30.10.07

Londres da vista, Londres do coração


Desculpem a ausência, mas tenho andado a fazer as malas, treinar o sotaque e a aperfeiçoar novas maneiras de meter nojo.

Só as malas é que ainda não estão como eu quero, porque tuga que é tuga assume que fala todas as línguas na perfeição, do cazaque ao aborígene. Na parte do meter nojo, quando os parentes mais próximos nos garantem que nos levam ao aeroporto, mas só se prometermos que não voltamos, está tudo dito.

On the air (tal como eu estarei amanhã) - Clash - London Calling

26.10.07

Pequeno interlúdio sobre cuecas, festa e bananas

José Cid "volta" a estar na berra. E nos berros.
Não é um apontamento novo, mas faz-nos reflectir sobre higiene íntima, a diferença entre concertos e festas e o desequilíbrio que uma banana pode causar...

25.10.07

Isolamento a quanto obrigas


Muitas vezes oiço nas notícias e em conversas de malta sábia, que há muita gente em Portugal que sofre por causa do isolamento. Não me surpreende tal afirmação, é algo que aprendi desde pequeno, apesar de nunca ter vivido no interior ou ter sido o único miúdo da minha turma (tirando se fizermos a distinção entre com cadastro/sem cadastro).
No entanto, tenho ouvido recentemente muitos amigos e conhecidos dos mesmos queixarem-se desse problema, mostrando que é talvez mais grave o problema de isolamento nas grandes cidades, do que nos sítios mais propícios para esse fenómeno ter lugar.
É talvez porque me recordo com algum trauma ainda latente, que o isolamento deficiente do prédio em que vivia, quando era miúdo, me deixava ouvir a minha já entradota vizinha de cima a sofrer muito, a sofrer mesmo muito, chamando até pelo Senhor. Só no dia em que ouvi um grande baque, seguido da frase “Querido, caíste!!! Magoaste-te??” é que percebi a dita senhora não era tão doente como eu pensava e passei a ter algum medo de andar no elevador com ela, já que partilhava o mesmo nome que o seu garanhão favorito.
Mas, o isolamento não é assim tão linear, afecta as pessoas de várias maneiras, algo que aprendi também quando era criança. É que o isolamento é algo que se verifica tanto em cima como em baixo, onde uma líbido feminina era contrariada por um macho não muito latino, dando origem a tiradas traumatizantes como: “Não querida hoje não, HOJE NÃO!!” ou “Oh Maria de Lurdes, nenhuma mulher FAZ essas coisas a um homem!!!”.
Se em criança, o isolamento pode ser muito traumatizante, creio que em adulto, quer por factores de inveja, quer pelo facto de ainda haver pessoas que trabalham em horários normais, transtorna muito mais a vida. Tenho amigos que andam com olheiras de nível olímpico, queixando-se que têm um rodeo a funcionar até altas horas mesmo por cima do andar deles e outros que alegam que moram por baixo do Poltergeist ou de um bar de estivadores, tal é o arrastar de mobília e palavreado obsceno com que são bombardeados.
Embora hoje em dia já não seja vítima directa, deixo um apelo a todos os construtores civis que frequentam este blog (de profissão e não de espírito). Vamos lá a ser menos oportunistas, não poupar tanto no material e tornar os males do isolamento um fenómeno exclusivo do interior. Que tal, pode ser?

PS – Sou totalmente a favor do amor, da liberdade de expressão e da libertação de energias, mas ainda acredito que para se atingir o climax da felicidade não é necessário fornicar o juízo do vizinho de baixo (ou de cima) no processo.

Entre paredes - Soup Dragons - I'm free

23.10.07

Alcovitismos

Como se chamaria o filho de uma relação entre o Chico Esperto e a Maria Vai Com as Outras?

