28.7.08

Granda vaca

Antes de mais, peço desculpa pela ausência de conteúdos numa base regular. A verdade é que, tendo como companhia os sete pecados mortais, as férias tornam-se um período complicado para exprimir grandes oratórias além de "Mais uma fresquinha, sa'cha vor", "Sim, sou mesmo o campeão do universo das raquetes de praia" ou "Quem é que tirou o Campingaz da sombra?".

No entanto, nos momentos em que combati com bravura a areia quente para chegar até vós, tive de lidar com todo o tipo de fenómenos estranhos. Começando pela empregada que me atendeu na única refeição saudável que a consciência me obrigou a consumir, para disfarçar toda uma panóplia de erros nutricionais de veraneio. Estranhei um pouco o facto de ser roxa às manchas e ter um badalo, mas com o pessoal de fora que vamos acolhendo no ramo da restauração, creio que tudo é possível.

O talão da conta esclareceu a situação e a sua doçura também.

22.7.08

Caso de Verão para o Advogado do Diabo


Antes de mais, quero referir que este post não tem nada a ver com o Dr. Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados. O facto é que não quero ser associado a alguém com uma capacidade de semear discórdia e incendiar ânimos superior à minha. E isto é uma opinião que partilho com o próprio do Demo.

Mas, perguntará o internauta que tenha cá vindo parar ao teclar no Google as palavras “pichote” e “bolso” (muito frequente) – afinal de que Diabo falas tu? É simples, falo da estupidez masculina no sentido genérico da coisa, embora se tivesse de personalizar, o Pepe Rapazote parecer-me-ia um óptimo exemplo. É certo que, sendo eu um membro viril da espécie (reforço isto mesmo cuspindo para o chão enquanto escrevo), não poderia vir para aqui ofender o género sem uma boa razão, especialmente estando eu de férias.

O que me faz vir aqui desabafar é um misto de indignação e vergonha alheia face a uma situação que observei ontem na praia, enquanto pontapeava uns castelos de areia como retaliação a uma criança que me interrompeu a sesta. Ao acabar a tarefa constatei que, seguindo a boa tradição portuguesa da proximidade balnear, um grupo de três estarolas tinha colocado as suas toalhas a cerca de 22,5cm da minha, havendo no entanto largos metros vagos à volta. Identifiquei-os como estarolas e não como miúdos idiotas pelo simples facto de já estarem bem para além da adolescência, não obstante falarem demasiado alto, serem adeptos do chamado riso alarve e levarem consigo uma bola.

Ok, nada de muito extraordinário até aí, eu próprio já tive o gozo de fazer tiro ao idoso na praia com uma bola e compreendo a relevância do artigo para qualquer homem que se diga viril. O que os destaca passa pelo facto de, depois de avaliarem as redondezas e acharem por bem não se meter com o matulão encorpado que vos escreve estas linhas (os calções de banho do Noddy intimidam eu sei), terem optado por jogar o seu charme para cima de uma moça de bons atributos que tentava mimetizar uma torrada sozinha junto às dunas.

Como é certo e sabido, na praia não há nada mais sedutor para uma mulher do que três artistas a dar pontapés numa bola no areal, coroando a sua exibição com palavrões requintados e remates a rasar a sua toalha. O que os torna ainda mais atraentes é dedicação visível na camada de suor e areia que os cobre, já que por amor ao jogo escolheram o areal junto às dunas para jogar às quatro da tarde, quando poderiam ter cedido ao facilitismo e jogado junto à água.
Depois de dez minutos desta brincadeira, o resultado creio que os deixou deveras surpreendidos. A moça, apesar de sozinha, renegou os seus instintos carnais e não convidou nenhum deles ou até mesmo os três para uma sessão de sexo escaldante (muito apropriada para a hora) nas dunas. Cometendo o desplante de nem sequer escrever com baton o seu número de telemóvel, limitou-se a pegar nas coisinhas e a ir-se embora.

O desânimo caiu forte entre as hostes dos três estarolas, tanto que lhes passou logo a vontade de jogar à bola no areal. Compreendi porquê, quando ouvi os seus comentários. “Epá, aquela gaja era esquisita, viste como ela olhava para nós?”, “Era uma gaja ou um gajo? Aquele corpinho tinha ali qualquer coisa que não sei não...”, “Pois, era boa, mas podia ser um homem. Deve ter a mania, foi-se logo embora”.

