17.4.08

A acústica da refeição

O meu gosto pela vida leva-me a ingerir alimentos em alturas específicas do dia. Uma delas, que muitos de vocês conhecem como “almoço”, situa-se convenientemente a meio do dia, permitindo-me galhofar com parceiros de profissão sobre o pouco que fizemos de manhã, o muito pouco que planeamos fazer à tarde e ainda sobre temas importantes da actualidade. Como é óbvio, dou-me maioritariamente com mentirosos e maldizentes, o tipo de pessoas que vêem em mim um exemplo a seguir.

Mas, se tudo isto pode parecer trivial, há um factor científico que tenho vindo a verificar num restaurante que costumo honrar com a minha presença. A acústica do mesmo melhora consoante o tema de conversa na nossa mesa.

Senão vejamos o Ensaio A, efectuado esta semana:

Em dois dias diferentes, o restaurante tinha essencialmente o mesmo número de clientes, resultando numa casa composta.

Dia 1 – Tema de conversa: Coscuvilhice profissional, educação e vida para além da morte.
Acústica – Péssima. Tendência normal para aumentar o volume da voz, ajustando-o ao nível da sala. Pratos e talheres, fundindo-se de forma pouco harmoniosa numa sinfonia com coro de pedido de empregados.

Dia 2 – Tema da conversa: Concepções de homens e mulheres sobre sexo com/sem preservativo, a banalização do swing e das orgias e ofensas gratuitas contra o patronato.
Acústica: Perfeita, dava para ouvir uma azeitona cair a 50 metros de distância. Excepção para um cidadão senior, cuja placa o impedia de comer sem ruído, desculpável pelo facto de usar aparelho auditivo.

Conselho: Se gostam de comer sem gritarias, escolham bem o tema de conversa. Faz milagres acústicos.


Prato do dia - Clutchy Hopkins, Rocktober

6 comentários:

  1. E isso aplica-se a um grupo de parceiros/galhofeiros misto ou masculino?

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  2. Acho absurdo haver ofensas gratuitas contra o patronato na ordem de trabalhos e os decibéis descerem. Há algo aí que não está correcto.

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  3. Grupo misto é claro, que isso de almoçar ao estilo de corporação de bombeiros ou grupo de mineiros é coisas pouco trendy.

    Qt às ofensas gratuitas, isso tem a ver com a cafeína às vezes estimular o que de pior há nas pessoas.

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  4. VAmos ter de testar isso...:)

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  5. Eu adoro o "companheiro de almoço" que por vezes me faz rir com as tontices dele, os temas de conversa variam o mais possível. Muitas vezes escandalizamos as pessoas que estão ao lado.

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  6. Desaconselho a ultilização deste método em jantares de família!

    A não ser que estejam preparados para 30 segundos de um silêncio mortífero com direito a um possível pontapé-de-encher-os-olhos-de-lágrimas por parte do progenitor mais próximo!

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