24.6.08

Muro das conclusões


Terminando o meu périplo por terras berlinenses, gostava de vos dizer que guardei o melhor para o fim. Infelizmente não o fiz, guardei apenas o fim para o fim. Tendo isso em conta, vou debitar sem demora o que resta para dizer da minha passagem por pequena localidade, que segundo o que consta tem apenas quatro vezes o tamanho de Paris.
Sossegando as mentes mais perversas, começarei pela oferta cultural mais alternativa de Berlim - a prostituição de rua. Já me tinha constado que era legal (esta última palavra tem um sentido exclusivamente jurídico), mas surpreendeu-me o facto de ter lugar em ruas movimentadas da cidade, lado a lado com restaurantes distintos e o facto das senhoras terem um ar respeitável e muito bem cuidado. De facto, só me apercebi efectivamente do seu ramo profissional quando achei que era demasiada coincidência que de 20 em 20 metros estivesse uma jovem sozinha à espera de alguém à entrada de um prédio entre dois restaurantes. Ora, por muito saudável que isso seja, acho que é algo enganador para com o consumidor que cá, pela mini-saia estrategicamente colocada dois palmos abaixo do pescoço, pelo ar de quem foi atropelada duas vezes e os tamancos certificados pelo Chapitô, não tem qualquer dificuldade em reconhecer a profissional do amor em qualquer rua.

A minha viagem também me deixou perceber quão injusta é a informação de que os velhos em Portugal às vezes são piores que os jovens. Na verdade, os velhos podem ser piores que os jovens em qualquer parte do mundo e Berlim serviu-me de exemplo. Sabendo eu que não faltariam voltas por museus e locais públicos altamente frequentados, descuidei-me e não levei na bolsa de férias o repelente de idosos mal-educados. Episódio de referência nesta matéria passou-se no Reichstag, o parlamento lá da terra, onde as filas para entrar, apesar de extensas escoavam com alguma rapidez. No entanto, um grupo excursionista de 6 ou 8 idosos possivelmente de Klingenhoffen Unter den Linden (o nosso equivalente a Valadares da Beira) achou que filas são coisa de papalvos e toca de trepar a escadaria com a agilidade de pequenos saguins até uma zona onde se lia em vários idiomas “ENTRADA PROIBIDA”. Dissuadidos pelo segurança que controlava a entrada, acharam que o percurso de regresso ao fim da fila era demasiado penoso e pensaram “Que tal descermos apenas dois degraus e ficarmos ao pé destes jovens com ar de campónios”. Apesar de ter o bigode feito, senti-me ofendido pela alegação mental dos idosos e pela sua atitude fasc…(resolvi ficar a meio da expressão, para não ferir susceptibilidades na zona). Por isso mesmo, tomei como missão impedir que vissem o que quer que seja à minha frente naquele edifício. O que se passou a seguir foi aquilo que o Paulo Ferreira devia ter feito ao Ballack, em vez de se ter limitado a ser empurrado como uma menina. Cenas de marcação intensa com idosos a tentarem passar à frente nas mais diversas áreas do edifício e eu a mostrar-lhe que há formas viris de bloquear passagens, mantendo algum graciosismo. Sim, sou infantil, mas com 1,85m posso dar-me a esses luxos.

Finalmente, uma breve palavra (para evitar imagens mentais aterrorizadoras) sobre o pessoal de cabine seleccionado pela Easy Jet em solo germânico. Não havia mais ninguém disponível ou o Carnaval na Alemanha tem lugar em Junho? É que o meu conceito de assistentes de bordo, embora lato, não inclui personagens saídos directamente da Passagem do Terror e do Clube de Fãs do Liberace.

E, por agora, de Berlim é tudo.(tirando a música, que fica pelo menos até amanhã)

7 comentários:

  1. Realmente só sabes dizer mal:
    -Berlim é das cidades mais surpreendentes da Europa, mas depois do teu post parece apenas mais uma.
    -Quando lá fui na Easy Jet apanhei, pela primeira vez na vida, hospedeiros com um forte sentido de humor, que mandavam piadas "a la airplane" a torto e a direito e fizeram rir todo o avião durante a viagem. Não é todos os dias que um hospedeiro diz para toda a gente "Se o avião não cair porque o piloto é inexperiente, contamos aterrar em Berlim dentro de 20 minutos". Tiveste azar...
    - Quando o Reichtag tem uma vista maravilhosa (sobre a Unter den Linden, também!) e uma cúpula fantástica, gastas 27 linhas para falar de idosos.
    Desculpa, estou raivosa porque sou fã da cidade.
    Berlin forever!

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  2. Minha cara, para falarmos mesmo a sério de Berlim, terei todo o gosto em fazê-lo por outras vias (tanto que não fosse as dificuldades causadas pelo linguajar local e o ocasional Inverno com temperaturas mt negativas considerei ser dos melhores lugares para viver a que já fui).

    Para continuar a ter uma visão satírica das coisas, stay tuned on this blog.

    Mas, que se saiba mais sobre o Reichstag. O melhor daquilo é a combinação arquitectónica entre o edifício antigo e a obra do Norman Foster, se não estou em erro. O facto de ser todo envidraçado, da cúpula até à sala dos deputados, cujo tecto dá inclusive para ver a partir da cúpula, tem a ver com a política transparente a seguir pela Alemanha rumo ao futuro.

    O bonito da cidade é para ser descoberto por cada um (e há muito por onde ir). As partes idiotas da minha viagem, essas só se descobrem aqui ;)

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  3. Ok, ok...
    Já passou.
    Gostei tanto daquilo e gosto tanto de alemão que até comprei um curso em CD na fnac, mas ainda só sei dizer guten tag. E o Kinder Surpresa, que é um querido, ofereceu-me uma gramática de bolso...

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  4. Keine problem fraulein. Alles gut

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  5. Eles não falam aos gritos? Tpo Alfama mas mais consoantes?

    E perdigotos?

    Se calhar estou a generalizar....

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  6. @ Cat - acho que isso é mais em Amesterdão e arredores, onde é sempre aconselhável levar guarda chuva, mesmo no Verão.

    @ moyle - prefiro d'uma figa, mas aceito.

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