11.5.08

As fitas da queima

Este fim de semana decidi que era tempo de de analisar erros passados e telefonar a todas as pessoas que ofendi nos últimos anos, de forma a ficar de consciência tranquila. Depois de consultar o saldo do telemóvel e constatar que na realidade não tenho consciência nenhuma, em vez diss optei por ir passear a Coimbra.

Coincidiu esta viagem com a chamada Queima das Fitas, mais precisamente com o seu encerramento. Apesar de, a seu devido tempo, ter aproveitado todo o regabofe universitário a que tinha direito, nunca fui grande entusiasta de tunas, fardas de Conde Drácula e o chamado espírito académico tradicional, coisas que me aceleram tanto o ritmo como o Leonard Cohen.

Mas, Coimbra é Coimbra e dois dias depois posso dizer que retirei ilações valiosas deste périplo ao auge da festança estudantil. Por exemplo, a ideia de que as pessoas não investem na educação e largam cedo os estudos é errada, já que me cruzei com diversos "estudantes" trajados a rigor que me davam a ideia de já o serem na altura em que passou na televisão o original da Vila Faia. Um bem hajam por investirem quer no estudo, quer na recuperação da economia através da dinamização da indústria cervejeira.

Um aspecto que também considerei importante é que é muito mais fácil viver experiências como a Queima com o devido distanciamento da fase da vida em que somos estudantes. As vantagens de hotel vs dormir no banco de um carro com três pessoas em versão tétris humano ou jantar de faca e garfo vs comer trampa no recinto ou optar por não comer trampa e gastar tudo em álcool constituem não só um simpático burguesismo como um oportuno retoque na arrogância com que devemos olhar para qualquer biltre que se vire para nós e diga "Mas tu tens que trabalhar e eu não".

No entanto, posso sinceramente acrescentar que o momento mais emocional desta visita aconteceu não ao descobrir que os James ainda estão vivos e até lançam álbuns novos, mas ao resistir à tentação de revisitar o Portugal dos Pequenitos e estragar assim a memória do tempo em que eu visitava várias casas sem a agonia de ter de pensar em áreas, empréstimos e expressões fajutas como "cachet".

O som da tradição a sério - Carlos Paredes, Verdes Anos

8 comentários:

  1. Coimbra nestas alturas de queima é mais a Oktoberfest dos pequenitos! Apesar de grande parte da família ser de Coimbra continuo a achar que o o fado mais conhecida tem razão: Coimbra tem mais encanto, na hora da despedida...

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  2. E não viu lá os Soulbizness?

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  3. Tem mais ar de ser a queima dos neurónios...;)

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  4. coimbra é sempre coimbra

    [bem, no melhor e no pior claro]

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  5. Toda aquela malta de capa negra... não sei. Parece-me mais um casting para o novo Batman do que festividade académica.

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  6. Esperava tudo de ti, menos que fosses à queima das fitas a coimbra...tás mesmo queimadinho do cérebro...

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  7. @ Cuga - O encanto da despedida reviu-se na passagem à porta do Portugal dos Pequenitos.

    @ leididi - Suponho que essa rapaziada não tenha actuado no encerramento, único dia em que eu abrilhantei o certame.

    @ Amc - Estimo que naquele recinto tenham acontecido massacres de fazer chorar uma pedra da calçada.

    @Moyle - É mais ou menos por aí.

    @ Inútil - Nessa questão dos morcegos houve um jovem ligeiramente ébrio que se dirigiu a uma moça trajada com as palavras "Ó morcega suga-me....". É difícil bater essa sensibilidade...

    @ sff - Foi uma coincidência de datas, que depois se capitalizou em convites. É como ir a Sete Rios e ganhar bilhetes para o Zoo. Queimado, mas não tanto...

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  8. Deve querer dizer que se cruzámos algures na cidade, porque pela primeira x em 26 anos também decidi ir à queima de Coimbra. Descobri que adoro a cidade e que estou velha, porque ao terceiro dia já achava que aquela gente toda vestida de preto devia pertencer a um velório. Mas pior, pior foi mesmo o aparecimento dos "bicos de papagaio"! Ainda estou em convalescença!

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