30.11.07

Continua chamando-me assim, Maomé

É com alguma indignação que tenho lido notícias sobre a situação do já famoso peluche, Ursinho Maomé do Sudão. Ao que parece a senhora professora que pensou que podia andar aí a dar nomes imaculados a ursos já não vai levar as 40 chibatadas previstas, o Ursinho não vai levar as 20 que lhe calhavam em sorte e as crianças não vão ter que ver 1 DVD do Avô Cantigas ininterruptamente durante um dia.
Mas, essencialmente, estou indignado por ser um país dito de 3º Mundo a avançar com um conceito que, vistas as contas, podia ser uma ferramenta muito útil – a punição severa a quem dá nomes idiotas a pessoas e pronto, vá lá, peluches. Imaginem um gabinete do registo com uma pequena sala adjacente reservada a punições: “Ai queres Cátia Kárina Vanessa? Muito bem, 60 chibatadas e pode seguir”, “Nani Ronaldo de Maradona Petit? Não há problema, 20 chibatadas por cada um dos nomes que não mude” ou “Libório Maria? 10 Chibatadas só por ter pensado no nome, mais 35 pela conjugação nome feminino e masculino”.
Suponho que ou os nomes viscosos que abundam pelo nosso país desceriam em catadupa ou o gosto pelo fetichismo revelado nos tornaria um “Red Light District” à beira mar plantado.
Atenção, eu não sou pela violência gratuita. Aliás, considero que quando bem aplicada a violência deve ser muito bem paga e recompensada. Mas, como sou uma pessoa simples, bastam-me os agradecimentos eternos das gerações vindouras por esta ideia marcante para Portugal em geral e para as costas de alguns em particular.

Chicoteando as ondas sonoras com - Elvis Presley - Teddy bear

29.11.07

Sobe, sobe elevador sobe


Os elevadores são lugares fascinantes. Lugares de passagem, de fantasias amorosas, de cenas assustadoras e de algumas das selecções musicais mais arrepiantes a que o ser humano já foi exposto, eles entraram na nossa vida, a partir do momento em que nós começámos a entrar neles.
Quantas viagens de elevador não foram momentos de partida para episódios inesquecíveis da nossa vida, quantos sons tipo “PLING” não abriram as portas aos nossos sonhos ou escancararam os portões de muitos pesadelos?
Antes que comecem aí a ataviar episódios deliciosos* porque tenham passado nestes contentores ambulantes quero apenas dizer que, ao contrário deles, com esta conversa não pretendo ir a lado nenhum.
Precisava apenas de um pretexto para me referir o quanto me irritam as pessoas que, estando outras à espera de um elevador com o botão para subir premido, chegam com ar sabichão e carregam no que tem a seta no sentido descendente.
Lá está, é sempre necessário um iluminado para, tal como Moisés, separar as águas. E ficam a pensar: “Então estes idiotas não vêem que o elevador tem que descer? Não percebem que se carregaram para cima ele não vem para baixo...Se eu não chegasse esta pandilha ficaria aqui eternamente à espera da semana dos nove dias”.
Depois, como é natural depois de algum tempo de espera, o elevador chega e é vê-los com um sorriso condescendente como quem diz “Seus tolinhos”, sem no entanto repararem que o botão que carregaram continua aceso.
Por isso, fica aqui um guia básico para quem lida com elevadores e não quer passar por mete nojo:

BOTÃO COM SETA NO SENTIDO ASCENDENTE OU COLOCADO NA PARTE SUPERIOR – Criado a pensar nas pessoas que pretendem ir para pisos acima daquele em que se encontram.

BOTÃO COM SETA NO SENTIDO DESCENDENTE OU COLOCADO NA PARTE INFERIOR – Criado a pensar nas pessos que pretendem ir para pisos abaixo daqueles em que se encontram e para anormais que acham que sabem mais que os outros.

