22.10.08

Mete Gelo, Lisboa



Já plenamente recuperado dos km’s à beira praia tenho, no entanto, algo que me arrasta o palavreado ainda para o fim de semaninha - A forte chuvada instantânea de sábado à tarde em Lisboa, isto se a descrevermos como as pessoas normais a viram, ou a “devastadora tromba de água”, o “apocalipse revisitado”, o “sinal dos tempos” ou “o horror, o horror”, se forem pela conversa de certos meios de comunicação e de gente que toma comprimidos para o pânico quando se corta numa folha de papel.

Meus amigos, gandulos de tshirt e calções e meninas descascadas na rua já no fim de Outubro, isso é que não é normal (sem querer com isto repreender as meninas). Tudo bem, caiu pedra e gelo durante 15 minutos, mas as consequêcias só provam que nós até a meter água metemos água, passe a redundância.

Depois de muito tempo sem chuva de jeito, é natural que qualquer pluviosidade digna do seu nome ia causar dano, até porque as sarjetas são como as casas de certas pessoas, só levam uma limpeza decente quando recebem visitas importantes. Se a isso juntarmos a intensidade da coisa (sim, por momentos pensei que o vizinho de cima tinha despejado um barril de missangas na minha janela) o caldinho estava feito.

Ai, os túneis ficaram intransitáveis. Ai, ai, as vias coitadinhas ali todas alagadinhas. Ui, ui que o pobre comerciante arrependeu-se de ter aberto um cabeleireiro em vez de um aquário para vender peixinhos. Confesso que, embora não me dê gozo a desgraça alheia (tirando em casos pontuais), esta chuva não me causou pena nenhuma, primeiro porque pecou apenas por tardia, segundo porque é sempre a mesma história e já não consigo ter pena de algo que, embora previsível, toda a gente fica simplesmente à espera que aconteça, para depois se queixar.

A seguir a qualquer Verão, especialmente os Verões de 5 meses que começam a ser hábito, as primeiras chuvas são sempre a mesma coisa. Ninguém faz notícias dizendo “Choveu intensamente e tudo correu bem”, “Os comerciantes revelam o seu agrado pela óptima isolação que o seu estabelecimento possui” ou “Automobilistas festejam com buzinadelas túneis sequinhos e vias com alto poder de absorção após a chuvada de hoje”. Isso é fantasia, o resto é o país real e acreditem que não se prevê que as coisas mudem nos próximos 500 anos.
Se não gostam, mudem-se para África ou, melhor ainda, metam gelo, mas daquele que cai em catadupa do céu, para ver se vos passam as manias da desgraça.

Travis, Why does it always rains on me? (sim, é uma música "sensível")

4 comentários:

  1. Gosto desta música, apesar de tudo. :)

    (esqueci-me de dizer: o que eu curti a tua conversa com o galheteiro...)

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  2. Ou eu estou mesmo loira ou não vi chuva em lado nenhum!

    Estou é possessa com a porcaria do vento! ISSO SIM!!!

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  3. O que eu vos digo é que visto da varanda, foi um espectáculo bem bonito...:)

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  4. Não sou muito de me queixar, mas o sábado à tarde que passei a tirar baldes de àgua do carro e o facto de ele ainda estar com um cheiro a esgoto que se sente a 10 metros não me alegram por aí alem... Ainda assim a histería incomodou-me.

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