A dúvida subsiste... (a resposta político português não é válida)

A pairar no ar – I think she likes me - Morphine

22.10.07

Ponto Morto

Apesar de esta afirmação não constituir grande novidade para quem frequenta o estaminé, sou de facto uma pessoa estranha. O que me leva a esta constatação é o facto de, entre outras coisas, conceber o carro apenas como um veículo útil para ir de A para B. Curiosamente, a maior parte das pessoas que conheço dirá exactamente o mesmo, mas depois esta afirmação não casa com a realidade que observo diariamente.
E o que vejo, para além de criar mau ambiente, é que também há muita gente a pensar com o órgão errado. Comparativamente a outros países europeus, vejo que o parque automóvel nacional dá abadas a muitos países e não me refiro aos desgraçadinhos de Leste, isto apesar de em termos de orçamento sermos goleados a torto e a direito por esses mesmos países. A percentagem de carros com uma só pessoa é igual é quase tão dominante como a de gajos que viram “O crime do Padre Álvaro” por causa da Soraia Chaves.
Se me disserem que o carro é um facilitador de vida eu concordo (apesar de boa parte do condutores matinais/fim de dia que vejo terem um ar dificilmente simpático), que aleguem que a rede de transportes está a anos luz de ser perfeita eu concordo e que há zonas em que é impossível levar uma vida normal sem usar diariamente o carro, até aí eu aceito. Mas, a história de, “Ah eu sou obrigado a usar o carro”, essa já não cola tão bem. Para alguns será verdade, para muitos que conheço, depois de se apanharem num carro, é uma desculpa conveniente que amplia os defeitos que mencionei ao máximo.
Malta que passa a vida em stress dentro de um carro, que vive em função das horas do trânsito, que sofre horrores se tem de estacionar o carro a mais de cinco metros do sítio onde vai, que te olha como se fosses louco se dizes que fazes regularmente a Avenida da República a pé, que se enterra em crédito para trocar de carro e ter sempre um modelo muito superior ao que realmente precisa e que fala dos transportes como se da Peste Negra se tratasse, tudo isto é gente que há muito perdeu o discernimento do equilíbrio.
Nada me move contra o uso do carro, nunca fui atropelado (tirando mentalmente), tenho carta e até gosto de conduzir. Simplesmente cresci sem me tornar dependente do bicho e sempre estudei, pratiquei desporto e tive vida social sem ter a necessidade absoluta do carro (que dá muito jeito sim senhor em certas ocasiões). Irrita-me talvez o burguesismo da turma do cu-tremido, especialmente numa geração em que o carro já não é muitas vezes fruto de muito esforço e trabalho, mas simplesmente mais um prego no caixão a crédito ou a prendinha trivial e obrigatória para o filhinho que faz 18 anos.
Caso não dê notícias nos próximos três dias, peço ao pessoal da PJ que frequenta o blog que investigue atropelamentos e fuga na zona de Lisboa, que eu sei bem que este pessoal é vingativo.

A circular pela direita – The Cars – Drive (com mofo e tudo)

PS – Se não notaste que escrevi Padre Álvaro em vez de Amaro é bem possível que tenhas ido ver o filme pelas razões que citei.

PSS – Sim, sou daqueles meninos que sempre viveu em Lisboa, estudou em Lisboa, trabalha em Lisboa e de casa ao emprego são cerca de 20 mins a pé, 10 de bus e 5 de metro...

