4.2.08

Quem é que não é parvo?

Confesso que não vou muito à bola com escuteiros, isto não pondo em causa os predicados que o escutismo possa ter, já que no meu caso é mesmo uma questão de embirração pessoal. E não, não fui molestado por nenhum escuteiro quando era pequeno.
Mas, à parte a minha posição pessoal, que é que isto tem a ver com o MediaMarkt? Pelos vistos tudo, na sequência de uma campanha publicitária que tem como tema central um país fictício (até ver) chamado Parvónia.
Antes de me alongar mais, eis os dois anúncios de televisão:





Ora, parece que os mesmos anúncios têm causado viva indignação junto de escuteiros, seus familiares e duas misses no concelho de Sintra. Dizem os mesmos que um dos personagem retrata de forma ridícula (ou seja, ainda mais do que na realidade) um escuteiro e é exigida a retirada da campanha e um pedido de desculpas do Mediamarkt, instituição que já nos deve outro desde que se atreveu a colocar uma campanha com o Fernando “Preço Certo sem pescoço” Mendes nas ruas.
O tom da campanha é evidentemente humorístico, arrisco eu a dizer num desafio lógico com um grau de dificuldade de cerca de zero. Quem não quer ser parvo, não lhe veste a pele e, se de facto os escuteiros não se identificam com aquele personagem, porque raio é que vão credibilizá-lo?
Ainda não vi os políticos, os militares e as misses a reunirem-se em catadupa, para se munirem de archotes e irem queimar o Mediamarkt mais próximo, talvez porque até esses saibam que a melhor maneira de fazer morrer uma piada (seja ela de bom ou mau gosto) é ignorá-la.
Ao mostrar uma lustrosa tacanhez mental, o que os escuteiros estão a fazer é puxar para si o personagem, que agora sim está conotado de perto com estes marialvas de calção e lencinho. Ele é petições, indignações, é levar a história do “sempre alerta” ao absurdo. O Ricardo Araújo Pereira que se cuide, porque depois da rábula do bombeiro e do INEM, se se corta em casa ou tem um incêndio no quintal, basta o exemplo dos escuteiros começar a ser seguido e o rapaz bem pode tentar apagar o fogo com o sangue.
O humor, como quase tudo, é passível de ser discutido, mas se eu já achava alguma piada aos anúncios (mais ao primeiro que ao segundo), acho hilariante a reacção desmedida e desnecessária dos discípulos de Baden Powell.
Deixa lá ver até onde isto vai, mas visto que rir faz bem, é continuar com este tipo de boas acções diárias. E isto vale tanto para o Mediamarkt como para os escuteiros.

6 comentários:

  1. Os únicos com razão para se sentirem humilhados são os habitantes provenientes dos povos de leste da europa que, através do seu sotaque "tugórrusso", são evidentemente conotados como gente proveniente da parvónia.

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  2. Se o Borat não tivesse morrido, esse sim é que lhes punha um processo...

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  3. tudo bem que o anúncio é xenófobo, é de mau gosto, é de mau tom, é de... bem, é mau em tudo. porém, quanto aos escuteiros é bom não esquecer o aforismo clássico: São meninos vestidos de parvos, guiados por um parvo vestido de menino. A partir daqui é só pôr as coisas em perspectiva.

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  4. E o Ricardo que fez uma das melhores piadas com escuteiros de todos os tempos ainda nos primórdios do Gato na TV. "A minha vida dava um filme indiano". São um alvo tão fácil, coitados, que deviam ter alguma capacidade de encaixe.

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  5. E ninguém disse que os escuteiros são uns meninos vestidos de parvo chefiados por um parvo vestido de menino? :)

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  6. O mediamarkt, ao que consta, afinal também é parvo e parece que acaba por retirar a campanha...

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