Correram para a água e, entre bolas de areia atiradas uns aos outros, tentaram afogar aquela sensação estranha. Pior do que três anormais em fase de negação numa praia, só mesmo uma miúda que não sabe reconhecer o que é bom num homem.

Sound from the beach - Mungo Jerry, In the summertime

PS - Tudo bem que a moça foi para as dunas porque eu pus o Now Mix Vol. 19 um bocado alto no meu tijolo. Mas isso não invalida o resto.

17.7.08

Fotos tipo Penso




Há pouco mais de um século, um artista chamado Rodin criou uma estátua a que originalmente chamou “O Poeta”, em alusão a Dante. Certamente que, desde logo, outros artistas (gente maldizente, uma raça que eu condeno) aproveitaram a deixa para lhe tornar a vida num Inferno, insinuando que misturar poesia e estátuas grandes de gajos nus era meio caminho andado para a bichanice.

Ora o Augusto que, apesar de artista, era homem de barba rija e muito possivelmente dado a piropos gaiteiros às suas modelos, deve ter levado a coisa a mal e pensou em como se havia de safar de tal fama. Rapidamente, “O Poeta” passou a “O Pensador” e embora a explicação oficial refira que este é um homem em meditação, numa aparente luta filosófica anterior, para alguns privilegiados (nos quais me incluio) é óbvio que a mesma representa um indivíduo nu que tenta reavivar a memória do forrobodó da noite anterior para saber onde raio está a sua roupa e porque raio tem tatuado no braço o nome Marlene.

O que o Rodin não sabia é que, décadas mais tarde, esta ideia do indivíduo pensador em meditação iria dar origem a uma praga no meio empresarial e intelectual. Soubesse ele de antemão e não só manteria o nome “O Poeta” como ainda lhe acrescentaria “O Poeta Larilas que gosta de compôr todo nu na varanda”. É que esta imagem filosófica, misto de classicismo, introspecção e sono em atraso, representa cerca de 85% das fotos instituicionais de quadros dirigentes e intelectuais que querem passar a imagem que pensar é um acto natural no seu quotidiano.

É certo que existe os mais criativos, que fazem variantes como colocar o polegar e o indicador em L junto ao queixo ou testa, outros preferem juntar as mãos numa mistura prece/reflexão muito indicada para aqueles que, para além de pensantes, também queres passar a ideia de religiosidade/integridade, algo que tem escapado por exemplo aos fundamentalistas islâmicos. Seja qual for a forma, o conceito é o mesmo e é o bom do Rodin que devemos culpar.

Tivesse sido ele um verdadeiro pensador e tinha logo cortado o mal pela raiz. É que em relação a identificar poetas efeminados é difícil ter dúvidas, agora fazer as pessoas acreditar que empresários que mal sabem afiar um lápis sozinhos e intelectuais que repetem doutrinas e teorias como papagaios da América do Sul são pensadores, não é com uma pose que me convencem.

Até porque gajos inteligentes não perdem tempo em sessões fotográficas com poses idiotas para convencer as pessoas que o são. Gajos inteligentes fazem blogs e tentam enganar as pessoas nesse sentido. Se falharem, pelo menos ninguém vai saber que escreveram o post todos nus em profundo conflito interior (culpa do restaurante mexicano).

Soundthinker - Gabriel o Pensador, Tás a ver

15.7.08

Xutos e Pontapés nos Rádio Macau

In Diário Digital

“Xana e Flak protagonizaram uma agressão mútua num concerto recente dos Rádio Macau em Vila Nova da Barquinha.

Tudo começou quando a vocalista modificou a letra de «Anzol»para protestar pelo facto de Flak ter aceite que este fizesse parte de um anúncio a uma instituição bancária.
Depois, durante o solo de harmónica, Flak rasteirou a cantora que caiu desamparada. Xana respondeu com um estalo.
«Teve a ver com a autorização dada a uma instituição bancária. Por princípio, eu sou contra isso», disse Xana ao Correio da Manhã, revelando ainda que o desentendimento está resolvido.
«Ele já me pediu desculpa e eu reconheço que deveria ter feito o concerto de forma profissional e já pedi também desculpa», assumiu também Xana.”

Tentei utilizar o meu arsenal de recursos para melhorar o nível humorístico desta notícia. Não consegui, mas creio que a Xana não chegou a usar o pregão “Agora somos os Rádio Cacau” no meio dos seus protestos. É assim minha cara, deixa as palavras de intervenção para quem domina de caras o cenário. E não me refiro de caras no chão.
Quanto ao parceiro que a rasteirou, faltou ali um flic ó Flak para a coisa ter um mínimo de estilo. Contudo, deverá ser a primeira vez na história em que alguém consegue agredir outra pessoa durante um solo de harmónica.

