30.10.08

Argentina nas mãos de Deus (e do Diabo)

É curioso ver como, por vezes, as coisas se encadeiam e refiro isto apenas como a justificação de que preciso para falar de futebol. Vem isto na sequência de, na semana passada, ter tido a oportunidade de ver o documentário “Maradona by Kusturica” onde confirmei apenas algo que já previa - quando se juntam dois tipos que têm algo de génio/louco (e amizade por substâncias ilícitas) o resultado, quando não há instrumentos afiados pelo meio, pode ser engraçado.

Nesse documentário, confirmei também que há dois sítios na Terra onde Deus não é um individuos de longas barbas brancas, túnica a condizer e voz ribombante, mas sim um gordito atarracado com cabelo para dar e vender, problemas de atitude e uma relação mágica com uma bola de futebol – Argentina e Nápoles. Da criação de fenómenos como a Igreja Maradoniana ao estatuto imortal alcançado numa cidade pobre do sul de Itália, é fácil observar que a adoração pelo pequeno marciano (assim definido pelo irmão para aí aos 10 anos) vai muito para além da lógica.

Já esta semana, observei essa mesma ausência de lógica ao ler que Maradona foi designado seleccionador argentino. Quem assumiu essa decisão não assumiu um risco, assumiu vários e snifados em sequência. Este Deus nos campos, fora deles é um homem com falhas, muitas e variadas, muitas delas assumidas pelo próprio, mas que nunca se negará aquilo que ama - o futebol argentino.

Maradona já ganhou o estatuto de imortal, apesar de episódios como este. Não precisa de tentar mais milagres ou converter mais fieis. Posso estar muito enganado, mas, para além de um efeito moralizador, vejo muito pouco de bom em ter o Diego à frente do comando técnico de uma selecção como a Argentina. Imaginem, o Eusébio à frente da selecção, seria bonito mas muito pouco rentável parece-me, embora por esta altura tudo pareça melhor que o Queiroz.

É lógico que a mim me dá jeito, pois piadas fáceis são o prato do dia, tal como “Vamos ver a Argentina a jogar colada à linha”, “Maradona procura fonte de inspiração no banco” ou ainda “O resultado ficou em branco, o nariz de Maradona também”, mas o facto é que não me dá gozo bater num ceguinho que me dá tanto gosto rever em cada momento que passou no relvado.

A não ser que Maradona queira ser seleccionador português. Nesse caso, esqueçam tudo o que eu escrevi...

1 comentário:

  1. Maradona, selecionador Português? Seria Deus a escrever direito por linhas...

    ah esquece.

    não tem piada.

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