2.12.08

O Cérnebro da questão


Não gosto de terroristas, em parte porque, ideologias à parte, me fazem lembrar um bocado o meu primo Cabé. Quando éramos miúdos, o Cabé tinha o irritante hábito de pensar que era o dono do mundo, sendo um pequeno terrorista que explodia por tudo e por nada, quando não lhe faziam as vontadinhas todas.
Contudo, se é verdade que dos terroristas não me posso queixar pessoalmente de muito, em relação ao Cabé não posso dizer o mesmo, já que para além de inúmeros cromos de eleição, me ficou também com umas quantas revistas pitorescas que fizeram as delícias da minha juventude.

Saudosismos ultrapassados, quero no entanto referir que há uma escumalha que me melindra em maior escala que os próprios terroristas - os comentadores de terrorismo. Chateia-me especialmente a cambada do contexto geo-político estratégico and soi on que ocupa minutos televisivos cheios de pompa e vazios em conteúdo compreensível para o cidadão comum. É um pouco como ir ao restaurante e perguntar como é um dado prato, apenas para ouvir em resposta uma elaborada retórica em francês sobre o papel da beringela ao longo dos tempos.

Nesse aspecto, o que eu acho deveras interessante é um tipo de jogo praticado pós qualquer acto de terrorismo que se chama – Onde está o cérebro?
Se um hotel explode, se são feito reféns algures, se há uma revolta num sítio com 8 sílabas e cerca de quinze consoantes ou se alguém não esvaziou os caixotes do lixo em determinado bairro, tem que haver um cérebro por detrás disso. Nunca há a possibilidade de ter sido uma decisão de grupo, algo saído de um brainstorm ou até de uma democrática votação. Não, é sempre fruto da ideia e firme liderança de um iluminado.

Isso é tudo muito bonito, mas só se não conhecermos a espécie humana. Se um tipo se destaca e começa a dar nas vistas, seja numa organização terrorista ou num centro para idosos, todos os outros ou vão querer fazer o mesmo ou lixar-lhe a vida, só para não lhe dar razão. “Ai achas que era boa ideia raptarmos gente num hotel? Que parvoíce, toda a gente sabe que o serviço lá é péssimo. Sempre com ideias descabidas. Acho é que devíamos decidir entre todos, não é sempre o mesmo, não é verdade? Seria do interesse de todos muito mais um piquenique no bosque, seguido de raptos no parque de campismo mais próximo.”

Cá para mim, continuo com a ideia que as torres de NY só foram a baixo porque os terroristas não chegaram a consenso se iam à Estátua da Liberdade, ao Empire State Building ou de férias para a Jamaica. E olhem que não há nenhum cérebro por detrás desta afirmação.

2 comentários:

  1. Experimenta ver o filme "O Corpo da Mentira" (http://www.imdb.com/title/tt0758774/) que está neste momento em exibição nos cinemas.

    Ficarás a saber, entre outras coisas:
    - que há sempre um cérebro...
    - que um cérebro destesta que haja outro cérebro...
    - que, na falta de um cérebro, inventa-se um!

    É um grnade filme sobre terrorismo.

    Bjnhs

    T

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  2. Eu não lhe chamaria um iluminado, chamar-lhe-ia mais uma lâmpada fundida ou um circuito curto...

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