2.9.08

Cenas da vida de Mak actor


Gostava de dizer que faço parte da geração de “actores” Morangos com Açúcar. Mas, mas ao olhar-me ao espelho e ver que o meu cabelo continua a moldar-se de uma forma natural e não parece ter enfrentado o furacão Gustav, é impossível mentir.
O facto de ter colocado actor à frente de explicador tem a ver mais com o lado aspiracional da coisa, já que o orçamento às vezes é assegurado pelo lado das explicações.

Desde pequeno que tenho gosto pela representação. Talvez seja porque cresci a ver o João Pinto e o Paulinho Santos a fazerem pantomimas nos relvados. Ou então pelo facto de ter um irmão que deve ter quase tantos filmes em casa como a Cinemateca, alguns deles, a cores.

Mas porque sou um tipo esperto, ou pelo menos faço bem o papel, cedo percebi que ser aplaudido em casa pelos familiares (quem resiste a um anjinho de caracolinhos?) não é garantia de futuro profissional. Como tal, a minha formação académica, permite-me, pelo menos, ter uma visão culturalmente enriquecida do mundo do desemprego. O que é sinónimo de dizer que, se não fossem os meus talentos artísticos e a capacidade de ludibriar malta jovem a pensar que vão aprender alguma coisa comigo, estava bem entaladinho.

Desde miúdo fui criando os meus contactos, participando em peças, etc, coisa que fui desenvolvendo, no secundário e na faculdade, incialmente através de figurações. Sim, é verdade, eu já fiz parte do elenco de novelas portuguesas em papeis como “O segurança”, “Pastor na 3a fila a contar da direita” ou “mecânico que só se vêem os pés debaixo do carro”, para não falar em “Juíz Decide”... Mas progredi, hoje em dia pertenço a uma pequena companhia de teatro, os meus papeis já incluem falas nalguns filmes e séries nacionais (poucas, mas boas). Faço anúncios de TV para cá para esse país chamado o Estrangeiro e, ocasionalmente, figuras tristes por dinheiro, embora aqui as faça de borla, assim é a ironia da vida.

Hollywood não está nos meus planos, mas trocava as aulas de ténis e explicações de inglês a miúdos ranhosos por fazer a mesma coisa mas a vedetas de Beverly Hills. E olhem que alguns deles bem precisam.

Termino apelando para o bom senso. Não votem noutras carreiras, porque o actor aqui sou eu e o que há de vir a seguir não passa de encenação.

5 comentários:

  1. a ver vamos, como diria o Ray Charles.

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  2. oh...entao mas isto dá para mudar o voto? Porque o governo não funciona assim...?

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  3. Mak, não me obrigues a contar tudo o que sei...;)

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  4. e espectador na "filha da cornélia".. n passaste por essa escola... da altura em que Inês do Independenete era jurí

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