3.9.08

Room, Chambre, Zimmer, Mak


Sei que, o denominador comum, aponta para que o vocabulário de um recepcionista de hotel se limite a “Bom dia/tarde/noite”, “Bem-vindos”, “Boa viagem”, “Tenha uma boa estadia” ou “Consumiu amendoins no mini-bar?”. E não anda longe da verdade, sendo eu uma anomalia (no sentido positivo da palavra, se é que existe), que não só o consegue fazer em cerca de seis línguas diferentes, como ainda consegue conjugar uns quantos vocábulos originais.

Perguntam vocês que, salvo raras excepções, devem ter ficado hospedados em hóteis em Lisboa – Mas alguém estuda para ser recepcionista? Respondo eu, sim se tirarem o curso de Antropologia ou áreas similares.
Foi esse o meu caso, mas posso considerar a experiência positiva. Em vez de ir estudar primatas para o Malawi-de-baixo ou investigar tribos em Tuparaquinaovemchateá, faço quase o mesmo a partir de um estabelecimento com spa, piscina, ginásio e muitas outras comodidades.

A verdade é que eu não planeei a minha vida assim. Mas, a conjuntura, essa grande desvairada, levou-me até aqui e ainda não estou disposto a fazer o check-out. Não se pense que me encontram atrás do balcão da Pensão Zeca ou que o meu conceito de recepção é estar fardado a chamar táxis e abrir portas. Ganha-se bem a partir de um certo nível, especialmente se tivermos em conta que a exigência mental não é assim tão grande. Aliás, estou a treinar um pequeno símio para fazer as minhas folgas, combinando Antropologia e Gestão Hoteleira num só ramo.

Confesso que a parte dos turnos é chata, mas também proporciona liberdades extra, desde que não envolvam fraternização próxima com a clientela feminina. No entanto, o facto do meu local ser frequentado regularmente por malta que acende charutos com notas de 500 euros também faz com que, de quando em vez, umas quantas gorjetas possam chegar quase ao salário mínimo.

Continuem a votar nas profissões aparentemente mais nobres, que eu não me incomodo. Apenas comprova a minha teoria de que, em posições estratégicas como a minha (o acesso à cozinha é rápido) aprende-se muito sobre as pessoas e quase ninguém dá por nós. E depois basta passar por cá e escrever sobre isso.

6 comentários:

  1. Deveras convincente mas espero pelos próximos capítulos para julgar.

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  2. não sei se me cheira, como diria o Júlio Isidro

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  3. Está confirmada a realização da primeira demonstração de Agility a realizar na cidade de Oliveira do Bairro Aveiro, no próximo dia 7 de Setembro de 2008.

    Não Faltem

    ABRAÇOS

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  4. O Malawi-de-baixo não será Moçambique?
    JPS

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