Para quem quer ver o vídeo, pode ver aqui todo este regabofe de acção em Vila Nova da Barquinha, naquela que deverá ter sido a noite mais agitada desde que o Zeferino da Adélia entrou com a Zundap pela montra da Farmácia.

14.7.08

As regas da moda

Sou uma pessoa muito atenta a certas coisas e muito distraída em relação a outras quantas. Como tal, por um lado tenho argúcia de detective para pequenos pormenores, como por exemplo evitar referir a uma mulher atraente que tem um botão da blusa desapertado, já que isso não só a iria embaraçar, como iria suscitar questões sobre pelos caminhos percorridos pelo meu olhar e estragar aquilo que parece estar a ser um bom dia para os dois. Por outro lado, muitas vezes não consigo perceber outras coisas que certamente são gritantes aos olhos do comum cidadão.

Este último facto, a par da conversa sobre miúdas e roupa, leva-me à questão da moda. Indivíduo primitivo que sou nessa questão, enquadrando-me no estilo “vestido sem nódoas e buracos”, não estou muito atento ao mundo da passerelle. Talvez por isso me tenha surpreendido ao ver mesmo aqui no centro de Lisboa um cartaz no Monumental Dolce Vita. Não é que não tenha já visto cartazes, tendo até tido a oportunidade de privar com alguns ao longo da minha vida. O que me intrigou no referido cartaz foi a combinação a frase-imagem.

Refere a frase que estamos na presença de uma fashion victim, enquanto a imagem nos mostra uma jovem moderna e divertida prestes a levar com dois regadores na cabeça, que entretanto lhe despejam água na cabeça, um pouco ao estilo dos saudosos concursos “Miss T-shirt Molhada”, assumidas referências de moda, pelo menos na Charneca da Caparica.

Embora, como já referi, não perceba muito do assunto, sempre pensei que ser “fashion victim” significava estar sempre atento a novas referências e comprar tudo o que consta dos cânones da moda. Das duas uma, ou posso anunciar em primeira mão a chegada do regador como acessório de moda, ou há algo que me escapa.
Sinceramente, preferia que fosse a primeira, tenho lá em casa um borrifador que fica a matar com um casaco de Verão que comprei.

Sounds from the catwalk - CSS, Alala

10.7.08

It's Alive, it's Alive

Perdoem-me a escassez de palavras, mas estou em economia de esforços para a festança de mais logo. Mais ou menos há 10 anos, lá estava eu prestes a baldar-me a um exame de Matemática no dia seguinte para ver estes meninos em Algés. Valeu a pena, com a limitação de haver quem tenha tido a brilhante ideia de que era melhor pô-los antes de Simple Minds...

Uma década mais tarde, o regresso exactamente no mesmo sítio. Eu sei que envelheci com grande categoria, apenas com ligeiros danos colaterais. Quanto a eles vamos ver.




Consta que até há mais umas bandas engraçadas antes. Não é mal pensado, servem de aquecimento.


Revolution sounds like this - Rage Against the Machine

8.7.08

Com trastes

A vida é realmente uma droga quando a heroína é a má da fita.

Pelo seu efeito costumeiro, a designação certa não deveria ser GameOver Dose?

Será adequado dizer que alguém que tenha deixado a coca chegou ao fim da linha?


Addicted to - Chemical Brothers, One too many morning's

7.7.08

Auto ajudem-me


Ter problemas é normal. Aliás, alguns dos maiores anormais que conheço é gente que parece não ter problemas de qualquer espécie. No entanto, não consigo compreender esta febre dos livros, cursos e teorias de “Auto-ajuda”, que a mim me parecem versões eruditas dos Professores Bambos e afins, mas em que o autor nem se dá ao trabalho de assumir parte da tarefa. Ou fazes tu ou não vais a lado nenhum.

Comecemos pelo nome que é auto-explicativo, embora a mim me faça sempre lembrar uma garagem que havia no bairro onde cresci, forrada a posters de qualidade e requinte que muito me auto-ajudaram a querer descobrir mais sobre o corpo feminino. Divagações à parte, o nome “livro de auto-ajuda” é auto-explicativo na medida em que muito provavelmente o autor escreve o livro para se ajudar a si mesmo.