19.10.07

Censo Comum

Prosseguindo nesta fase muito humana da minha verve, debruço-me hoje sobre o facto da maior parte das pessoas que sofre do mal de ter (ou pensar que tem) amigos, ter nesse mesmo lote alguém que trabalha no INE.
Enquanto se questionam se eu já nasci assim ou fui vítima de grave acidente, deixem-me esclarecer: o amigo do INE, que já estão a negar à partida conhecer, não é necessariamente um funcionário dessa nobre instituição dedicada às artes estatísticas, apenas se comporta como tal. Caramba meu biltre, muito gostas tu de metáforas de cariz duvidoso, replicam vocês, insistindo em não ficar calados ao ler os meus textos. Antes metáforas do que mulheres desse género, avanço eu sem grande mestria, tentando voltar ao tema.
O amigo do INE é aquele que disseca a nossa/vossa vida, sem que tal seja sinónimo de preocupação pela mesma, mas sim de uma curiosidade mórbida por factos e dados específicos, essencialmente sobre bens materiais. É aquele personagem que troca o “Olá tudo bem”, “Que é feito de ti?”, “Vamos beber um copo?” ou “Como é que estão os teus pais?”, por coisas simples e amistosas logo de entrada, como por exemplo: “Então estás a trabalhar onde? Ganhas quanto, limpo?, “Já compraste casa? Quanto pagas, por quanto tempo?”, “Vives sozinho ou com a tua namorada? Possuem carro próprio? Cada um?” (esta, há provas que a pergunta foi literalmente feita assim a uma dada pessoa, não é invenção pura) e muito, muito mais.
Embora defensor acérrimo do materialismo, visto não ter muito a esperar da vida em termos de espiritualidade, este tipo de abordagem melindra-me um bocado o sistema, especialmente porque tendo-se na conta de “nossos amigos”, muitas vezes esta gente dispensa os rodeios de nem sequer se disfarçar a avidez de informação.
“Tens quantos ténis de marca?”, “Essas férias ficaram-te por quanto?”, “Os implantes de silicone da tua irmã foram feitos onde e por que verba?” são temas naturais e essenciais para o amigo do INE, sempre abordados com um sorriso nos lábios. Para mim não colam. As pessoas que fui dado a conhecer, e que faziam deste registo uma constante, posso dizer que hoje não constam do meu cardápio de contactos regulares.
A título de dica da semana, eis algumas respostas para acabar com esse questionar constantemente, sobre matérias semelhantes. Depois de rebater as perguntas: “Esse relógio foi comprado cá?” e “Então, quanto costumas pagar em média por um corte de cabelo?”, avancem com algo como:

- Olha, dá-me o teu email lá do INE, que eu quando tiver mais tempo respondo-te ao questionário. (se não a tiver já de modo natural, a cara de parvo do interlocutor tem valor acrescentado)
- Desculpa, podes repetir as perguntas? O barulho da calculadora na tua cabeça não me deixou percebê-las.
- Jovem, e se para varia fosse eu a fazer-te uma pergunta. E que tal se fosses ser chato para o c....? (menos elegante e, até certo ponto, pleonástica, esta resposta garante no entanto a paz eterna, no que a este caso específico diz respeito.)

PS – Para mostrar que também sou um gajo atento ao mundo actual, despeço-me com um facto sobre o “Tratado de Lisboa”, ao que parece acertado ontem à noite. Porque é que tenho a ideia que Portugal é tipo um empregado de mesa que está muito contente pelos elogios feitos à ementa do restaurante, pensando que sem ele o sucesso do mesmo era impossível. Pode ser que nos dêem gorjeta...

On air - Thievery Corporation - Richest Man in Babylon

16.10.07

Aturar o próximo




O que eu mais gosto nas pessoas é o facto de, traço geral, não se poder confiar nelas. Aumenta a imprevisibilidade e afasta o marasmo, além de fazer com que tenhamos sempre motivo para nos entretermos a ver as suas movimentações. Eis um simples exemplo que, numa escala mínima, nos deixa ver as possibilidades oferecidas por um confronto com um invertebrado social:
Estava eu a caminho do burgo profissional, quando vejo alguém muito sábio e douto a comentar algo que por acaso tinha a ver com o que faço para ganhar a vida (para além de acartar caixotes de fruta no MARL). Vi logo, pelo início da conversa, que percebia tanto daquilo, como eu de gramática vietnamita. Calmamente, deixei-a cavar a sua sepultura temática enquanto o seu ouvinte mostrava espanto por tanta sapiência, até que achei que era hora de intervir, coisa que faço raramente, pois apoio a máxima do Jardim Zoológico de não alimentar os animais.
Aproveitando uma pergunta retórica do orador, disparei uma intervenção flecha à testa do mesmo, mantendo o ar inocente que uma barba de três dias permite. O comentário foi simples, mas chegou para fazer vacilar a personagem que reagiu com o toque tradicional de quem pretende defender a sua honra, mesmo não sabendo como.
- Como é que você sabe isso?
A questão nasceu possivelmente da sua observação rápida à minha pessoa. É que ainda se avalia muito as pessoas pela indumentária e eu, que estou dispensado de usar fato, camisa, máquina de barbear e afins no meu dia à dia, devo ter parecido um ET a questionar um humano sobre os hábitos terrestres. Mas, o segundo golpe ia a caminho:
- Fácil. Fui eu que fiz.
O adversário vacila e cai ao tapete.
O combate parece estar decidido.
Eis quando, o terceiro elemento, o tal que ouvia a palestra do artista agora KO, decide intervir. E, curiosamente defende o campeão vencido, mostrando o seu desagrado pelas pessoas que sabem tudo, mas apontando a arma na direcção errada – a minha.
Apesar de tudo, saí dali satisfeito, com mais uma moral da história para partilhar. Ninguém gosta de um sabichão, mas quase toda a gente adora um imbecil.

