26.9.08

Cover, my ass


Assiste-se actualmente a uma febre no mundo da música, dita mais trendy. Primeiro surgiu um e foi engraçado. Mais dois ou três e olha, por acaso até tem piada. De repente, já eram 50 mil e não páram de crescer. Refiro-me, é claro, aos covers. O que antigamente era território de bandas jovens e, acrescente-se, claramente pouco confiantes no seu futuro no ramo musical ou, ocasionalmente, de tributo entre grandes artistas, tornou-se um regabofe pós-moderno.

Por norma apanágio de gente com bons dotes técnicos, mas com fraca criatividade de composição, o cover é neste momento o sushi da música ou seja, mesmo que não gostes, tens vergonha de o admitir em certos círculos, porque não é fashion. E isto chega-vos pelas mãos de alguém que até aprecia um bom cover.

Como é óbvio não se trata aqui de marionetes tipo Milli Vanilli ou paródias de Weird Al Yankovic. São moças modernas que tentam reinventar 50 êxitos desde Def Leppard a Screamin Jay Hawkins em versão bossa nova ou com um beat muito lounge. São cromos bem parecidos com pinta de crooner ou artistas old school que se aperceberam do filão que há a explorar nos covers.

A verdade é esta, um bom cover reinventado é interessante, é novo e dá uma frescura musical a temas que já conhecemos há muito. Uma avalanche non stop não é, pelo simples facto de ser uma procura constante da mesma solução pelo mesmo tipo de artistas que, sendo um pequeno nicho têm algum valor, sendo uma grande classe não entretêm porra nenhuma, servindo apenas para reinventar a expressão “Aonde é que eu já ouvi esta trampa?”.

Venham de lá os defensores das Nouvelle Vague, do Paul Anka ou do Richard Cheese, apesar de a minha irritação não ser com nenhuma banda em particular. É um pouco como o Paulo Coelho escrever 20 livros iguais ou todos os bancos portugueses andarem a arranjar musiquinhas do cancioneiro nacional para vender mais corda para a malta se enforcar...

Bom fim de semana, que eu agora vou ali espancar alguém para dar o convite que me deve para a festa da Eristoff hoje.

Carlos Paião, Playback

3 comentários:

  1. O Paulo Coelho tentou inovar o tema e se deu muito mal... Haja vista o livro mais recente, que é péssimo. Não deveria ter mexido em time que estava ganhando (ao menos o bolso dele está cheio).
    Milli e Vanilli deveriam ter seguido carreira, mesmo depois de flagrados.
    Nouvelle Vague eu gosto muito. Sei lá, nada é absoluto. Muito pior seria ter que ouvir um disco do Richard Clayderman.
    Adorei a parte do sushi e da "frescura musical" :)

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  2. Que tonta! E eu que pensava que cover era aquela cena que te metem logo na mesa assim que te sentas num restaurante. Assim tipo azeitonas, pão e manteiga...

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  3. O problema é que por cada 10 covers há prai 1 que não é mau, na melhor das hipóteses... O que me irrita mais são más bandas de originais a tentarem lançar-se à custa de um hit-single que é um cover muito pior que o original.

    É por isto que vou pirateando musica e dormindo descansado. Se a industria se for abaixo duvido que consigam fazer uma merda pior do que a actual.

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