“O ex-Segredo”, “Gordo é quem te fez as orelhas”, “Passe de rato a leão na cama” ou “Jesus liga-me porque eu não tenho saldo” são exemplos de obras que na sua grande maioria podem ter um fundo de verdade, assente no pensamento positivo e na vontade de lutar por um objectivo, coisas que qualquer amigo com dois dedos de testa vos podia aconselhar. Mas, acima de tudo, esta devoção pelo misticismo e a procura de gurus que têm quase sempre uma história trágica convertida em sucesso (alguém me mostra um autor desses que não tenha sido alcóolico, vivido na miséria ou perdido uma perna a caçar ursos) parece indicar que as pessoas consideram muito mais fácil olhar para o exterior à procura de soluções do que olhar para si próprias. E há sempre alguém com a solução, mesmo ao virar da prateleira.

É certo que nem todos podem ser trastes auto-confiantes como eu, que poderia viver numa barraca forrada a pacotes de leite por causa de dívidas de jogo e, mesmo assim, considerar que foi preciso ter coragem para abdicar da vida mundana com que a maior parte das pessoas se parece contentar. Contudo, procurar nas páginas de um livro que abusa dos pontos de exclamação ou num curso da Alexandra Solnado mais do que uns momentos de relax é um pouco como jogar dardos com os olhos vendados.

Essencialmente, não acredito nestes livros na medida em que também acho que nunca foi preciso alguém ler um livro “Auto lixe-se” ou “Arruine a sua vida em 30 dias” para conseguir isso mesmo. Se temos essa capacidade inata para um lado, também a devíamos ter para o outro.

Agora, auto ajuda a sério é votarem neste espaço de entrenimento ali no concurso da Superbock. Vocês sentem-se bem porque ajudam uma pessoa que sofre e eu sinto-me bem porque vos ajudei a fazer, pelo menos uma vez na vida, uma boa escolha.

Sons motivantes - Depeche Mode, Personal Jesus

4.7.08

2008 - Mau ano de colheita incendiária?

No meio de toda a gente que reclama dos preços do combustível, há uma minoria silenciosa que não aparece nos telejornais, não faz bloqueios nas estradas e nem sequer pode preparar um cocktail molotov em condições para receber amigos em casa. Refiro-me, é claro, aos incendiários do nosso Portugal.

Inicialmente, pensei que tivessem ido a empurrar o Camião da Galp com a Selecção até à Suiça, na expectativa de alguma retribuição em vouchers de desconto no abastecimento. Mas, como a selecção até foi amiga e voltou mais cedo e incêndios de craveira nem vê-los, comecei a estranhar.

Noutros Verões, por esta altura era vê-los já contentes a gravar os melhores momentos dos incêndios nos telejornais, a escolherem pinhais para lanchar com a família e depois incendiar à saída ou a irem ao Google Earth seleccionar matas para carbonizar à moda antiga. O preço do barril de petróleo veio estragar isto tudo, porque se é certo que ainda possível para o incendiário amador usar álcool, fósforos ou até mesmo (para os que frequentaram os escuteiros) dois pauzinhos para tentar criar aquelas labaredas que os excitam para mais que o site da Ana Malhoa (é preciso ser doente), não há dignidade incendiária na coisa.

Vai havendo um incêndio aqui ou ali, muito possivelmente obra de incendiários que têm a possibilidade de ir atestar o bidão a Espanha, mas nada de especialmente efectivo ou espectacular. Toda esta bola de neve, substância que, como se sabe não é propriamente amiga do incendiário, põe em causa o ciclo de verão de muitos portugueses. Para começar os políticos, que normalmente aproveitam o fumo dos incêndios para desaparecer uns meses e depois a malta das televisões, que assim tem de aproveitar para reciclar reportagens sobre um vitelo com duas cabeças que nasceu no Entrocamento ou as vantagens do Queiroz seleccionador com bigode face ao Queirós possível seleccionador sem bigode. Não será de estranhar se qualquer dia for apanhada uma carrinha da TVI a deitar fogo a uma mata qualquer, usando a Manuela Moura Guedes como atiçador. Finalmente, os comandantes de corporações de bombeiros pelo país inteiro vêem os seus minutos de fama ironicamente reduzidos a cinzas, já que o nosso país é pouco reconhecido em relação a acções de salvamento de felinos em árvores e idosos trancados em casa.

É isso mesmo que vos digo, um Verão sem incêndios em Portugal meus amigos é exactamente aquilo que é - uma seca.