PS – Um bom remédio para estes últimos é entrar num elevador que realmente vá descer, mas no qual entre um cromo que carregou insistentemente no botão errado para subir. Depois de ver qual o andar para que ele vai (no meu caso ia para o 7º), carreguem no botão do piso de garagem mais baixo (no meu caso o -4). A viagem é mais longa, mas a agonia do imbecil vale a espera.

Entre pisos – Beck – Elevator Music

27.11.07

Quem não come por ter comido, não é doença de perigo

Pelo que li e ouvi esta manhã, certamente este senhor ucraniano terá levado o supracitado provérbio demasiado à letra. Depois de anos a comer com o sogro, terá aproveitado os ares de Sintra para abater o “com” da frase, pouco depois de ter abatido o próprio do sogro.
Se por um lado, terras como Almoçageme, jornais como o Correio da Manhã e blogs idiotas como o meu podem ganhar realce com tão rocambolesco episódio, Portugal não precisava de mais um personagem neste registo.
Já basta sermos comidos pelo Governo, pelas Finanças, pelos patrões, por boa parte dos taxistas do aeroporto e, no caso dos alunos da Casa Pia, por tudo quanto seja funcionário com problemas de fundo. Mas não, agora ainda nos arriscamos a ser literalmente sorvidos até ao tutano por emigrantes de apetite voraz.
Parece que, assim sendo, a par do clima temperado os portugueses estão a passar de ser um bom garfo, para passarem a ser um bom prato. Pelo sim, pelo não, vou começar a tomar banho em bílis, só pela prevenção.

Estranhamente no ar - !!! – All my heroes are weirdos

22.11.07

3 Tiros para o ar

1º Tiro – Pede-se ao cozinheiro da selecção nacional que tenha em atenção o facto de não ir haver bifes em terras austríacas e suiças durante o Euro2008.

2º Tiro – Para quem me vir a entrar no Maxime hoje. É trabalho mesmo.

3º Tiro – Suplica-se ao senhores que inventaram as areias anti-odores para gatos que façam pesquisa de tecidos anti-odores da mesma espécie para idosos frequentadores de transportes públicos. Tenho um estômago sensível.


Bomba sonora - Sigue Sigue Sputnik - Love Missile F-11

21.11.07

Para levar à letra

Fazendo scroll por este antro, podem até duvidar do que vou dizer, mas a língua portuguesa é me é muito querida, algo que talvez se explique pelo facto de ser português. Sei que porventura 0,2% da população nacional partilha comigo este gosto, uma clara minoria se formos a comparar com os que são adeptos de língua estufada.
Esta revelação tem um claro motivo, um tal de Acordo Ortográfico, com o qual já se anda a jogar ping pong desde 1990. Este grande unificador dos países de língua oficial portuguesa (excluindo a Ucrânia), sofreu novas mutações em 2007 e, pelo que vi, não será má ideia colocar uns quantos linguistas em reservas naturais para preservar o português, porque daqui a 10 anos a coisa pode estar morta, tal como a conhecemos (Portugal vai pedir uma moratória de uma década até a entrada em vigor do acordo, ou seja, o tempo suficiente para tentar acalmar a Edite Estrela).
Sobre o acordo, em traços gerais, pode dizer-se que os deficientes é que pagam, Até ver, tudo quanto é mudo vai ser erricado da língua portuguesa. “Pês” e “Cês” que durante tempos infindáveis ficaram caladinhos a fazer companhia a outras letras, sem protestar nem sequer abrir uma vogal à paulada, receberam guia de marcha, para se irem juntar, por exemplo, aos “Ph” que em tempos foram substituídos “Efes” mais modernos.
A prostituição ortográfica irá ser legalizada em Portugal, já que o “Agá” perde toda a sua independência, pois desaparece de “Oje”, de “Úmido” e de mais umas quantas palavras vítimas de um olocausto. Deste modo, o “Agá” passará a ser apenas a ter um serviço de acompanhantes para “Cês”, “Énes” e “Éles”.
Mas, acima de tudo, o que me deixa a pensar (coisa rara) é o facto de nós irmos alterar 1,6% do nosso vocabulário, ao passo que o Brasil altera apenas 0,45%. Ou seja, as novelas podem vir a substituir o prontuário ortográfico no período de transição que aí vem. Basta pôr legendas.
Quanto a este blog, vamos manter-nos coerentes. Se já se dizia mal de tudo, agora vai passar-se a escrever mal na mesma proporção. Se não gostam, juntem-se ao “Pê” e ao “Cê” mudo e desapareçam.

