14.4.08

Vamos ao ténis, Exmo. Sr. Filhinho

Portador de uma curiosidade social ávida e de uma unha encravada num dedo do pé, rumei este fim de semana à abertura do Estoril Open. Não tendo eu amigos condizentes (ou melhor, não tendo amigos, ponto) com a fauna que esperava por lá encontrar, tentei levar companhia que me fizesse sentir integrado no meio. Passei numa pastelaria e lá entrei eu nos courts do Jamor com um queque em cada mão. Não foi brilhante, mas desde que verifiquei o BES lá vende pipocas, deixei de me preocupar com o ridículo.

Verifiquei também que grande parte das pessoas que lá estão não vão ver encontros de ténis. Vão ser vistos por outras pessoas, que muito provavelmente lá estão pelas mesmas razões. E comer, também vão lá para comer, de borla claro está. Aliás, se fosse feito um estudo social, muito provavelmente se verificaria que se não fossem os eventos sociais e afins, a chamada classe alta e a socialite morreriam à fome num prazo inferior a dois anos.

Depois de ver que bolas de ténis gigantes são um óptimo engodo para conhecer miúdas (e idosas, e famílias, e crianças, e marmanjões e tudo o que tenha fixação com objectos gigantes gratuitos), descobri um jogador croata com o qual me identifiquei na plenitude. Fala sozinho, grita e reclama com e sem razão, parece ter amigos imaginários de índole violenta, ameaça aqueles que o rodeiam, tem algum potencial e é desconhecido do grande público. Só há uma diferença, o gajo tenta o sucesso usando uma raquete, já eu ando a ter aulas de acordeão.

Finalmente, o que contribui para me dar alguma volta ao estômago, para além dos quilos de pipocas à conta do BES. O número assustador de pais a tratarem as criancinhas por você ou pelo seu distinto nome de aspirações heráldicas. Não quis crer que se tivessem acabado de conhecer e ainda estivessem numa fase de quebrar o gelo ou que fosse exigência das criancinhas, ressentidas depois de um debate acalorado sobre a temperatura da água do banho.

Acredito no respeito (apesar de não ser praticante regular), mas neste aspecto só me faz sentido se for o filho a tratar os pais na 3a pessoa e, mesmo assim, isso tem muito a ver com o ambiente de educação. Tratar um filho por você é, no meu pouco modesto entender, criar uma barreira de respeito falso que tem apenas a ver com concepções estranhas de estatuto e tradições tão válidas como a história de cumprimentar com um beijo ou dois.

Mas, bem vistas as coisas, tomara eu conseguir tratar o ténis por tu. O resto, é problema dos respeitáveis pais e seus excelentíssimos filhos.

On the backcourt – Air, Kelly watch the stars

13 comentários:

  1. A Kelly perdeu porque tropeçou... ou a kelly era a outra?

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  2. Você é uma besta, percebeu?

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  3. E o mais intrigante é que, às tantas, nem sabes cm é que hás-de tratar essas crianças, quando os próprios pais as tratam por você...

    Claro que, qdo os pais não estão a ver, é de "tu" para baixo.. O problema é qdo eles estão ali ao lado... Mantenho-me fiel às minhas convicções, ou vendo-me?

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  4. @ em bicos dos pés - os queques encontraram umas madalenas de cascais e deixaram-me apeado.

    @ roque - só me recordo que era ténis de mesa...

    @ Kinder - Se vem aqui para constatar o óbvio, desilude-me, está a compreender?

    @ maryana - ali, os pais são parvos há mais tempo, por isso há que respeitar as crianças...

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  5. nao me digas que queres roubar o lugar aos emigrantes de leste no metro!? larga lá o acordeão, pah

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  6. Olhe Mak
    Pelo menos para a final pode ter a certeza que terá uma companhia a condizer com o ambiente.
    Vou já mandar à tinturaria as minhas calças saccoor encarnadas e ainda estou indecisa acerca da marca da pala. O que é que o menino acha? Os da Caras costumam ser uns queridos e arranjam sempre umas, por isso não sei. Vá dando dicas, ok?

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  7. Além dessa parte de "Ó Salvador, páre de puxar o cabelo à sua irmã", o Estoril Open é, como bem afirmaste, mais do que ir ver de forma apaixonada jogos de Ténis, é o verdadeiro spot para contactos e prever negociatas. Daí poder até valer para uma marca estar presente com pipocas...

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  8. É por isso que eu nem lá meto os meus presuntos! Já não bastavam as zonzocas aqui das redondezas, ainda ia aturar possidónios para o ténis.
    Em relação ao você, para mim é abominável e considero um palavrão da pior espécie. Nunca tratei ninguém por você! Nunca! E se me tratarem assim até me sinto ofendida.
    O meu pai dizia e dizia muito bem:
    "Você é estrebaria!"

    É a mesma coisa que tratar por Sr. e utilizar o primeiro nome.
    De facto as pessoas não têem educação nenhuma!

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  9. Como houve uma alma caridosa que me ofereceu uns bilhetes, vou lá em pessoa averiguar tudo isto e constatar que é verdade.

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  10. Donde se percebe que o grande acontecimento (meta-evento) dentro deste circo será o meu encontro com SFF e Mak, embora ainda não saiba como os irei reconhecer.

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  11. Fácil, eu sou o gajo que acha divertido levar um farnel com enchidos e pão saloio e comê-lo durante o jogo, sentado muito possivelmente a uma distância máxima de 2 ou cadeiras...

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  12. Cuga e Mak, quando vão?

    Eu também é fácil: serei a única a prestar atenção ao jogo.

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