9.1.08

Pobres dos ricos sem tempo

Não sendo eu um abastado jogador da bola, ou melhor, sendo eu um jogador da bola de nível assumidamente sofrível, não posso pagar a um jornalista ávido por alguns trocos para escrever uns posts por mim e quiçá uma biografia antes dos 30.
O que não me impede de fazer uma breve consideração sobre as novas definições do que é ser rico. Segundo o que me disse, numa sessão de troca de bitaites com este amigo, rapaz instruído que lê revistas estrangeiras, hoje em dia os estudiosos e os opinativos indicam que há novos padrões de riqueza. Artigos de luxo, riquezas materiais, bens irracionalmente dispendiosos, isso é coisa de ontem. O que definia “a verdadeira elite” era a capacidade de ter e usufruir de coisas sobre as quais o comum mortal só tinha ouvido falar em histórias de encantar ou através de alguém conhecido que as tinha visto nas férias passadas em terras longínquas.
Hoje em dia, dizem os entendidos que qualquer distinto matarruano com notas no bolso ou o telefone da Cofidis nas teclas de acesso rápido do telemóvel pode ter um relógio esculpido em ouro e diamante por um eremita suiço ou, se tiver uns bolsos bem largos, ter um carro de luxo, um barco de sonho e mulheres (pronto e homens) a condizer ao seu lado.
Resumindo, hoje em dia ter dinheiro continua a fazer-te rico, mas dado que é uma coisa muito mais trivial não te garante que faças parte da “verdadeira elite”. Essa gente, meus amigos, consta que são aqueles que têm tempo e a capacidade de fazerem o que querem, quando querem. Atenção, se és um desempregado, um onanista quotidiano ou um parasita social podes tirar esse sorriso da cara, porque não é esse tipo de tempo livre que é referido.
A coisa fia mais fino, ter tempo sim, mas para estar três dias no teu apartamento em Central Park, NY a jogar Mikado, indo daí para um concurso de imitadores de Bob Marley na Jamaica, voltando depois a casa, para usares o computador durante três horas e depois continuares a fazer a tua réplica em tamanho real do José Cid em palitos. Ou seja, para teres este tipo de tempo tens de ser rico, mas essa riqueza não te pode amarrar a horários e afins, nem passa por levares uma vida regrada com tudo bem arrumadinho no banco.
É viver bem, sem olhar a quem, quando ou onde vais ter que estar a seguir. Basicamente é fazer um plano de não ter planos.
Ora isso vem lixar-me a vida, porque se tentar fazer fortuna já estava a ser complicado, acumular tempo livre ainda me parece mais difícil…
Resta-me o conforto de pensar, que se algum de vocês fosse rico, já tinha perdido uma fortuna com o tempo que perdeu a ler isto.

Sons do tempo – Bob Marley / Three Little Birds

3 comentários:

  1. E somos bem capazes de passar por aí para reaver essa fortuna...;)

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  2. Mak, se saires da Publicidade já é um primeiro passo para começares a ser rico...

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  3. e o nicolau breyner vai estrear-se como realizador, li hoje
    o filem promete ser uma mistura de crime com erotismo
    TÃO ORIGINAL!!!!!!!!!!! LOL

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