O B-A-BÁ sonoro - Extreme - More than words

19.11.07

Cherloque Olmes à portuguesa

Depois de no sábado ter testado os meus limites (de temperatura e estupidez), achando engraçado ir a Leiria ver a selecção da Arménia jogar com um conjunto de jogadores portugueses, considerei que seria uma boa opção ficar no calor do meu lar no serão seguinte.
Dando graças pelo facto do isolamento proporcionado pelas paredes forradas com pacotes de leite funcionar, reparei que na RTP e na SIC o alinhamento previa um duelo de Maddie’s. Sabendo da capacidade artística da turma de Carnaxide, depois de um sábado sem espectáculo nos relvados, optei pela estação que mais show prometia, dando folga à estação estatal que, ao que consta, anda com problemas de balneário.
A música de fundo com algum drama e tensão logo a abrir indicavam-me que tinha feito a escolha certa. Mas, o melhor estava para vir, quando anunciaram que iam mostrar excertos de uma reportagem da CBS em colaboração com um detective privado. Eis que fiquei então a conhecer o homem que faria de Sherlock Holmes um mero amador, de Artur Varatojo um menino ou do Inspector Gadget um tenrinho sem recursos, o renomado: Joe Moura.
Joe Moura, descendente de portugueses, tem pinta de craque da investigação. Alinha numa grande agência de detectives privados, desfez-se da barba que encontrei na foto, mas não da barriga proeminente que mostra que é homem que não descuida a alimentação, mesmo no decorrer dos casos mais difíceis.
Não conhecendo os méritos passados de Joe Moura, este mostrou ar confiante atacando fluentemente em português e em inglês, mas acima de tudo mostrou que a esperteza lusitana pode ser um bónus para um bom investigador. De outra forma, como poderia o sagaz Joe Moura ter convencido a CBS a pagar-lhe uma “infiltração”, como lhe chamou, de 15 dias no resort de luxo onde os McCann estiveram alojados.
Arricando muito, Joe Moura pode inclusive ter optado por pensão completa, apesar de ter, segundo disse, passado muito tempo no Tapas Bar onde o casal jantava regularmente, familiarizando-se com os empregados e também com a ementa. Durante duas semanas o nosso Joe não parou, recolhendo “evidences” como lhe chamou em inglês, mas que creio que em português se chamam “evidências”. É que o intrépido Joe resumiu-se, pelo que vi, a indicar pormenores que não me pareceu que não se conseguisse saber num dia de pesquisa na net. Do número real de garrafas de vinho bebidas ao jantar, ao ângulo de visão da mesa do restaurante, o nosso Perry Mason não falhou uma. Considerações como “Então se tivessem liquidado a filha isso não se notaria ao jantar?” ou “Ou entre vinho e conversa, muitas vezes quinze minutos não são quinze minutos” mostram que com infiltrações destas não escapa nada, nem o digestivo.
Repito, não conheço o passado detectivesco do grande Joe, mas gosto do seu método e de como, em “apenas” quinze dias de boa vida no Ocean’s Club conseguiu chegar à conclusão de que Maddie foi raptada. Fez me pensar que com um homem destes a actuar permanentemente em Portugal, o mundo do crime lusitano ia com certeza emigrar para Espanha. Os meus serões de domingo teriam outro nível, isso posso garantir.

