16.4.08

Televisão da madrugada – A 5a Dimensão está de volta

O meu mester (não confundir com o Mister da bola) obriga-me, de quando em vez, a regressar a casa naquele período a que convencionou chamar noite avançada. Na maioria das vezes o meu corpo vai em piloto automático cumprir as tarefas necessárias para que rapidamente possa cair que nem um cepo na cama. Mas, ocasionalmente, sou levado a fazer algo diferente, como preparar uns crepes Suzette, fazer um jogo de Mikado ou ver quantos me filmes me faltam para ver antes de morrer num livro que lá tenho.

A noite passada, a pontinha de masoquista que há em mim, segredou-me: “Anda, vem ver 10 minutitos de televisão, só para ver o que está a dar”. Como a minha faceta sádica já estava a dormir, acedi.

Desiludido pelo facto de não ter encontrado canais onde moças voluptuosas e prestáveis recebem muito amigavelmente o carteiro ou por ver que o Teleshop já não reserva surpresas para mim, foi na SIC e na TVI que descobri o que está na berra em termos de televisão da madrugada.

Pelos vistos, a velha fórmula do liga para cá que eu dou-te uns cobres ridículos, está de volta. Só que, de maneira a agradar aqueles que decidiram que a vida é curta demais para perder tempo a dormir, especialmente quando a televisão está a dar coisas tão boas, algumas regras mudaram. Os concursos estão cada vez mais básicos e imbecis e, para manter uma certa coerência, foram buscar apresentadores à medida, isto para não falar dos operadores de câmara com Parkinson que estavam livres desde que o José Figueiras foi proibido de usar calções de tirolês.

Se na SIC, a jovem de serviço combinava um certo look inocente e simpático, com um ar maroto e irreverente, dúbio o suficiente para agradar à diversidade de taras do público noctívago, foi na TVI que descobri uma nova mescla de entertainers. De um lado, aquilo a que em linguagem de andaime se chama “uma febra” – jovem loira, bom porte atlético, ar amistoso, sorriso que brilha a cada euro que pinga e passível de ser inserida no eixo modelo-actriz-relações públicas de bar em Serra das Minas. Do outro lado, simpático saguim, com uma graçola sempre no bolso, um gosto particular por simular actos que são realçados por divertidos efeitos sonoros da regie e um claro sentido de oportunidade, agarrando-se à febra sempre que pode.

Resultado destes 10 minutos de TV – uma dúvida. Será que, não se podendo esperar muito mais, é isto que é necessário para prender uma cambada de anormais (nos quais me incluo, a título honorário) à televisão de madrugada? Ou, pelo contrário, é um serviço público que é prestado, já que com certeza muita gente corre para a cama, mesmo que não tenha sono, para evitar um pesadelo que se tem sem ser preciso estar a dormir?

A dúvida subsiste. O sono também.

5 comentários:

  1. eu vejo televisão quando quero ficar deprimido.

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  2. eu diria mesmo mais. eu fico deprimido quando vejo televisão.

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  3. Por acaso, já ando para escrever sobre isso há uns tempos... E acho que no outro dia até lá vi o Kapinha..:)

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  4. Acredito que justifique muitas das insónias que andam por aí...

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  5. Uma vez apanhei na Sic um rapaz horroroso, bimbo, irritante e com os óculos mais horríveis que vi até hoje. Era esse o tal de look inocente que referes? :-D

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