
Há pouco mais de um século, um artista chamado Rodin criou uma estátua a que originalmente chamou “O Poeta”, em alusão a Dante. Certamente que, desde logo, outros artistas (gente maldizente, uma raça que eu condeno) aproveitaram a deixa para lhe tornar a vida num Inferno, insinuando que misturar poesia e estátuas grandes de gajos nus era meio caminho andado para a bichanice.
Ora o Augusto que, apesar de artista, era homem de barba rija e muito possivelmente dado a piropos gaiteiros às suas modelos, deve ter levado a coisa a mal e pensou em como se havia de safar de tal fama. Rapidamente, “O Poeta” passou a “O Pensador” e embora a explicação oficial refira que este é um homem em meditação, numa aparente luta filosófica anterior, para alguns privilegiados (nos quais me incluio) é óbvio que a mesma representa um indivíduo nu que tenta reavivar a memória do forrobodó da noite anterior para saber onde raio está a sua roupa e porque raio tem tatuado no braço o nome Marlene.
O que o Rodin não sabia é que, décadas mais tarde, esta ideia do indivíduo pensador em meditação iria dar origem a uma praga no meio empresarial e intelectual. Soubesse ele de antemão e não só manteria o nome “O Poeta” como ainda lhe acrescentaria “O Poeta Larilas que gosta de compôr todo nu na varanda”. É que esta imagem filosófica, misto de classicismo, introspecção e sono em atraso, representa cerca de 85% das fotos instituicionais de quadros dirigentes e intelectuais que querem passar a imagem que pensar é um acto natural no seu quotidiano.
É certo que existe os mais criativos, que fazem variantes como colocar o polegar e o indicador em L junto ao queixo ou testa, outros preferem juntar as mãos numa mistura prece/reflexão muito indicada para aqueles que, para além de pensantes, também queres passar a ideia de religiosidade/integridade, algo que tem escapado por exemplo aos fundamentalistas islâmicos. Seja qual for a forma, o conceito é o mesmo e é o bom do Rodin que devemos culpar.
Tivesse sido ele um verdadeiro pensador e tinha logo cortado o mal pela raiz. É que em relação a identificar poetas efeminados é difícil ter dúvidas, agora fazer as pessoas acreditar que empresários que mal sabem afiar um lápis sozinhos e intelectuais que repetem doutrinas e teorias como papagaios da América do Sul são pensadores, não é com uma pose que me convencem.
Até porque gajos inteligentes não perdem tempo em sessões fotográficas com poses idiotas para convencer as pessoas que o são. Gajos inteligentes fazem blogs e tentam enganar as pessoas nesse sentido. Se falharem, pelo menos ninguém vai saber que escreveram o post todos nus em profundo conflito interior (culpa do restaurante mexicano).
Soundthinker - Gabriel o Pensador, Tás a ver
17.7.08
Fotos tipo Penso
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
14:12
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Mak, até de uma porcaria de uma estátua és capaz de escrever um post deste tamanho! A sério: adorava ter essa capacidade de anti-síntese. Ainda por cima com humor inteligente...
ResponderEliminar(não deves ter mesmo nada para fazer...)
fizeste bem em arredondar a estatística para 85%, para não incluir nela o quadro do Mário Soares na galeria dos PR's, porque esse é tributário do Krusty...
ResponderEliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarHá a foto variante 'Penso eu de que' do Pinto da Costa...
ResponderEliminarEstou a ver que este foi tipo um penso lento...;-)
ResponderEliminarTento adivinhar o que se passa contigo se me deres o prémio prometido por antecipação. Ou tu pensas que os teus comentadores se deixam enganar? :P
ResponderEliminarEu cá não engano ninguém. Prefiro o termo logro, dá outro elan à coisa...
ResponderEliminarMak, lendo este post acho que tu és o Hermano Saraiva do século 21 do ciberespaço!
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