4.11.08

Os unidos da América


Como devem ter reparado, estive em recolha nos últimos dias. Afinal de contas, hoje era um dia importante para mim, já que ia ajudar a decidir o futuro de uma das nações mais poderosas do mundo. Levantei-me logo pela fresquinha e dirigi-me à embaixada americana, para exercer o meu direito de voto.
“Sorry, no can do” disse-me um simpático cônsul, acompanhado de dois amigos armados até aos dentes, que arrisquei serem militares. “Então, mas as eleições não são hoje amigo?” perguntei com ar estupefacto “Não é hoje que decidimos se pomos o Barraco Alfama ou o fóssil na Casa Branca?”. “Yes, but isso é só back in the States. Here a votação já foi, last week...”.

Nessa altura comecei a enfurecer-me “Mas, e ninguém avisa??” disse, elevando a voz. No entanto, acalmei-me logo quando os amigos de metralhadora deram um passo na minha direcção. “Well, nós avisámos, mas tu não seres american. Por isso, like we say in our country, fuck off, que eu já estar farto de portugas que think que têm the right to vote for the President of the Universe”.

Acompanhado por dois matarruanos e várias peças de artilharia, vi-me frustrado de novo no meio da rua. Então, tantas notícias, tantos enviados especiais, tanta reportagem detalhada on the spot sobre onde o Obama corta o cabelo, sobre o tipo de parafusos que o McCain tem no corpo ou a distância em metros entre cada divisão na Casa Branca, isto para não falar no que come o periquito do sobrinho do vizinho do tio avô da cunhada do McCain e, no final de contas, isto não tem directamente nada a ver connosco.

E pronto, decidi, já não tenho pachorra para quem vive as eleições dos camones como se fossem as nossas. Ou melhor, vejo muito mais conversa, estudo e reportagem e análise detalhada feita por portugueses do que quando as eleições são em Portugal. Amigos, os senhores são importantes sim senhor, mas não vem de lá o Messias que vai transformar pedras em McDonalds e dívidas em rolos de notas. NÓS NÃO VOTAMOS E NÃO DÁ PARA TROCAR O CAVACO E O SÓCRATES PELO MCCAIN E O OBAMA.
Por isso, acordem para a vida.

Já agora, vão mas é ver se têm dinheiro no BPN e deixem-se de tangas.

Presidents of USA, Lump

3 comentários:

  1. Tás a brincar? As eleiçoes nos EUA têm muito mais influência na vida dos portugueses do que as nossas próprias...

    Por isso, hoje à noite vou munir-me de um balde de Ben&Jerry's e, de colher na mão, vou assistir ao especial Eleições na TV para ver o discurso de vitória do Obama!

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  2. Têm influência indirectamente. Eu considero-me informado, sem cair no ridículo do exagero mediático nacional à volta disto, que depois se traduz em malta que fala das eleições americanas com quase mais fervor do que dos filhos...

    Sim, o exagero é uma boa arma argumentativa ;)

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  3. O consul fala o português tão bem como um emigrante tuga ao fim de uns anos por lá. Ainda assim bate a Nelly Furtado aos pontos...

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