30.5.08

Eu não vou dizer que não vou

Bastou eu começar com a habitual bazófia do “Ah, tu vais?” em tom desdenhoso, do “Epá, vai tu que eu não” em toada jocosa ou do brejeiro “Vai andando, que eu não vou lá ter” que as entidades superiores que controlam o Universo decidiram reunir-se para deliberar o seguinte: “Este ano, este palhaço vai”.

Vai daí, a minha vida mudou. Para onde quer que me vire há um bilhete que insiste em aninhar-se no meu bolso. Seja de prenda, oferta, brinde, sorteio, herança ou de castigo não há escapatória. É porque a tia vai ficar ofendida, ou a prima que não tem companhia e mais as dez crianças ucranianas cegas que precisam de um guia para poderem ir ouvir Boss AC & Vitorino; de todo o lado surgem imperativos morais que, conjuntamente com esta ideia de conspiração do destino, me levam a pensar que pode não haver outra solução.

Ainda hoje ao almoço, depois de ter fintado em corrida dois parentes de bilhete em punho apenas para ir parar aos braços de uma colega, que me veio dizer que tinha sido um dos premiados com um bilhete num sorteio interno, me virei para os céus e gritei: “Porquê eu?”, apenas para abrir os olhos e ver as nuvens formarem a frase “Porque sim”. Visto isso e dado que sempre fui um espírito rebelde respondi mentalmente em tom de desafio: “Ok, tudo bem, vocês é que mandam”.
Ia jurar que ouvi risos ribombantes algures.

No ir - Amy Winehouse, Back to black

3 comentários:

  1. Tssc, tssc...Ele é queima das fitas, ele é rock in rio...qualquer dia vejo-te no Império!

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  2. Então e compraste uma t-shirt?
    :-|

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