Portador de uma curiosidade social ávida e de uma unha encravada num dedo do pé, rumei este fim de semana à abertura do Estoril Open. Não tendo eu amigos condizentes (ou melhor, não tendo amigos, ponto) com a fauna que esperava por lá encontrar, tentei levar companhia que me fizesse sentir integrado no meio. Passei numa pastelaria e lá entrei eu nos courts do Jamor com um queque em cada mão. Não foi brilhante, mas desde que verifiquei o BES lá vende pipocas, deixei de me preocupar com o ridículo.
Verifiquei também que grande parte das pessoas que lá estão não vão ver encontros de ténis. Vão ser vistos por outras pessoas, que muito provavelmente lá estão pelas mesmas razões. E comer, também vão lá para comer, de borla claro está. Aliás, se fosse feito um estudo social, muito provavelmente se verificaria que se não fossem os eventos sociais e afins, a chamada classe alta e a socialite morreriam à fome num prazo inferior a dois anos.
Depois de ver que bolas de ténis gigantes são um óptimo engodo para conhecer miúdas (e idosas, e famílias, e crianças, e marmanjões e tudo o que tenha fixação com objectos gigantes gratuitos), descobri um jogador croata com o qual me identifiquei na plenitude. Fala sozinho, grita e reclama com e sem razão, parece ter amigos imaginários de índole violenta, ameaça aqueles que o rodeiam, tem algum potencial e é desconhecido do grande público. Só há uma diferença, o gajo tenta o sucesso usando uma raquete, já eu ando a ter aulas de acordeão.
Finalmente, o que contribui para me dar alguma volta ao estômago, para além dos quilos de pipocas à conta do BES. O número assustador de pais a tratarem as criancinhas por você ou pelo seu distinto nome de aspirações heráldicas. Não quis crer que se tivessem acabado de conhecer e ainda estivessem numa fase de quebrar o gelo ou que fosse exigência das criancinhas, ressentidas depois de um debate acalorado sobre a temperatura da água do banho.
Acredito no respeito (apesar de não ser praticante regular), mas neste aspecto só me faz sentido se for o filho a tratar os pais na 3a pessoa e, mesmo assim, isso tem muito a ver com o ambiente de educação. Tratar um filho por você é, no meu pouco modesto entender, criar uma barreira de respeito falso que tem apenas a ver com concepções estranhas de estatuto e tradições tão válidas como a história de cumprimentar com um beijo ou dois.
Mas, bem vistas as coisas, tomara eu conseguir tratar o ténis por tu. O resto, é problema dos respeitáveis pais e seus excelentíssimos filhos.
On the backcourt – Air, Kelly watch the stars
14.4.08
Vamos ao ténis, Exmo. Sr. Filhinho
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
12:18
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E os queques, comeste-os?
ResponderEliminarA Kelly perdeu porque tropeçou... ou a kelly era a outra?
ResponderEliminarVocê é uma besta, percebeu?
ResponderEliminarE o mais intrigante é que, às tantas, nem sabes cm é que hás-de tratar essas crianças, quando os próprios pais as tratam por você...
ResponderEliminarClaro que, qdo os pais não estão a ver, é de "tu" para baixo.. O problema é qdo eles estão ali ao lado... Mantenho-me fiel às minhas convicções, ou vendo-me?
@ em bicos dos pés - os queques encontraram umas madalenas de cascais e deixaram-me apeado.
ResponderEliminar@ roque - só me recordo que era ténis de mesa...
@ Kinder - Se vem aqui para constatar o óbvio, desilude-me, está a compreender?
@ maryana - ali, os pais são parvos há mais tempo, por isso há que respeitar as crianças...
nao me digas que queres roubar o lugar aos emigrantes de leste no metro!? larga lá o acordeão, pah
ResponderEliminarOlhe Mak
ResponderEliminarPelo menos para a final pode ter a certeza que terá uma companhia a condizer com o ambiente.
Vou já mandar à tinturaria as minhas calças saccoor encarnadas e ainda estou indecisa acerca da marca da pala. O que é que o menino acha? Os da Caras costumam ser uns queridos e arranjam sempre umas, por isso não sei. Vá dando dicas, ok?
Além dessa parte de "Ó Salvador, páre de puxar o cabelo à sua irmã", o Estoril Open é, como bem afirmaste, mais do que ir ver de forma apaixonada jogos de Ténis, é o verdadeiro spot para contactos e prever negociatas. Daí poder até valer para uma marca estar presente com pipocas...
ResponderEliminarÉ por isso que eu nem lá meto os meus presuntos! Já não bastavam as zonzocas aqui das redondezas, ainda ia aturar possidónios para o ténis.
ResponderEliminarEm relação ao você, para mim é abominável e considero um palavrão da pior espécie. Nunca tratei ninguém por você! Nunca! E se me tratarem assim até me sinto ofendida.
O meu pai dizia e dizia muito bem:
"Você é estrebaria!"
É a mesma coisa que tratar por Sr. e utilizar o primeiro nome.
De facto as pessoas não têem educação nenhuma!
Como houve uma alma caridosa que me ofereceu uns bilhetes, vou lá em pessoa averiguar tudo isto e constatar que é verdade.
ResponderEliminarDonde se percebe que o grande acontecimento (meta-evento) dentro deste circo será o meu encontro com SFF e Mak, embora ainda não saiba como os irei reconhecer.
ResponderEliminarFácil, eu sou o gajo que acha divertido levar um farnel com enchidos e pão saloio e comê-lo durante o jogo, sentado muito possivelmente a uma distância máxima de 2 ou cadeiras...
ResponderEliminarCuga e Mak, quando vão?
ResponderEliminarEu também é fácil: serei a única a prestar atenção ao jogo.