15.10.07

O mau não dorme

Que este título não vos dê a indicação de uma reivindicação poética de justiça ou um olhar omnipotente sobre o mundo. Refere-se apenas ao facto de eu, devido à vida desregrada que levo, ficando a beber chá até às tantas e a desafiar o perigo ao ver Sic Mulher que nem um maluco, andar com um deficit de horas de sono.
Ora, quando não durmo, os índices de bílis aumentam e, como tal, eis três considerações de início de semana:

Carência de Capital – Já percebi finalmente este sistema criado pelos bancos de que tanto já tinha ouvido falar, tudo graças ao esforço do Millenium BCP. Para quem não saiba, carência de capital aplica-se quando um filho carente de um administrador de um banco pede ao pai para não pagar o capital que deve ao mesmo. O mesmo concorda e manda espremer uns quantos filhos de alguém que não tenham tanta carência para recuperar a guitola noutro sítio.
Cromos da Bola – O mundo do desporto está, na sua generalidade, povoado de frases feitas, jornalistas artistas do vocábulo e cortes de cabelo duvidosos. Talvez seja também por culpa de atletas, técnicos e dirigentes, que repetem na sua generalidade uma mesma cassete de diálogo, vendida pela Planeta Agostini em 1957 e que tem passado, desde então, de geração para geração. A verdade é que também não consigo ver um jornal, site ou transmissão de desporto sem os gracejos seculares e as acutilantes tiradas que já estão mais gastas do que as molas de um colchão de uma qualquer pensão de 5a categoria. Exige-se uma renovação do stock humorístico desta gente. Rápido, porque há gente a sofrer.

Encher Chouriços – Gosto da forma como a RTP vai enchendo um belo chouriço até começar a transmitir a sério a 3ª Série do Lost. Primeiro repete os episódios que já tinha dado há uns meses atrás e interrompido aí porque ainda não tinha comprado mais (não tinham dinheiro, fossem ao Millenium). Depois transmite este fds um pseudo-documentário com dois dos produtores, como que um “Guia de sobrevivência”. Não explicam no entanto como sobreviver ao tédio de ver dois senhores que devem estar cheios de guita à conta da série, a debitar evidências que qualquer amiba já sabe, caso tenha visto dois ou três episódios. Quem se diverte no meio disto tudo? Suponho que só a malta que tem Alzheimer...

Para começar com qualidade - Radiohead - Street Spirit

10.10.07

Fast-Living

Sempre dado a filosofias baratas e a palavras caras, quando dei por mim noutro dia já teorizava sobre o facto do ritmo de vida ser cada vez mais rápido e da maneira como isso se reflectia nos ciclos de vida de tudo aquilo que nos rodeia. Atentemos ao quadro seguinte (sempre quis dizer isto perante uma plateia atenta num qualquer auditório. Não sendo possível, dois gajos com pouco que fazer num blog também serverm).

Aqui há uns anos, eis algumas coisas que era suposto durarem uma vida inteira, salvo imprevistos:

Casamento
Emprego
Carro
Clube
Electrodomésticos diversos


Coisas que hoje em dia têm mais hipóteses de durar uma vida inteira

Empréstimo da casa
Clube



Poderia argumentar-se: “Ah, os tempos são outros. Há mais escolha, mais liberdade, mais de tudo para todos”. É um facto inegável, mas parece-me que tanta facilidade veio baralhar algumas mentes e olhem que se há gajo adepto da mudança sou eu.
O facto de nada ser garantido transforma muitas vezes a liberdade de escolha em insegurança na mesma e, às tantas, liberdade de escolha, ausência de critério e desorientação total andam de mãos dadas. No entanto, é curioso que as coisas que agora são para a vida (empréstimo e clube) são, na sua generalidade, fontes de sofrimento pré-satisfação em que pouco depende só de nós. Tudo bem, ter uma casa dá alegria e ver o clube que se gosta a ganhar (para quem liga a isso é claro) dá gozo, mas pelo meio há muita unha roída e caminho penoso. Já dizia o zarolho, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, mas não me lembro de a seguir vir “de 10 em 10 minutos”, até porque não é por um tipo ter só um olho a funcionar que precisa de ter vistas curtas.
Se eu fosse sábio e profético diria: é possível mudar e experimentar muitas vezes ao longo da vida sem ser necessariamente inconstante. É sempre uma questão de critério e ausência de alucinogéneos. Mas, como sou algo rudimentar, a minha falta de fé na espécie humana não me deixa ter resposta na matéria. Prefiro esperar para ver, isto se não mudar de ideias entretanto.

Por agora ouve-se: David Bowie - Changes

9.10.07

Senhor Doutor, por favor...

Decidi que a melhor forma de acordar sem ficar 45 minutos a driblar o despertador a la Cristiano Ronaldo, era colocar o rádio numa estação informativa onde as últimas do mundo real me arrancariam do mundo dos sonhos. Nos últimos tempos não me posso queixar, diversas personalidades têm cumprido o seu papel de despertador na perfeição, desde o Mourinho ao W. Bush (por ordem de importância), passando pelo Sócrates, Paulo Bento e uma senhora de voz sexy que me tentava convencer a comprar casa através do banco que era amigo dela.
Mas, uma ligeira mudança de horário veio alterar tudo. Nos últimos dias tenho acordado com uma espécie de magazine diário, dizem eles dedicado a úteis conselhos clínicos. Da primeira vez, enquanto me desviava da poça de baba na almofada, pensei: “Olha que interessante, pode ser que ensinem a cortar as unhas dos pés sem usar serrote”. Está bem abelha, nos dias em que tenho apanhado o Sr. Doutor cada vez mais me convenço que aquilo é uma experiência sobre a influência das ondas da rádio sobre estômagos sensíveis. Ele é herpes genital, ele é furúnculos, ele é o espectro de cores da urina, ele é eu a pensar que os pesadelos afinal começam quando acordo.
Hoje foi a gota de água ou melhor, antes tivesse sido. Ao invés tratou-se de saber tudo sobre sangramento nas fezes. Meus caros, eu sou uma pessoa curiosa, mas não quero, friso NÃO QUERO acordar ao som de palavras como hemorróidas e sangue vivo, fissuras anais ou tumores malignos. Não quero saber antes de tomar o pequeno almoço e ainda menos logo a seguir ao mesmo que agora até já há testes que não implicam a introdução de instrumentos pelo ânus acima.
Por isso, Sr. Dr. peço-lhe para guardar esses temas sumarentos para o fim da tarde, quando a digestão já está feita e o trabalho acumulado já faz qualquer distracção paecer uma benção. Até lá, use umas coisas moderadas estilo caminhadas matinais ou a roda dos alimentos para o meu despertar. Garanto-lhe que isso vai fazer maravilhas pela minha saúde, começando pela mental.