Mais uma pista – Fun Lovin' Criminals - Couldn't get it right


PS – Será que consigo convencer a CBS a contratar-me para tentar descobrir o paradeiro do ex-pequeno Saúl?

16.11.07

Ordem na sala

Que a malta gosta muito de encher o peito (não é uma piada sobre silicone, mas podia ser) e de usar, por exemplo, as abreviações Dr.-Eng.-Prof. como equivalente a título nobiliárquico não é segredo nenhum. Aliás, a história do corporativismo não é coisa do passado meus caros, ele existe mas agora já não é visto como um inimigo a abater, mas sim como uma consequência natural da sociedade moderna.
Se formos a ver, Ordens de tudo quanto é profissão de estatuto social (ou elite intelectual) ainda existem aí a pontapé, De Advogados a Engenheiros, de Farmacêuticos a Arquitectos, só para citar alguns, não faltam por aí casos desta espécie de sindicatos para copinhos de leite. Como apontamento, ainda ontem ouvi o Bastonário da Ordem dos Médicos dizer que nem sequer põe a hipótese de ser alterado o Código Deontológico da Ordem para ficar em conformidade com a lei do aborto. Ou seja, sim senhor a malta cumpre a lei porque é obrigada, mas no nosso recreio quem manda somos nós.
Numa perspectiva genérica, a sociedade de classes da época medieval ao fim ao cabo ainda existe, só que se trocaram por letras e por uma escala menos estanque (alta-média-baixa) aquilo que antigamente se chamava simplesmente clero-nobreza-e gajos que servem de saco de pancada para todas as ocasiões. O que dantes se pagava de dízimo em couves, cereais ou trabalho, paga-se hoje em honorários pelos serviços dos senhores ou até mesmo favores sexuais, nos casos em que a primeira não seja possíveis ou mediante acordo prévio (ou posterior) entre as partes.
Não indo eu à bola com ordens, sejam elas com “O” pequeno ou grande, custa-me um bocado a digerir esta história de clubinhos privados que não tenham como propósito alguém tirar a roupa (de maneira artística) lá dentro. Por isso, cada vez que vejo um Bastonário a debitar professoralmente sentenças nos media apetece-me redecorá-lo, de modo apropriado, à bastonada.
Além disso, ocorre-me sempre uma questão pertinente: porque é que nunca ouvimos na televisão ou na rádio o Bastonário da Ordem dos Templários a dar as suas opiniões? Ver um tipo numa cota de malha, de escudo e espada, opinando sobre os conflitos globais, o regresso dos tons metálicos às passerelles ou até das hipóteses de Portugal nos JO de Pequim na categoria de esgrima, isso sim seria de louvar.
Mas infelizmente, só se vêem os “doutores” do costume, que muitas vezes não contentes em terem uma Ordem só para eles brincarem, ainda têm outros grupos para usarem apertos de mão secretos, aventais como uniformes ou juntando-se a pandilhas de nome em latim que rimam com a palavra gay. Um autêntico regabofe da criançada.
Quanto ao resto da malta que não tem essas aspirações, ou deixa crescer umas patilhas valentes (o bigode já não é ícone) e usa uma camisa de xadrez aberta até meio para se juntar a um sindicato clássico, ou escolhe uma profissão técnica de requinte que possa lixar a vida aos gajos das Ordens, só para não se ficarem a rir.
Creio que não me enquadro em nenhum destes cenários, mas se for preciso um Bastonário da Ordem dos blogs idiotas, estou disponível.

