reconhecida e, na volta, até cora (antes do efeito do vinho).

Se a coisa não correr bem pelo menos tentaram, e ficam a ter uma pequena amostra das figuras que os homens andam a fazer há séculos só para ficarem bem na fotografia. Da minha parte não vai haver problema, sei muito bem que não há almoços grátis, mas não digo que não a jantares gratuitos.

Gentleman Sounds – Gogol Bordello, Start wearing purple

6.8.08

Mau olhado

Para quem gosta de tomar um lauto pequeno almoço em casa, haverá melhor visão matinal do que subir as escadas do Metro, olhar em frente e ver um ousado fio dental bamboleando-se em perfeita simbiose com um significativo tufo de pelo no fundo das costas?

Afinal, ser cego no Metro tem as suas vantagens.

Shock Soundwaves – Billy Idol, Shock to the system

4.8.08

Caso Sebastião


Faz hoje 430 anos que esta criança de família problemática foi vista pela última vez. As teses do assassinato e da simples e pura estupidez coexistem sem chegarem a qualquer conclusão. Tirando um zarolho que até lhe dedicou um livro e o retrato robot de um marroquino, visto pela última vez em 1601 a vender tâmaras na feira medieval de Mértola, não há sinais de qualquer suspeito.

A polícia marroquina apesar de, alegadamente, ter usado camelos peritos em detectar turistas e jovens monarcas desaparecidos fecha-se em copas e diz que sem novas provas não reabre o processo. A imprensa local, claramente terceiro mundista, insiste que os culpados são os portugueses, que não tinham nada de levar crianças para o campo de batalha, quando até babysitters berberes havia disponíveis em tendas junto a Alcácer Quibir.

O que eles não sabem é que o Gonçalo Amaral, depois da reforma, agora tem tempo de sobra. E eu acredito que ele bem capaz de ir a Marrocos trazer de volta o marialva preso por uma orelha. E o culpado por outra. E os Mccann por mais duas. E o ex-Director da PJ e o tipo que foi forreta a servir-lhe uma chanfana em Oliveira do Hospital idem.

É para verem que com a polícia portuguesa não se brinca, mesmo depois da reforma.

Desculpe, viu um elefante entrar no meu WC?

Para além do discurso de Cavaco Silva, nestas férias tive a oportunidade de observar outro facto realmente perturbante. Ao que parece, de algum tempo para cá, uma daquelas marcas modernas que veio substituir o Brize Alfazema, esse fiel sentinela que tanta gente salvou de odores maléficos que insistem em perturbar a paz dos WC’s.

De facto, para quem nunca acreditou no poder de um simples fósforo, uma golfada de alfazema (ou, vá lá, uma Brisa Marinha) era a salvação perfeita. Que se pode pedir mais depois de uma sensação de alívio, do que poder fechar os olhos no WC e sentir que estamos que estamos num bosque ou numa qualquer praia, mas sem as preocupações de sermos mordidos ou picados pela fauna e flora local. No entanto, tudo isto faz parte do passado.

Nos dias que correm vejo anúncios na TV onde arrogantes pinguins, macacos e até elefantes simulam hábitos humanos tocando piano, jogando cartas e dizendo as maiores barbaridades, clamando seres os detentores do segredo do bom cheiro de uma casa e do seu último reduto, o WC. Para além do absurdo que é ter de levar lições de moral de bicharada que nem nos seus melhores dias se digna a usar papel higiénico, mata-se a segurança que uma simples latinha de spray proporcionava, a troco de uma percentagem insignificante da camada do ozono.

Hoje em dia, quem se atreverá a inundar o seu WC de alfazema sem correr o risco de ser espezinhado pela ideia de um elefante à rasquinha depois de um caril indiano ou de uma macaca a tratar da sua higiene íntima no bidé. Pois é, e depois dizem que em Agosto não surgem temas interessantes.

Eu, por mim vou contentar-me com fósforos e deixar a bicharada no sítio que é suposto lá em casa. No National Geographic e a escrever textos para o blog pois claro.

Sounds of the jungle - Tarzan Boy