Tratamento sonoro - A Pain that i'm used to - Depeche Mode

8.10.07

Playing dead

Aproveitei o nascimento de um novo layout para o blog (desde já agradeço ao pessoal da ACAPO pelas dicas que deu), para tocar num tema assim para os lados contrários do espectro: o acto de “fazer-se de morto”.
Não é fruto do álcool este análise, mas sim de um estudo conjunto com a Universidade de Badmington, em Inglaterra. Desde os primórdios que a Natureza dotou diversos seres vivos com a capacidade de se fazerem de mortos pelos mais diversos motivos. Ora o Homem que, apesar de o ser, sempre teve a ideia que não era parvo nenhum, não só copiou o que a bicharada tinha de melhor nesta aspecto da “morte aparente”, como fez desta actividade uma verdadeira arte. E, quando digo o Homem, é naquele sentido em que também se inclui a Mulher, a qual tem indubitavelmente créditos firmados nesta área.
De facto, se querem aprender tudo sobre o que é “fazer-se de morto”, esqueçam o BBC Vida Selvagem e o National Geographic. Basta abrir a pestana para ver que não faltam “zombies” à vossa volta e nem quero ir pela política, que isso dava uma reserva natural maior que o Kruger Park. Pode ser gente que gosta “de se fazer de morta” no emprego, na vida sentimental ou social, para passar três lugares à frente na fila do supermercado ou, nos casos mais graves, em todas as anteriores.
Para quem é tapadinho o suficiente para não ter já uns quantos nomes a bailar no espaço deixado vago por neurónios abatidos por uma vida desregrada, vejam este padrão. Quem é bom “a fazer de morto” nunca faz referência directa ao que realmente quer. Arranja sempre um artifício que faça a outra pessoa ficar mais receptível a aceder ao que o artista pretende que ela faça. O “zombie” com nível assume os seus defeitos/falhas e usa-os como arma de arremesso contra corações moles e almas ingénuas, fazendo-os sentir culpados por coisas que, traço geral, são da exclusiva responsabilidade do “morto-vivo”. Quem se faz de morto não é um desgraçadinho, é apenas alguém que se sabe deitar na estrada da vida, à espera que mais um bom samaritano pare e lhes dê uma mãozinha.
É aquele colega simpático do qual não temos razões de queixa e de quem até temos alguma pena, sem repararmos que consegue sair sempre a horas e, por um motivo ou outro, nos entala com trabalho. É aquele amigo ausente do qual continuamos a gostar, apesar de nunca responder aos nossos convites, nos deixar pendurados constantemente e ainda nos cobrar porque não lhe damos atenção. São aqueles que fazem alarde da sua luta pelo parceiro ideal (ou irreal?) que o destino lhes insiste em negar, os quais apoiamos em pleno enquanto nos esquecemos de uns quantos que já foram chacinados injustamente nessa luta. É toda a gente que foge da frontalidade por sistema, sem nunca querer pagar o preço dessa fuga.
Fazer de morto é coisa natural, nesse capítulo não há volta a dar. Mas, se em certas espécies é mecanismo essencial para a sobrevivência da mesma, no caso das pessoas é um mecanismo artificial para sacanear o próximo. E, para artificial já me bastam as minhas madeixas loiras.
Por isso, se gostas de fazer olhinhos de carneiro mal morto, tens atitude de cachorrinho ferido na berma da auto estrada e revês com saudade vídeos do João Vieira Pinto a sacar penalties, desampara-me a loja. Mas, não te esqueças de votar naquela caixa do canto superior direito, porque todos os votos contam, até os dos mortos vivos.

No ar: Smashing Pumpkins - We only come out at night

2.10.07

O que se ganha com o tempo perdido



Sou um fã de tortura psicológica e agressão mental. Acho que é um passatempo que aplica bem a um franganote como eu e justifica plenamente a criação de um pasquim como este. Além do mais, é a única razão minimamente plausível que tenho para ter passado uma parte da minha tarde domingueira a (re)ver boa parte de um filme que incluia o Sylvester Stallone como guarda-redes, o Michael Caine a não disfarçar uma gravidez avançada usando equipamentos justos e o Pelé mascarado de cidadão de Trinidad e Tobago, falando um idioma que se assemelhava muito vagamente ao inglês.
Metia nazis entusiastas do futebol, metia planos de fuga que fariam corar de vergonha um qualquer Clint Eastwood encarcerado em Alcatraz, metia patriotismo de fazer querer cantar um hino qualquer à mão de semear, metia um abuso do slow motion que era uma coisa parva e metia um descritivo básico de como partir um braço a um tipo, de modo simples usando um estrado de uma cama.
Depois de ver o Pelé a marcar um penalty de braço ao peito e o Stallone a defender um penalty depois de um face a face tipo faroeste com o craque germânico, repensei a minha vida. Tenho de arranjar algo melhor para fazer aos domingos à tarde, nem que seja apedrejar escuteiros.


Now playing - Disposable Heroes of Hiphophrisy - Television, the drug of the nation