Música da ordem: New order – Blue Monday

14.11.07

Decerto, de ideias

Que se lixe quem disse: “Só há duas coisas certas na vida, a morte e os impostos”. Para além de obviamente isso ser um insulto a todos os artistas lusos da fuga fiscal, irrita-me que o autor, um tal de Franklin tivesse tempo para ser político revolucionário, cientista, inventor e ainda debitar frases pomposas como esta, enquanto que uma mente (mal) iluminada como a minha até para escrever umas linhas miseráveis num pasquim cibernético se vê à rasca de tempo.
E vai daí não é que dei por mim a pensar com maturidade no que são realmente as certezas da vida, enquanto me dedicava a forrar a fechadura do vizinho com pastilha elástica. Tudo bem, temos a morte, olha que bom. Mas, bem vistas as coisas, até a morte é incerta, não em termos de sermos imortais a la Duncan MacLeod do clã Macleod, mas na forma como a dita cuja chega. A bom ver, não há questionário nenhum onde um gajo possa escolher a opção de morrer aos 93 anos com um sorriso nos lábios e uma top model italiana ao lado na cama, por isso mais vale nem sequer pensar muito no assunto.
Mas, porque de certos os impostos têm pouco, matutei mais um pouco sobre o que poderia considerar uma certeza na vida, nem que fosse para não deixar a Morte sozinha, coisa que não se deve fazer a uma senhora, a não ser que ela nos dê uma chapada segundos antes. Procurei então algo profundo, porque dizer “Certo só a morte e as coisas que ficam presas nos dentes“ ou “Certo só a morte e seres roubado num táxi do aeroporto” não são frases dignas de serem citadas por gerações vindouras.
Devo dizer que depois de cerca de....dois minutos e trinta e oito segundos depois de ter começado a ponderar profundamente sobre o assunto fui distraído por um episódio típico da Oprah, em que um jovem dava graças ao Destino por primeiro lhe levado os dois braços num acidente num acidente industrial e depois as duas pernas num atropelamento enquanto treinava para a maratona. Foi isso que lhe permitiu construir pequenos presépios com a língua, que são agora vendidos a preços de obra de arte.
Já não consegui prosseguir esta linha de raciocínio, pois tentar escrever posts enquanto se treina a arte de marcenaria lingual não é fácil e não deixa ver bem o que se está a escrever. Peço-vos, pela primeira vez na vossa vida, que deixem aqui um input útil se assim o entenderem.

“Só há duas coisas REALMENTE certas na vida, a morte e...”


Para inspirar: Live - Selling the Drama (chorem pedras da calçada, chorem, quero ver emoção na web)

12.11.07

Allgarviada

Sim, o tempo está bom. Na verdade, se o tempo continuar assim tão bom arrisco-me a que para o ano os indefectíveis das férias em Agosto, que desimpediam o caminho para eu fazer férias noutros meses, comecem a pensar que Outubro afinal é o mês ideal para ir para Manta Rôta, Armação de Pêra ou levar os putos para o exílio em Manhufe com a avó, entupindo estradas e fazendo com que o Agosto em Lisboa não seja a bela calmaria a que me habituei.
Mas, deixando o debate do futuro gore do clima para o próprio do Gore, a mim mais do que o calor, o que me surpreende é ver que a malta confinua a investir no Allgarve como destino de férias...
Para mim essa dita região deixou de fazer sentido para férias para aí em 1990. Um fim de semana ou outro a caminho de outro sítio qualquer, uma festa específica ou a emigração para Marrocos em colchão flutuante do Avô Cantigas, são para mim as únicas excepções que justificam uma permanência acima de residual na zona. Quando quiser ir para um sítio com mais água e areia e menos gente a falar português experimento a vida na construção civil, que aí pelo menos sou eu que recebo o dinheiro.
É certo que o país é pequeno minha gente, mas essa é uma boa razão para conhecê-lo todo mais depressa. A desculpa do bom tempo e da praia já era, porque com este andamento, mais um anito ou dois e até Viseu tem estâncias balneares. O Algarve é o último refúgio das pessoas com poucas ideias e pouca vontade de ter ideias, no que a férias e destinos para as mesmas diz respeito.
Sítio bons nessa zona? Devem sobreviver alguns, que espero que quem os conheça não os divulgue, nem sequer aquelas revistas que semana sim, semana não nos revelam os ex-destinos secretos óptimos para férias e escapadelas (que não matrimoniais).
Quanto a mim, quando posso faço pela vida. Nas próximas férias está feito, Duas semanas de campismo na Brandoa, que é a versão de um safari para o meu orçamento.