Fire in the hole - Bloodhound Gang, The roof is on fire

3.7.08

Descuidados Intensivos

Nunca tive muito medo de hospitais, tive sempre muito mais medo de pessoas. Especialmente de pessoas em hospitais. Quer de pacientes, muitas vezes pessoas alteradas pelo sofrimento, capazes de qualquer tipo de reacção inesperada, quer do pessoal clínico e auxiliar dos hospitais com os quais, sem querer generalizar porque há muitos e bons profissionais, é sempre preciso alguma sorte.

É certo que os hospitais são alvos fáceis, não são como um restaurante onde se o prato não presta, pede-se o livro de reclamações e a coisa está feita. No hospital, quando a coisa corre realmente mal não és tu que pedes o livro de reclamações, essencialmente porque estás demasiado ocupado a preparar-te para o teu funeral.

Neste tipo de ambiente, a expressão todo o cuidado é pouco nunca deveria ser literal. É que as pessoas vêem o ER, o Dr.House ou a Anatomia de Grey e mais quinhentas séries sobre a matéria e ficam com uma visão romântica dos hospitais americanos. Ali, para além de traumatismos e cadeiras de rodas, há amor nos corredores, há médicos que quebram regras para salvar pacientes, há médicos e enfermeiros que não largam a mão da criancinha doente do primeiro ao último minuto, mesmo quando não há salvação.

Nas séries, as pessoas não ficam uma hora inanimadas no chão da sala de espera, enquanto ninguém mexe uma palha e os seguranças espreitam para ver que tapete novo é aquele na sala de espera, sem sequer se aproximarem. Não é suposto as pessoas morrerem assim. A indignidade supera qualquer argumento racional.

Chama-se a isto um reality-check e a realidade às vezes não doi, mata. “Sorte” que haviam câmaras e "sorte" que foi nos EUA, onde os advogados certamente vão fazer dos famíliares daquela senhora pessoas bem mais ricas. Mas nós já sabemos como são as coisas, já estamos habituados a ver séries de advogados há muitos anos.

2.7.08

Meter a colherada



Para quem julga que a política editorial deste blog (termos desconhecidos para o autor) está a ficar muito direccionada para o estômago eis a reacção - Vê-se mesmo que falam de barriga cheia.

Eu e a comida temos uma relação saudável: eu como-a, ela deixa-se comer, sempre sem azias de parte a parte. Como tal, aproveito para fechar com chave de ouro este ciclo de posts de alto valor nutricional com algo que me maravilhou mais do que os restos do Muro de Berlim - o Hamburger de Berlim.

Prestem bem atenção e vão ver que entrámos numa nova era de comida congelada. E eu e todas as crianças do mundo agradecemos.

Chillin - Vanilla Ice, Ice Ice Baby

1.7.08

Degusta São

Dou por mim, quase sempre a meio do dia, a pensar onde vou almoçar. Trabalhando no centro de Lisboa, a solução centros comerciais é sempre fácil e o resultado é quase sempre o mesmo. Como tal, evito-a sempre que posso, tirando se não for eu a pagar. Aí, como bom português o que a pessoa que paga escolher está óptimo.
Mas, o que tenho verificado, quando procuro sítio para encher o bandulho, é que começam as escassear os restaurantes corriqueiros de nome típico ou tradicional.

Cada vez mais a preocupação com a alimentação se confunde com o nome que dás ao teu boteco. Epá não podemos chamar Cantinho da Alice porque as pessoas vão pensar que só servimos bacalhau, dobrada e febras. Chamemos-lhe antes Spice’s Corner e assim servimos tranches de lombo de bacalhau com petit pomme de terre, cous cous de grão e especiarias ou miminhos de porco em cama de folhado de arroz.

Não sei se é isso que atrai a malta trendy empresarial, mas saindo do registo de tasca, nem as típicas foleiradas KomeAki ou PaparoKa parecem ser rivais para a febre dos nomes requintados e muito aspiracionais que muitas vezes revelam mais preocupação com a estética do que com o conteúdo do prato.

Essencialmente, lido bem com a era da imagem em que vivemos, em que mais vale parecer bom do que ser bom, desde que não me lixem a hora da refeição. Por isso, se és um jovem empresário na área da restauração e estás a olhar deliciado para a placa que diz Moods & Foods põe a trampa da placa no lixo e preocupa-te mas é em ter uma ementa com qualidade. E olha que deixares o nome da tua mãezinha na placa não é vergonha nenhuma.