24.1.08

Telheiras, capital mundial do terrorismo amador

Já se sabe como é o português. Fala-se em gripe das aves e há milhares que começam a sentir o nariz entupido, espalha-se o rumor de que não há chineses idosos por cá e de repente todos os restaurantes são acusados de servir chop soi de avô.
O terrorismo não é excepção e, desde as últimas notícias, qualquer paquistanês que venda rosas pode ser um provável suspeito de levar plutónio nos bolsos. O facto é que, a haver terroristas em Portugal, estão cá a relaxar antes de voltar à sua terra para receberem o seu colete bomba de fim de curso ou vêm visitar as nossas Repartições de Finanças para aprenderem novas formas de espalhar o terror numa comunidade.
Fora isto, não deixa de ser interessante a sequência de fenômenos que se passaram em Telheiras esta semana, que têm que ver com esta temática. Salvo erro, na 3a feira foi detectado numa carruagem um saco suspeito. Alerta geral, pára tudo, afinal o Bin Landen fazia compras no Carrefour de Telheiras, encerra dois quarteirões, mais a linha Verde e, seguindo os procedimentos, a polícia lá detona o saco. Para desilusão de Nuno Rogeiro e um ou dois arquitectos, não era uma bomba.
Ontem, eis que é detectado na estação uma mochila com lenço “a la Arafat”. O funcionário, expedito, resolve pegar na mochila e levá-la até ao exterior da estação, só ligando depois para a polícia. Afinal de contas, o Sporting jogava ao fim da tarde e não dava muito jeito atrasar o serviço. Fez bem (ou mal?), já que a polícia depois de ter comprado cargas explosivas numa loja dos chineses (que não estamos habituados a detonar tanta coisa de seguida) descobriu que a mochila só tinha um despertador, uns cd’s e materiais inofensivos, naquilo a que se pode chamar uma versão moderna dos apanhados do Manolo Bello.
A questão nem passa tanto pelo o pormenor de haver alguém que leva uma suposta mochila-bomba até à “porta do Metro”, vai para toda a cobertura mediática que é feita, com noticiários a falar da escala de alertas e do gravoso que é não estarmos já no nível fuccia. O terrorismo vive do medo e da cobertura mediática que lhe é dada, pelo que com apontamentos destes, dá-me ideia que não só estimulamos partidas deste calibre como também a ideia de criar um especial “Malucos do Riso” para vender à Al-Qaeda.
Terrorismo em Portugal é a especulação imobiliária, a programação televisiva nacional, os salários dos gestores face à média nacional ou o Rui Santos a falar de bola na Sic. O resto passa-nos um bocado ao lado. E, até ver, podemos ficar agradecidos por isso.

Ribombando – John Lee Hooker – Boom Boom

2 comentários:

  1. E depois? Chamaram a ASAE porque os cds eram piratas ou já conseguiram relacionar o episódio com a pseudo fuga de gás do ISCTE na semana passada. Para além da teoria da conspiração, creio tratar-se de uma família da antiga classe média que teria ido na semana passada, mais especificamente, na 5ª feira à feira de carcavelos: a mãe (que mora na Av. do ISCTE) comprou enxofre porque os canídeos lá da rua não páram de defecar à sua porta e exagerou na dose; o filho comprou uma mochila da "pluma" e uns cdzitos piratas (pq família da antiga classe média já não tem crédito para mp3). Como ontem estreava o filme sensação no metro e sempre era de borla, o mocinho vai com a mochila nova e conteúdo às costas; parte de telheiras, pousa a dita, vai fumar um cigarro á porta, com a pressa corre para o metro e esquece-se da mochila... mas consegue um bom assento para ver o filme. Ok? Esta explicação é, de longe, bem mais plausível... mas não dava para encher enchidos nos telejornais. Temos pena.

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  2. estamos a esquecer as publicidades a imagens para o tlm, não estamos? era pôr essa porcaria no Afeganistão a passar exactamnente o mesmo tempo que passa na tv cá e logo víamos se os gajos não se rendiam a pedir piedade e a oferecer cada gota de petróleo que lá houvesse...

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