4.7.08

2008 - Mau ano de colheita incendiária?

No meio de toda a gente que reclama dos preços do combustível, há uma minoria silenciosa que não aparece nos telejornais, não faz bloqueios nas estradas e nem sequer pode preparar um cocktail molotov em condições para receber amigos em casa. Refiro-me, é claro, aos incendiários do nosso Portugal.

Inicialmente, pensei que tivessem ido a empurrar o Camião da Galp com a Selecção até à Suiça, na expectativa de alguma retribuição em vouchers de desconto no abastecimento. Mas, como a selecção até foi amiga e voltou mais cedo e incêndios de craveira nem vê-los, comecei a estranhar.

Noutros Verões, por esta altura era vê-los já contentes a gravar os melhores momentos dos incêndios nos telejornais, a escolherem pinhais para lanchar com a família e depois incendiar à saída ou a irem ao Google Earth seleccionar matas para carbonizar à moda antiga. O preço do barril de petróleo veio estragar isto tudo, porque se é certo que ainda possível para o incendiário amador usar álcool, fósforos ou até mesmo (para os que frequentaram os escuteiros) dois pauzinhos para tentar criar aquelas labaredas que os excitam para mais que o site da Ana Malhoa (é preciso ser doente), não há dignidade incendiária na coisa.

Vai havendo um incêndio aqui ou ali, muito possivelmente obra de incendiários que têm a possibilidade de ir atestar o bidão a Espanha, mas nada de especialmente efectivo ou espectacular. Toda esta bola de neve, substância que, como se sabe não é propriamente amiga do incendiário, põe em causa o ciclo de verão de muitos portugueses. Para começar os políticos, que normalmente aproveitam o fumo dos incêndios para desaparecer uns meses e depois a malta das televisões, que assim tem de aproveitar para reciclar reportagens sobre um vitelo com duas cabeças que nasceu no Entrocamento ou as vantagens do Queiroz seleccionador com bigode face ao Queirós possível seleccionador sem bigode. Não será de estranhar se qualquer dia for apanhada uma carrinha da TVI a deitar fogo a uma mata qualquer, usando a Manuela Moura Guedes como atiçador. Finalmente, os comandantes de corporações de bombeiros pelo país inteiro vêem os seus minutos de fama ironicamente reduzidos a cinzas, já que o nosso país é pouco reconhecido em relação a acções de salvamento de felinos em árvores e idosos trancados em casa.

É isso mesmo que vos digo, um Verão sem incêndios em Portugal meus amigos é exactamente aquilo que é - uma seca.


Fire in the hole - Bloodhound Gang, The roof is on fire

1 comentário:

  1. Os jornalistas andam sedentos de lume. Hoje de manhã, como não havia cá nenhum incêncio, toca de falar sobre o da Califórnia.

    Em qualquer parte do Mundo, é sempre um tema quente.

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