A dar à costa – Rockers Hi Fi – Going Under

8.11.07

Destas não te libras

Embora não tenha aspirações a tomar algum dia o espaço do Professor Marcelo, a não ser que se refiram ao espaço bancário, considero oportuno deixar umas notitas finais sobre esta pequena passagem por terras de Isabelita e seus súbditos.
Não se pense com elas que vou ser daqueles indivíduos que diz que em Portugal é tudo mau e lá fora é tudo bom, já que isso seria uma incoerência de carácter (se eu o tivesse). A realidade é esta, digo mal de tudo em todo o lado, mas sou acima de tudo uma espécie de Indiana Jones em busca de curiosidades perdidas, só que sem charme e sem chapéu.

- A arrogância britânica é sobrevalorizada. Na verdade, procurei ser vítima de arrogância em vários lados, desde pubs a supemercados, lojas de marca ou pedidos de informações aleatórios e não consegui ver o meu desejo de vitimização satisfeito. Tenho a vaga ideia que em Portugal teria menos trabalho, com a desvantagem de não conseguir praticar o meu inglês.

- “Hora de almoço” é sinónimo de “Come trampa e bebe para esquecer o que comeste”. Algo que já me tinha apercebido em visitas anteriores e comprovado nesta é que na “Bifolândia urbana” almoçar em dia de trabalho é uma experiência diferente. Basicamente, o prato corrente é “Pints a murro em cama de qualquer trampa pouco substancial deglutida enquanto o diabo esfrega um olho”.

- Simpatia que se vê no fim do mês. Uma coisa que me intrigou foi o facto dos motoristas dos comuns autocarros se despedirem afavelmente das pessoas quando elas saem do seu bus, muitas vezes, agradecendo ainda por cima. Pensei que ali havia truque ou uma compensação emocional desajustada, até que soube quanto ganhavam – cerca de 400 contos. Vou tirar a carta de pesados de passageiros e passar a vida a sorrir sem preocupações.

- Espaços verdes. Entre Londres e Oxford apercebi-me que os senhores, em termos de parques e jardins enquanto espaços enquadrados numa cidade, dão-nos goleadas monumentais. Creio até que há ingleses com mais verde nos dentes do que jardins em Lisboa.

- Cosmética e a teoria do bolo de anos. Se de facto se tem uma certa noção que as mulheres londrinas e afins tentam cuidar na sua imagem, também é justo dizer que se é verdade que uma boa maquilhagem pode “dar o tempero certo” a uma mulher, desfiles de bolos de anos na cara por toda a parte não têm o mesmo efeito.

- Medir as distâncias. Suponham que moram em Lisboa, mas têm amigos em Coimbra e gostavam de ir lá sair à noite ou de convidá-los para jantar, apesar de eles não terem carro. Entre Alfas e Expressos, não apanhar um autocarro ou um comboio à hora pretendida manda tudo às malvas, para não falar que viajar depois da meia noite, só se for nas traseiras de um Camião TIR. Londres e Oxford distam pouco mais de uma hora e meia. Há pelo menos duas companhias de autocarros que têm partidas de 15 em 15 minutos, dia e noite. E cumprem horários, traço geral. E se comprares ida e volta o desconto é tipo de 50% e não de 1€ a menos. Comboios nem vi, mas sei que há.

