26.11.08

A propósito de filmes bestiais


É certo que jovens tipo o Bugs Bunny ou o Mickey são gandulos que já aí andam há muitos e bons anos e a sua existência faz sentido e tem alegrado a vida a muita criança e adulto. Mas o que me irrita, nos dias de hoje, é ver muito entusiasmo à volta de películas feitas com precisão cirúrgica tipo “A idade do gelo”, “Madagascar”, “Panda do Kung Fu” ou o “Nemo” e muito pouco pela preservação da vida da bicharada real, a não ser para os transformar em tapetes ou deliciosas peças gourmet.
Os estúdios gastam balúrdios para produzir isto ao pormenor, contratando actores de gabarito para dar vozes aos bichos. E royalties para a bicharada? E percentagem dos bilhetes a reverter para que não passemos a falar deles só no passado? É tudo muito divertido, mas não tarda nada são mais os animais na cadeira do cinema do que exemplares verdadeiros das vedetas do filme.

O problema é que as pessoas, para desanuviarem e rirem um bocado são capazes de dar 5 Euros para ver um animal que diz piadas no ecrã (e não me refiro ao Fernando Rocha) mas nem 1 Euro dariam para um fundo qualquer que andasse a ajudar os pandas a não se transformarem em chinelos. Nada contra a diversão, mas muito contra a descontextualização de “Ah, mas nós não temos pandas/pinguins/zebras whatever cá”. Lá dizia o mítico programa da televisão “Os animais são nossos amigos”, evitando sabiamente reproduzir a frase no sentido inverso.

Fábulas com animais já fazem parte da história, mas muito animais também já só fazem parte da história. Não devia ser preciso que um animal como eu (sem direito a filme) é que se tivesse de lembrar destas coisas.

Vão ao cinema, riam-se com os bichinhos, mas depois mandem-lhes ao menos um postal a dizer que gostaram muito. É que eles são bestiais, mas nós também podemos ser bestas.

8 comentários:

  1. Adoraria me transformar em chinelos um dia. Até pagaria para tal. Adoraria ser as pantufas do Sócrates. Ser ceifado, estrecenhado e arrancavam-me a pele. Não é o que me fazem todos os dias com este governo?

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  2. Pois é, dou toda a razão...
    mas ao menos pode-se ver o lado didático... antes uns bichos divertidos, q fazem as crianças (e adultos) rir, do que aqueles desenhos animados cheios de violência, daqueles q fazem as criancinhas sair do cinema e ir para casa torturar tudo o q fôr bicho das redondezas.
    Digo eu.

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  3. reproduzir a frase no sentido inverso seria: “sogima sosson oãs siamina so”. era nisso que pensavas?

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  4. Com o mundo virado do avesso acaba por ser exactamente um bocado assim... ;)

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  5. então estamos na mesma sintonia porque ultimamente tenho visto vezes a mais a palavra lagutrop

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  6. Mak, estou tão contigo! Eu, que a minha maior frustração é trabalhar numa instituição humanitária, que ajuda a raça mais estúpida à face da terra...

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  7. A minha maior frustração é trabalhar, ponto

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