Resumindo o que daria uma Bíblia, o custo de vida lá é caro? É, mas é uma realidade diferente e o que têm para justificar esse custo, justifica perfeitamente a factura a pagar, parece-me. O problema do nosso burgo é que pagamos muito pelo pouco que nos dão e tentam fazer-nos acreditar no contrário.
Mas, idealistas como somos, continuamos a acreditar que isto pode mudar, que aquilo temos e vai para além do material e palpável nos torna um país único onde vale a pena viver.
Estupidez utópica ou o mistério científico de gostar de ser português?
Enquanto não percebo qual é a melhor resposta, defendo um misto dos dois: Gostar estupidamente de ser português, mas ponderar fazer digressões internacionais para divulgar o conceito.

Soando em background – Iggy Pop – The Passenger

6.11.07

Ollie Shit



Sou um tipo tão radical, tão radical, que foi preciso ir à Inglaterra para perceber que um half pint não é aquela cena em U onde skaters os fazem habilidades.

Mas, embora não tenha queda para o assunto, não tenho problemas em admitir que este senhor aqui em baixo não segue o meu exemplo...

5.11.07

Falha, mas não tarda


Poderia contar muito sobre o meu périplo por Londres e arredores (leia-se Oxford e Clapham Junction, onde aprendi muito sobre ligações ferroviárias). Mas, por agora, sabendo que a capacidade de absorção de informação do comum leitor é assim para o reduzido, fiquemos pelo apontamento cultural que me deu a oportunidade de mostrar que, artistas somos todos.
Indo eu à Tate Modern simplesmente porque tinha escrito num papel “Ir à Tate Modern para depois poder dizer que fui à Tate Modern”, reparei numa exposição de Arte Moderna de uma madame colombiana de seu nome Doris Salcedo. Sabendo que, na Colômbia, para além de futebolistas de corte de cabelo duvidoso abunda a droga (fonte de aspiração para muito artista), decidi ir ver.
O nome da exposição “Shibboleth” dizia-me muito, mas como não percebia o que ele dizia fui saber o significado, que passo a transcrever “A shibbolleth is a custom, phrase or use of language that acts as a test of belonging to a particular social group or class. By definition, it is used to exclude those deemed unsuitable to join this group.".
Chegado ao sítio da mesma, vi-me perante o cenário de não a conseguir encontrar, tendo no entanto achado suspeita uma falha no solo que ia de um lado ao outro de uma sala, para aí com mais de 150 metros. Resolvi perguntar a um dos funcionários onde era a exposição, respondendo-me ele com um sorriso: “Está a olhar para ela”.
A falha foi minha, mas antes de o ser já era da Doris Salcedo, que fez dela uma exposição. Não tenho aspirações artísticas, embora consiga fingir muito bem, mas senti-me um pouco enganado. Não pela falha, que essa era o que era, mas pelo facto de isto da arte moderna ser sempre uma questão de contexto/intenção do artista.
Sim, porque eu acho que vi uma, quanto muito interessante, forma de interagir com o público que tenta avidamente procurar significado ou ver se só há mesmo a falha, havendo até alguns ursos que, como eu, ficam na dúvida se aquilo é arte ou danos estruturais na galeria. Já a Doris viu que “it represents borders, the experience of immigrants, the experience of segregation, the experience of racial hatred. It is the experience of a Third World person coming into the heart of Europe.”
Ok, tudo bem o trabalho é dela, apesar de já ter visto muitas réplicas do mesmo em muitos prédios de Lisboa. O que me chateia nisto do conceptual é que eu, olhando para as migalhas do meu pequeno almoço posso pôr-lhes uma placa ao lado a dizer “Despojos do dia – Esta obra representa a atitude imperialista e a soberba dos países mais abastados, que fazem dos seus excedentes uma dádiva para os que necessitam, partilhando apenas o que desdenham e não o que valorizam”.
Não me custa nada, não vale de muito e, o mais triste de tudo, é que ninguém me vai dar uma galeria para eu encher de migalhas e fazer uns cobres pelo meio. É mais uma falha minha para eu juntar à da Doris...

A rodar, sem falha – Devo – (I can’t get no) Satisfaction